sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Londres vs Porto

Primeiramente devo dizer que amo ambas e por isso não quero perante isto depreciar o Porto, é só para que alguns dos leitores tenham a noção de algumas diferenças. Comecemos por números que são normalmente os mais esclarecedores. 

População: 14 milhões vs 1,2 milhões.
Extensão: 1600km2 vs 42km2
Metro: Ano 1863 (2º maior do mundo também) vs 2002
Aeroportos: 5 vs 1
Economia: Cidade no mundo onde se gasta mais dinheiro (maior shopping da europa) vs salve-se quem puder

O Porto é uma cidade muito atípica, dificilmente se encontra características como as suas e por isso tem uma beleza ímpar. Já agora, todos os que visitaram o Porto que eu conheço aqui só me dizem muito bem o que me deixa cheio de orgulho. Tem espaços que guardo com carinho muito especial e que me relembram momentos fabulosos da minha vida. Contudo quando se vive em Londres, compreende-se que existe nela um cantinho especial para cada pessoa, para cada estilo, para cada ser. Todas as pessoas sabem disso e a multicultura é tal que nada é anormal ou extravagante, ou mesmo comum. Vive-se com muita qualidade, pois ganha-se bem e o tempo é sempre bem ocupado, haja vontade para tal. A cultura está espalhada por todo o lado e é muitas vezes grátis! Sim, imagine-se para quem vem de Portugal e de repente pode ver museus e espectáculos grandiosos de borla. Até parece mentira. A saúde é igual, para além de não se pagar absolutamente nada, zero, o próprio médico ainda liga para a pessoa quando está em casa a perguntar se está tudo bem e quais os resultados dos vários testes. Parques são gigantes alguns deles, imagine-se que existe um parque que é quase do tamanho do Porto. O ambiente em que as pessoas trabalham e as condições de trabalho que têm são de sonho comparadas com as portuguesas. Os gastos não são por aí além e o que se ganha dá para ter uma vida mais que folgada. Viajar é mais que barato e ter esse hábito é fácil. O facto de se trabalhar com pessoas de diferentes culturas permite enriquecer muito mais o conhecimento, pois todos trazem formações e formas de pensamento diferentes. Muda-se de trabalho de uma semana para a outra, facilmente, sem ter de andar com grandes chatices. A imagem pouco ou nada representa na maioria dos casos para as entrevistas. O curriculum também não, interessa sim, saber fazer. Não é fácil como tudo pode parecer, mas no fim, continuo a achar que é tudo maravilhoso...

Knowledge takes you far, Know-how takes you further

Só de forma a que todos percebam, o título significa algo muito semelhante a "o conhecimento leva-te longe, o saber como fazer leva-te mais além", julgo que esta será a melhor tradução. Possuir conhecimento é fabuloso, faz-nos sentir mais úteis e capazes, mais inteligentes e potenciados. Permite-nos debater vários temas e apresentar as ideias que outros tiveram e que nós através do estudo, ou por ouvirmos o relato de outrem podemos descrever com mais ou menos exactidão. Contudo, em si, apenas como conteúdo, serve de pouco. Não quer dizer que este pouco seja algo pouco substancial, muitas pessoas vivem a sua vida apenas e graças ao conhecimento que possuem. São úteis dessa forma, pois têm capacidade de explanar o seu conhecimento que porventura será amplo. Para além disso, iludem muito facilmente quem normalmente não o tem e fica fascinado com tamanha capacidade. Só assim se compreende, como a maior parte das pessoas se deixam enganar e levar por estes papagaios falantes. Ou melhor, papagaios, que tal como os papagaios não falam, eles repetem com maior qualidade ou não aquilo que ouvem e até acham engraçado de dizer, papagaiam. No entanto, o ser humano que consegue transferir esse conhecimento para o campo da realização multidimensional e multidisciplinar, aquele que sabe o que fazer com o que lhe é dado e apresentado, esse sim é um ser superior. Nem sempre tão apresentável e carinhoso como o papagaio, mais pragmático e simples, o ser humano empregador do seu conhecimento é aquele que realmente faz girar o mundo, nem que seja apenas o dele, para um futuro melhor. Seja no trabalho, seja no mundo social ou mesmo num mundo de introspecção o senhor know-how é aquele que ultimamente triunfará sem contudo precisar de tantos holofotes como o senhor possuidor do conhecimento per si.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Falta de veracidade

Ao longo da minha jornada tenho questionado ainda sem grande certeza na resposta que procuro o porquê da falta de veracidade nas pessoas em dizer que sim e não. É das respostas mais simples, curtas e fáceis de pronunciar. Não envolve grande musculação da língua nem controlo da respiração. Não consome nem exige grande energia na elaboração de uma resposta mais composta. A sua explicação parte muitas vezes pelo facto de o sim ser sim e o não ser não. No entanto, talvez devido à sua simplicidade, a resposta é dada de forma pouco verossímil e sem veracidade. Dizemos sim quando pensamos ou sentimos não e vice-versa. Realizámos esse acto por incapacidade de lidar com a verdade, por tentar dizer ao cérebro o que na verdade ele não pensa ou quer, ou por simples aceitação social. Com isto não quero dizer que devamos ser um Yes man! nem dizer não a tudo. Devemos sim, dizer sim a tudo o que sentimos e pensamos, seja esse um sim-sim ou um sim-não. Até porque se repararem o sim ou não chamemos-lhe falso, enganador ou dissimulador para o próprio, é sempre dito após uma micro-expressão corporal notória. Por vezes notória para todos os seres humanos e aí todos dizem que estão a mentir, outras vezes um pequeno comportamento só compreensível para quem tem conhecimento aprofundado da matéria ou do sujeito. Acredito que o pior não estará na procura em enganar o outro pólo, o receptor, mas sim na falta de consciencialização do trair o pólo emissor. Acredito que deve promover um sentimento de frustração enorme e por isso nos revoltamos muitas vezes não connosco, que é quem está a provocar o erro exclusivamente, mas com o receptor. Perdemos dessa forma tudo, a nossa verdade, a verdade intermediária e a verdade do nosso receptor. São demasiadas verdades para se arriscar a dizer aquilo que não se sente ou pensa.

Poder do (des)amor

Amor, palavra forte e imensa, intensa e carismática. Amor é a razão pela qual todos vivemos, seja o amor por outra pessoa, seja pelo próprio numa visão muitas vezes essencialmente egocêntrica e doente. Amor tem o poder de mover o mundo, de transformar a visão e o sentimento por aquilo que nos rodeia. Ilude-nos, torna tudo fabuloso e maravilhoso, torna possível o que muitas vezes é impossível. Alimenta-nos, fascina-nos, transcende-nos, envolve-nos por dentro e por fora, irradia-nos e ilumina-nos, dá-nos força e coragem. Amor é tudo isto e muito mais, mas é tal como a escrita, impulsiva, alimentada por uma energia paranormal que nos faz mover montanhas. Contudo, se todo este poder de construção e exponenciação é nos dado pelo amor, é o desamor o provocador de todas as grandes obras e revoluções que se sucederam ao longo da história. Foi acima de tudo por desencontros, amores não correspondidos, ou quanto muito a luta por um amor comum, que fez do Homem e da Mulher o que são hoje. Estranho não? Afinal é no mal que está o poder criador das grandes obras de arte, das mais variadas formas, tamanhos e dimensões. Foi e tem sido até ao momento, a luta constante por obter correspondência que tem feito com que a cultura evolua, com que o conhecimento avance e só perante o erro, a falha, a rejeição, é que o ser humano tem encontrado forças para se transcender e ir mais longe, por vezes de forma fatal. Viva ao amor, mas viva sobretudo ao desamor. Vindo de um romântico pode parecer estranho, mas a dor do amor é, infelizmente para muitos, aquilo que os move. O ser humano adora viver a vida penosa de estar perante a felicidade e nunca a agarrar com profundidade. O real valor do sentimento tende sempre para a negatividade vá-se lá compreender o porquê.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Clarividência

Clarividência pode ter múltiplos significados, como praticamente tudo o que conhecemos. Depende essencialmente do sujeito que evidencia o conceito. Para mim, clarividência trata-se acima de tudo de um estado de análise superior. Não remeto isso para o campo do espiritualismo ou da parapsicologia, o meu conhecimento dessas áreas é extremamente reduzido e também de pouca observação ou atenção, mas para o sentido de compreender claramente e com evidência qual é a melhor solução quando se constata determinada situação ou quando se observa determinado objecto. É essencialmente um exercício complexo que requer paciência, racionalização e perspicácia para compreender as várias dimensões do que observamos e reflectimos. Normalmente, e acredito eu de forma basilar, só com uma maturação e experienciação vastas e de uma riqueza de alto quilate é que é possível perceber até que ponto a bonificação da observação, análise e devida actuação perante o objecto ou situação tem sentido. A precipitação é não raras vezes um erro enorme, seja ele de julgamento ou de actuação. Todos os campos nunca são devidamente contabilizados e contemplados e a propensão para o erro cresce de forma praticamente exponencial quanto maior for a tendência para o instante. Não quer isto dizer que a espera é positiva, pelo contrário, "quem espera sempre alcança" é das maiores mentiras que pode existir. "Quem espera, desespera..." já me parece mais acertado e positivo, pois perante a acertividade e o sucesso só uma forma de estar activa, conceptual, global e ecológica poderá ter realmente efeito catalisador de uma resolução satisfatória.

sábado, 3 de setembro de 2011

Consciência do eu

Ter consciência de alguma substância, seja ela física, meta-física ou de outro campo do qual não possamos ainda considerar, é compreender com conhecimento a substância. Depende em muito do espectro de visualização com que se estuda, contempla a substância. Sendo a substância a própria pessoa, toda a absorção de informação torna-se incapaz de ser fidedigna pois a compreensão e exposição das imagens conceptuais está dependente da capacidade, ou melhor, da selecção realizada pela cérebro. Este tal como o faz para o nosso desejo na alimentação, selecciona não o que lhe convêm, mas aquilo que o saboreia mais. Dá prioridade ao que nos alegra, ou que nos orgulha e nos motiva, embora não seja segredo para ninguém o peso que as sensações e experiências más têm sobre nós, mas isso também depende do sentimento de si, de cada um. Relacionando todo esta consideração que pode ser feita pelo próprio com as diferentes considerações que podem ser feitas pelo círculo de conhecidos que o envolvem chegamos a uma significação muito próxima daquelas que se encontram no dicionário de língua portuguesa. Ou seja, somos tudo aquilo que dizem lá sobre nós, mas na verdade, ou seja, no todo, não somos o que lá está. Da mesma forma que quando realizamos uma introspecção devemos, conversando e tendo consciência do eu,  compreender o quanto a nossa leitura é limitada e limitativa. A sua expansão depende em grande modo do comprimento e elasticidade do nosso conhecimento e só escavando e por vezes mesmo detonando as suas bases é que denotamos realmente do que somos feitos. A consciência do eu só surge em momentos de real procura e concentração do que somos feitos. No resto dos momentos da vida, no dia-a-dia, nem reparamos verdadeiramente que lhe pertencemos. Assim, o eu fica algures entre o corpo e todos os prazeres e dissabores da vida. Agarremos e demos mais força ao eu para que este possa crescer com mais estrutura e potência.

O mundo como um carrossel

O mundo é fabuloso, cheio de riqueza, de diversidade, de multiplicidade, de tudo. É caótico para quem não compreende a sua essência e vertiginoso para quem fica pela janela a vê-lo passar. O mundo em si só tem sentido nesse plano megalómano e multicultural, multidimensional e hiperactivo. Perante todo este panorama, all-over, a nossa visão e conhecimento tem tendência para a difusão, a nossa percepção tende a ser nublada sobre tudo o que nos rodeia. Percepção essa que vai-se alterando, mutando ao longo da vida, influenciada pela agregação e segregação de pseudoconceitos que nos limitam a visão e compreensão do que realmente nos rodeia de forma pura e simples. Como ainda há bem pouco ouvi num filme, um mundo é como um carrossel, e nós olhamos para ele dessa forma enquanto crianças, depois vamos perdendo essa ilusão, talvez ela a mais real de todas a que temos, ao longo do tempo. Integrar e apreender este mundo não é fácil, é preciso derrubar muitas barreiras mentais e dogmas que se criam em torno de conceitos culturais e sociais que nos levam a uma estandardização cada vez maior, mas é tão bom ser criança, ser puro e simples, se conseguirmos ser cada vez mais cultos e experientes e podermos manter a mesma autenticidade na visualização e percepção do mundo e de tudo o que nele habita, então aí seremos inteiramente felizes e realizados.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Perda de tempo

Perder tempo é acima de tudo não o ganhar. Pode parecer uma lei de la Palice mas não deixa de ter todo o sentido. O tempo corre, ao sabor do vento, da chuva, do sol e de algumas intempéries, e contra isso pouco ou nada podemos fazer. O tempo quanto muito só pára por desordem mental ou por um grande poder de concentração. O que fazemos com ele é que torna tudo com maior ou menor significado, mais orientado ou desorientado, com substância ou sem ela. Muitas vezes dizemos que não temos tempo para nada, e isso em quase todos os casos é uma blasfémia. Simplesmente não atribuímos às experiências que temos e pensamos o verdadeiro valor. Sobrevalorizando por vezes o que não tem sentido e subjugando aquilo que deve ser o mais precioso na nossa vida. Ficamos magoados e sentidos, choramos e quebramos com experiências e por pessoas que no final da vida nem nos lembramos e por vezes temos algo tão próximo de nós, amigos, familiares, até aos mais simples seres e objectos, que são tão importantes, tão cheios de significado que pela proximidade deixamos de dar relevância. Devemos tentar, cada vez mais, apreciar e agarrar o que o tempo nos dá, ganhar tempo a cada dia, e tentar evitar perder tempo com as essências que são superfulas e passageiras. Tratar com prioridade o que nos é proporcionado com prioridade, dando e recebendo em troca algo de igual valor, e tendo consciência que as decisões que tomamos são fundamentais e de nossa responsabilidade, sejam elas de agarrar as oportunidades ou de as deixar fugir.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Gangsters and Rockstars

Ao longo das várias gerações vários foram os ícones pelos quais a sociedade se foi tentando imitar. Personagens com poderio financeiro, poder social, controlo pessoal e sobre os outros, rebeldes e com livre arbítrio. Poucas ou mesmo nenhuma vez, as pessoas tentam imitar alguém certinho, coerente, responsável e o que se chama de exemplar. Os exemplos que seguimos ou são gangsters ou rockstars, a sua vida selvagem e aparentemente descontrolada alucina-nos, excita-nos e faz com que desejemos o mesmo. Contudo, e cada vez mais, estes caminham para um mesmo grupo, gangsters e rockstars estão hoje, se não desde de sempre, mas agora mais que nunca, unidos num negócio comum. Então as pessoas tentam fazer o mesmo, o descontrolo chegou ao ponto de não reconhecer a riqueza intelectual e esperteza destes indivíduos. Para ser gangster ou rockstar é preciso trabalhar muito, independentemente dos processos que se tem de concretizar. Parece tudo muito fácil, atingível, e por não são raras as vezes que a desilusão, desapontamento e depressão são imensas e pesadas. Por muito que tudo pareça complexo, o mal está no princípio, o da imitação. Todos os novos super heróis surgem exactamente pelo facto de serem únicos e de acrescentarem algo melhor e diferente à sociedade. Algo que já eles tinham de forma natural e que trabalharam para o melhorarem. Confiança é a palavra de ordem e essa, mesmo essa, é trabalhada exaustivamente.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Felicidade

O que é a felicidade? Como se mede? É visível, palpável, tem sabor?
Enquanto criança vamos pensando nestas questões, pois apresentam-nos formas de medição para tudo, conteúdos e conceitos que parecem tão atingíveis que parecem ser essências que se encontram com facilidade na mercearia ao lado de casa.
Com o tempo vamos associando a ideia a sucesso profissional, social e infelizmente cada vez menos ao familiar e amizade. Mesmo o sucesso profissional, passa essencialmente por ter um emprego reconhecido pela sociedade como de bom valor visual e monetário. O social passa cada vez mais por ter mais amigos adicionados nas redes sociais. Onde vai parar este mundo tão superficial e falso?
Não sou nem quero ser senhor da palavra, isso não existe e dificilmente, só por imposição anárquica isso poderá mudar, mas cada vez sinto que a felicidade não é nada do que foi supratranscrito.
Passa isso sim, por acordar todos os dias com ainda mais vontade de viver do que o anterior, com mais projectos, com mais energia, com mais desejo de viver, ter novas experiências e de viver intensamente a vida que se tem, apreciando todos os momentos, especialmente os mais simples, pela beleza inteira que têm. Olhando sempre ao que o processo nos trás e não às metas que poderemos pretender obter. A aprendizagem, experiência e orgulho deverá estar no processo e não no destino.
Como já disseram e muito bem, "façam o favor de ser felizes..."...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aleatoriedade no Jogo e na Vida

Correntemente tem-se ouvido falar em aleatoriedade do jogo, o que o jogo poderá trazer de imprevisível a ele mesmo. Esta aleatoriedade apesar de ser lançada como algo mitológico, difuso e inconstante, não o é assim tanto. Tem uma origem, um sentido, uma cadência e tende até a ser algo sistémico. O caos não é mais do que uma ordem por definir, e acreditar que o jogo poderá ser justificado de uma forma tão vaga e imprevisível é procurar criar uma barreira ideológica perante o que é simples. Muitas vezes esta mesma aleatoriedade é sempre exposta como partindo de um ser ou órgão externo esquecendo, talvez não por acaso, o próprio ser, aquele do qual desconhecemos mais do que os outros. Procurar criar um sentido comum de competência para a equipa sem este princípio é procurar criar pontes de conexão não simbióticas, muitas vezes como se vai vendo em vários campos, forçadas pela intenção individual de sucesso. Para uma real construção de um jogar é primeiramente imprescindível o conhecimento, mais uma vez ele a chave de tudo, de todo o ser pertencente ao orgão activo. Percebendo de que forma é ele construtivo e fluído perante o seu superior e de que forma este superior poderá também salientar e celebrar as características do ser. Só a partir daí, do micro-cosmos podemos partir para um macro-cosmos onde o anterior está inserido, onde só faz sentido no seu espaço e onde este espaço só existe com a presença do anterior. As barreiras só existem para quem é limitado e limitativo...

domingo, 10 de julho de 2011

Expectativas vs Realidade

Ontem enquanto visionava um filme, durante este existe uma comparação visual entre as expectativas de um jovem apaixonado e o que realmente aconteceu na realidade, deparei-me de como a vida por vezes é tão irreal na nossa mente. Normalmente para melhor, a nossa mente ilude-se e fantasia-se com situações que jamais existirão. Os nossos sentidos deturpam o cérebro perante o que realmente acontece. Torna tudo mais satisfatório e agradável, principalmente se estamos apaixonados. Seja por pessoas, trabalho, bens materiais ou espirituais, as formas que atribuímos a elas são sempre mais suaves e fluídas. Perante isto temos ainda um problema, que aparentemente não tem solução, o que é estranho pois tudo só é um problema se existir solução. O conhecimento não favorece nem desfavorece a propensão para o sucedido, se por vezes achamos que conhecemos tudo muito bem e achamos que por isso tudo está preparado, as coisas acabam por correr mal, tal como o oposto, o desconhecido e o receio acabam por depois desaparecer perante um sentimento de felicidade e concretização ao qual dizemos "que afinal até nem era assim tão difícil!". Assim, ao longo da vida fui mentalizando-me que não adianta criar muitas expectativas, sejam elas boas ou más, há sim que estar preparado, o melhor que pudermos, para todas as situações, criando múltiplas possibilidades de respostas e perante estas nos precaver-mos para possíveis terminações não matematizadas.

domingo, 26 de junho de 2011

Queda de valores

Após milénios de evolução constante, mesmo perante fazes de orgias e grandes banquetes de ócio e bebedeiras, o ser humano sempre foi procurando ser algo maior em todos os sentidos. Quer seja por inspiração própria, muitas vezes egocêntrica, ou por motivos externos como a ânsia em conquistar e destruir povoações vizinhas, ou por amores novos, o ser humano sempre combateu a monotonia e o desespero do nada. Do nada que fazer, que pensar, que actuar, que interagir, todo o nada. Contudo nos últimos anos, e felizmente ainda existe uma pequena maré de marinheiros que continuam em construção e em empreendimento profissional, motor e mental, a sociedade encaminha-se para o sentido que até agora tinha sido o objectivo supremo contra o qual lutava. Hoje o ser humano já não está numa fase sequer de carpe diem, já nem esse súbito impulso por algo fugaz, superficial, que morre logo após o seu nascimento, que vive apenas para satisfazer o libido, existe. Caiu-se no marasmo de estar bem perante o nada, o vazio, o inexistente de sentido e conteúdo. Se anteriormente, e erradamente, procurava-se ser o tudo e o todo, agora muitos são aqueles que se satisfazem perante a letargia e o mundo oco, baço. Preocupa-me imenso a forma como as pessoas estão a caminhar para a formatização do seu estado intelectual, social e cultural. Apesar de cada vez existirem mais extremos, e estes também não me parecerem claramente muito bem dotados de racionalidade e de clareza vivencial, existe uma força magnética que providencia a igualdade entre todos, infelizmente esta igualdade está no patamar mais indesejado que poderia estar. A morte da individualidade, do saliente, do carismático, do emergente, do ser racional em todos os seus campos, parece, assim, uma inevitabilidade.

sábado, 25 de junho de 2011

Perspectiva do erro

Ao longo da minha infância e adolescência, o conceito que me foi apresentado de erro, errar, falhar, sempre foi altamente depreciativo. Algo que se deve ao máximo evitar cometer, prejudicial, desmoralizador e provocador de uma má imagem perante a sociedade. A procura pela perfeição desta metrópole foi no sentido do não-erro, do rendimento sublime, da exacerbação do próprio ser perante os seus comuns através da perfeição técnica do seu raciocínio e da performance motora. Hoje em dia, o meu ponto de vista, é completamente o oposto. Não será o outro extremo, como quer crer a nova sociedade que acolhe com displicência a má-educação e a falta de profissionalismo de todo e qualquer ser como se fosse algo inerente ao ser humano, uma característica sua como ter pele. Será no sentido não limitativo em que muitas vezes a busca da perfeição exerce no ser. A pressão perante a sociedade em que se convive é por vezes tão grande e tão doente que leva o ser a errar sem sequer ter noção ou propensão para o fazer. Em vez de procurar explorar novos horizontes e em experimentar concessões diferentes, o ser limita-se aquilo que lhe é seguro e eficaz, não procurando, por falta de visão e ambição, plataformas de sucesso e rendimento mais complexas, mais exigentes, que lhe sejam mais desafiadoras e motivadoras. Um pouco como o "faz pouco mas faz bem". Eu sou a favor do erro, da experimentação, da implosão do limite cerebral e motor que nos condiciona. Só ele nos permite ir mais além, só ele nos torna super-humanos e só ele, no seu cerne, dá sentido à vida e ao prazer em viver. Viva o erro!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jornalismo ou Narração, Política ou Festa do Tomate

Após vários dias a tele-visionar o que se ia passando em Portugal, fiquei com uma certeza. No nosso país já não se faz nem jornalismo nem política. Parecem duas certezas, mas não, é mesmo só uma. Ambos os micro-mundos do jornalismo e da política devem apresentar ideias, explicar o que está a acontecer, não através de um ponto de vista cego ou único, próprio e desde logo condicionado, mas apresentar o que ocorre como realmente ocorre. Eu sei que não é fácil, não fosse tudo isto feito por seres que se dizem humanos capazes e muito profissionais, mas custa-me acreditar no ponto em que a situação chegou. Quando vejo jornalistas a narrar apenas o sucedido, ou o disse que disse, ou então a, será que ainda virá pior, comentar publicamente ou a elogiar ou denegrir um sentido político, então algo está muito errado, especialmente quando tudo isto ocorre durante um telejornal. Nem se preocupam sequer em procurar um espaço de opinião, é mesmo num espaço onde tudo o que deve acontecer deve ser apenas e só informativo. Quanto aos políticos, esses já caíram há muito tempo na miséria da estupidez e da ignorância, falam em programas para governar como se fosse algo de mitológico, pois só falam nele pelo nome e nunca pelo sentido. Todo o tempo de antena que dispõem, se não mesmo todo o tempo que têm, é para mandar tomates aos outros presidentes de partidos, tal como acontece na festa do tomate em Espanha. É tal e qual, cada um anda numa carrinha cheia de tomates e atira para qualquer lado, muitas vezes não se apercebendo que estão a atirar para si também, mas a cegueira e ignorância é tanta que dão tiros nos pés de caçadeira.
O mal de tudo não está propriamente em todos estes néscios, está em todas as pessoas que os continuam a seguir, não fosse o telejornal dos vários canais o programa mais visto por certo a seguir às telenovelas, outro espaço cheio de ideias fabulosas e enriquecedoras. Onde vai parar esse país à beira-mar...?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Anjos e Demónios

O ser humano encanta-me, pela beleza da sua imperfeição, é em todo ele desequilibrado e desorientado. Procura a perfeição sempre através de modelos externos, tentando integra-los como próteses da sua personalidade mental e corporal, mas não compreendendo que a devida imperfeição parte das suas próprias ortóteses, aquelas que esconde de todas as formas possíveis, não percebendo o quão ténue é o seu véu.
Ilude, ou melhor, procura iludir os outros não antevendo que a ilusão maior está dentro de si, finta pensamentos e sentimentos, como se objectos imóveis se tratassem, não compreendendo a volatilidade destes.
Vive enganado na mentira da sua irrealidade, porque o consola, o satisfaz, não o confronta com o seu próprio ser. Apesar de ser o reflexo perfeito, não aquele que se vê no espelho, ignora-o ou não o reconhece, ou pelo menos tenta, pois com certeza e apesar de todo o esforço, o seu inconsciente será sempre mais poderoso que o seu consciente, e esse apesar de retraído, será sempre aquele que comanda o ser.
Aos nossos olhos todos os outros são anjos e demónios, tudo depende do conhecimento parcial ou total que temos deles. Julgamos-os como seres totalmente definidos e característicos, como se fossemos eles, mas não somos, aliás muitos de nós, não somos sequer nós, somos um nós disfarçado de anjos, cometendo os mesmos erros desses demónios, mas que perante tais dizemos "Eu? Jamais..."
Estúpido é aquele que não se reconhece, dá valor ao que é, e inteligente é aquele que sabe o que é, o pratica, o integra e vive, e ri de si, aprecia por ser assim...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cegueira Proximal

No outro dia estava a ver um programa de tv, não por acaso um concurso de dança, e a apresentadora dizia algo parecido com "por vezes o potencial está tão próximo que nem o vemos". Referia-se no entanto não a um(a) candidato(a) dançarino(a) ou bailarino(a), mas sim a uma jovem promessa da música que antes do seu single se tornar mediático, trabalhava num bar a servir às mesas. Não estando aqui a denegrir a profissão, que é tão válida e deve ser reconhecida como todas as outras de igual forma, não é para todos, esta rapariga passou em duas semanas a ganhar em vez de uns dólares por hora, uns bons milhares. Coisa que provavelmente não ganharia num ano talvez. Isto por ter sido ouvida por alguém de renome na internet...
Para além do potencial da internet, já anteriormente reconhecido, e não é por aí que o pensamento pretende ir hoje, a questão prende-se mais com a quantidade e qualidade de potencial existente em pessoas que olhamos por vezes para elas como se fossem apenas mais uma. O ser humano tem uma grande tendência para não reconhecer devidamente o seu próximo, o distante e desconhecido é sempre melhor e mais alto. Só porque as suas características são mais difusas e desconhecidas, o lado misterioso torna-o mais apetecível. Usamos e deitamos fora muitas vezes o que já conhecemos e queremos sempre o que aparentemente é mais belo, mais fascinante e brilhante e não compreendemos que todo esse brilho não é nada mais que pequenos holofotes apontados a um produto tão ou menos capaz do que o temos. Com as pessoas passa-se o mesmo, não fosse o ser humano tão pouco ele humano e não trataríamos as pessoas como muitas vezes tratamos de qualquer outro objecto. Passados meses, muitas vezes anos, é que reconhecemos que realmente que "aquilo" é que tinha valor, "aquilo" é que era bom, e foi pena não se ter aproveitado melhor o que "aquilo" nos tinha para dar. Infelizmente, as pessoas não aprendem a dar valor ao que têm, e assim vai continuar a ser, enquanto olharem para o longínquo, desconhecido, o mascarado, em vez de olharem para toda a beleza circundante. Muitas vezes sendo ela tão bela e perfeita que se trata de um diamante jogado no mar...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Obesidade Intelectual

Dia após dia, somos bombardeados com todo o tipo de informação. Mesmo que não queiramos, a mente é atingida com todo o tipo de slogans, notícias, comentários, estratégias que visam a nossa atenção para essas mesmas.
O tempo que se usufrui é pouco, o trabalho ocupa o tempo de forma gritante, a família acaba por requerer e bem o que sobra. Desta forma o tempo para a leitura, para o estudo, para o aprofundamento do conhecimento torna-se imensamente reduzido. Uma questão de opção por uma vida que nos preenche mais além do sentido profissional.
Infelizmente se o esforço não estiver orientado no sentido do enriquecimento intelectual, a cultura obesa que nos rodeia acaba por nos consumir o pouco intelecto que possuímos. Na caixinha mágica do séc.XX muito do que transmitem não passa de incentivos ao ócio e à imbecilidade, pois em muitas estações a propaganda é que o sucesso está presente desta forma e não na forma correcta de aplicação e dedicação. A superação humana passa essencialmente por dizimar os oponentes de forma barata e íntima. O trabalho em grupo existe com um fim comum de obter apenas um objectivo final sem se criarem estruturas dentro da rede que permitam um conjunto mais eficaz e sentido. Tudo se baseia no somatório das individualidades como se estas vivessem e trabalhassem de forma estanque. Normalmente até final todo o sentido ético e de valor moral acaba por se desvanecer e passa a comandar a selva dos sentidos e mentiras daqueles que de racionais têm muito pouco. Será que já não existem programas e pessoas que representem que o ser humano ainda pode ser construtivo e bestial em comunhão com os outros e o espaço que os circunscreve? A mensagem de Apocalipse iminente é assim tão benéfico que o salve-se quem puder seja o sentido a tomar? Por vezes penso que o melhor será mesmo voltar ao canal panda para que o mundo seja todo ele também ilusório mas pelo menos mais colorido...   

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Adolescência actual

A sociedade tem vindo a mutar-se ao longo dos tempos, incorporando o que a circunscreve conforme as modas ou as situações económicas o possibilitam. Os jovens na sua génese não tem ambições muito diferentes das que tinham os jovens de outrora, querem ser reconhecidos, respeitados, elogiados, desejados e acima de tudo "independentes". Antigamente para se obter esta independência, começava-se a trabalhar, ajudava-se os pais e os irmãos mais novos fornecendo em casa com mais condimentos e condições e ficava-se com uma pequena fatia para um pequeno gosto pessoal. Actualmente as coisas, como o leitor por certo já reflectiu, não são bem assim, ou melhor, não são nada assim, pelo menos na generalidade.
A adolescência actual não compreende que a independência parte de uma desconexão umbilical com os pais. Como todas as pessoas no mundo, tentam ficar com o melhor dessa ligação e tentam eliminar o que de mau tem. Passo a explicar, mantêm-se a acomodação ao tecto protector parental, vivendo dentro das mesmas paredes, tendo os mesmos privilégios sociais e económicos, agora ainda mais porque a exigência já não é parcelar mas praticamente total. Mas por outro lado, eliminou-se os "malefícios" que existiam dessa independência, não se necessita de trabalhar para se obter o que se quer, não se pede sequer, exige-se como se um direito próprio se tivesse. Perante os amigos são independentes, comem com o seu dinheiro, compram roupa e telemóveis com o seu dinheiro, tabaco e vidas nocturnas com esse mesmo dinheiro, sendo que na verdade, esse "seu" dinheiro não é em nada deles. Apenas foi sugado de forma irritante e corrosiva aos pais.
A culpa, como se costuma dizer, não morre solteira, e se por um lado os pais se vendem aos filhos para não os afastarem e se sentirem apreciados, os filhos também devem ter consciência, até porque têm idade para isso, de terem juízo e compreenderem a situação socio-politico-económica em que se vive neste mundo. Mas como em tantos outros campos, este mundo parece caminhar a passos largos para o abismo. 

domingo, 10 de abril de 2011

Mad World

O mundo actual, mais propriamente o mundo humano que habita neste, começa a preocupar-me pelo caminho que toma. O seu sentido e direcção, se é que o tem, deixa-me pensativo e receoso.
Perante a anormalidade de pensamento e forma de estar dos adultos já não há muito a dizer. A futilidade e falsidade abonam a personalidade das pessoas, como se disso necessitassem desesperadamente para viver. Quando se chega ao ponto de não se poder dizer livremente o que vai na mente porque a mentira é melhor audível ao receptor da informação ou quando o quotidiano destes seres passa essencialmente pelo facebook, então algo de muito errado aconteceu no sentido do desenvolvimento do ser e da sua genialidade. O problema é que já não chegava a irrealidade e a ilusão destes seres na procura de serem acarinhados pelo número de amigos ou comentários que possam ter, o mal começa também a contaminar os mais novos, de forma directa ou indirecta.
O mundo das crianças neste momento resume-se a quatro paredes, às do quarto e às da sala de aula, que sendo maiores até nem são propriamente mais libertadoras, inspiradoras ou fascinantes. Em ambos os micro-espaços da forma(ta)ção das crianças, estas vivem ambientes de tal forma condicionados e condicionantes que tudo se resume ao encarreiramento do pensamento comum, barrado, desinteressante e pouco dado à expressão de pensamento seja ela de forma recriativa ou recreativa ou mesmo, se ainda é possível neste mundo tão castrador, criativa. O tempo de brincadeira, de imaginação, de fantasia, de ilusão de crianças e também dos adultos não existe neste momento. Queríamos tanto a liberdade de poder atingir tudo que ambicionávamos que o que conseguimos não passa mais do que nos prendermos ainda mais a modas e conceitos que reluzem mas que de ouro nada têm. Será que somos assim tão asnos para não compreendermos que nos estamos a massacrar intelectual e sentimentalmente?

quinta-feira, 31 de março de 2011

"Trabalhar" com crianças

Desde que cheguei a Londres, a minha vida tem mudado bastante, a minha forma de ser e estar também. As responsabilidades são outras, a forma de pensamento também é outra e a vontade de viver é outra. Para esta mudança, que acaba por não ser muito radical perante o que já era, mas mais uma consolidação de todo o meu ser, muito contribui o meu trabalho, onde sou amplamente recompensado pelo que faço, tenho orgulho e vontade em trabalhar,  e sinto-me realizado no meu meio. Antes, isso era muito raro acontecer em terras lusas. Durante a semana trabalho com mais de 400 crianças diferentes, em sítios diferentes, com instalações diferentes, meios diferentes e com pessoas diferentes a auxiliarem o meu trabalho ou eu o delas. Mas são principalmente as crianças que me tem colocado cada vez mais questões na vida, a forma como vivem, como interagem, como sonham e como brincam fazem-me pensar na verdadeira essência de viver verdadeiramente. Naturalmente o seu conhecimento é reduzido, mas talvez por isso mesmo, elas vivem realmente a vida sem grandes ilusões em relação ao que realmente é simples e que realmente importa na vida. Não estão intoxicadas nem manipuladas por uma sociedade castradora e por isso a sua imaginação é fabulosa. Conseguem, por vezes, colocar-nos em situações e questionarem-nos aspectos que nunca teríamos pensado por serem eles tão simples, e no entanto para elas tem todo o sentido e simplicidade, quando deveríamos ser a nós a actuar e pensar dessa forma. A nossa vontade em complicar tudo e complexificar o que mais simples existe torna-nos cada vez mais asnos. Afasta-nos verdadeiramente do que deveríamos ser, naturais, puros, simples. Claro que as crianças vivem por vezes num mundo de fantasia e ilusão, e só lhes faz bem sinceramente, enganam-se facilmente e são "enganadas" com pequenos truques de magia. Fazem birra por pouco e contentam-se também com o mesmo. Mas no final a sua felicidade é claramente superior à nossa. É engraçado ver como mudam facilmente de humor, não por futilidade ou arrogância como os adultos, mas pelo simples facto de o seu mundo ser mais puro. Desta forma, a minha observação e, porque não, o estudo destes pequenos seres tem dado mais sentido e valor a cada momento da minha vida. Elas tentam ser cada vez mais como eu e outros adultos, e eu tento ser cada vez mais como elas...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sucesso

Ao longo dos anos, fui amadurecendo, compreendo que os nossos objectivos dependem essencialmente da nossa intenção em os obter. A mente humana, a capacidade geral do homem, possibilita que este consiga atingir praticamente tudo o que ambiciona ser ou atingir e mesmo os seus limites físicos podem ser ultrapassados graças à brilhante mente que possui e que lhe permite ir ao infinito e mais além. Mas como qualquer ser humano, os sonhos por vezes encaminham-nos para uma focalização demasiado egocêntrica e virtual. Podemos realmente atingir esses sonhos e sermos até semi-deuses mas será essa a verdadeira felicidade do ser enquanto ser completo e alegre? Temo que a resposta dependa do sentimento e carácter de cada um. 
As prioridades vão-se alterando ao longo da nossa vida, essencialmente porque o conhecimento vai sendo melhorado e isso leva-nos para patamares de performance e estabilidade que nos garantem uma felicidade diferente da obtenção do sucesso por vitórias monumentais. As concretizações parcelares e mais abrangentes são mais satisfatórias, dão-nos mais gozo, não nos cansam tanto e permitem-nos viver sem grandes castrações.
O sucesso normalmente é atribuído aqueles que atingem as altas montanhas nas diferentes áreas, que milhões anseiam alcançar e por isso para esses estes são ídolos, mas talvez não  estranhamente estes adorariam ser como esses, simples, normais, comuns, com uma vida fora da mediatização e do flash que encadeia todo e qualquer movimento por mais natural que este seja.
Por isso, após os vários anos, e também porque ainda muitos anos tenho, espero eu, pela frente, a mentalidade está cada vez mais para ser um esse e não um este. Os triunfos fora da ribalta têm outro saber, o sabor do produto natural, sem corantes...

domingo, 27 de março de 2011

Viver no estrangeiro

Após uns meses de vida no estrangeiro e de ter realizado algumas viagens de períodos mais curtos a outros países fora de Portugal, dou agora mais valor a tudo o que se diz e faz, como emigrante.
Fora do país somos pessoas diferentes, com semelhante génese ao que éramos anteriormente, mas com diferente fenótipo. O meio que nos envolve torna-nos mais completos, mais preenchidos pelas suas vivências e conhecimentos, desperta-nos para momentos de congeminação que até ao momento não teríamos tido se nos mantivesse-mos no mesmo nicho. Estes momentos são quer para o que somos, quer para o que nos rodeia, torna-nos mais lúcidos e objectivos, mais organizados e clarividentes, prepara-nos mais para a selva dando-nos utensílios mais diversificados e enriquecidos. As dificuldades que surgem e os novos desafios, sejam eles materiais, humanos, etc, promovem revolução de sentimentos e pensamentos que nos levam a uma vontade de superação maior para que exista prazer no bem-estar do nosso ser nesse habitat. Torna-nos também mais conscientes do que tínhamos anteriormente, do que realmente desejamos no nosso país de origem, das suas virtudes e dos seus defeitos, extremando mais ambos os sentidos. Compreendemos melhor pois observamos da montra todo o produto e temos outros objectos de comparação. Viver no estrangeiro é acima de tudo um despertar da consciência para o que realmente somos, vivemos e queremos, por isso a todos sugiro, vivam no estrangeiro nem que seja para esse despertar, depois todo e qualquer tipo de decisão em permanecer fora ou não é convosco e têm todos o meu total apoio, independentemente da vossa decisão...

Amor

"Amor" deve ser a palavra com mais multi-significados que deve existir, até mais do que "justiça" ou "liberdade", imagine-se.
Esta palavra tem um significado tão amplo como a quantidade de pessoas que a conhecem. Se existem palavras ou conceitos que são objectivos e claros quanto ao que representam, este conjunto de letras ultrapassa a sua constituição. Podemos observa-la de forma romântica, científica, meta-física, física, quem sabe não mesmo quântica. Amor pode ser tudo e não ser nada, pode ser uma ilusão ou desilusão, pode significar dor ou prazer, tristeza ou alegria, preenchimento ou vazio, sentimento pode ser algo tão volátil como um vulcão ou tão belo como um pôr do sol, e no entanto, só todo ele no seu ser completo é que se significa claramente. Pois ele só é ele nesse todo que o constitui, o absorve, o contempla, e o envolve.
Confundimos, não raras vezes, este sentimento com muitos outros que até têm alguns elementos químicos em comum, mas não são como ele, tal como a Coca-Cola, são todas parecidas, mas nenhuma é igual à original. Nada tem o mesmo efeito e só quem realmente aprecia a sua essência é que compreende a sua constituição e dá real valor ao que representa. Tal como a bebida, primeiro estranha-se, depois entranha-se e fica de tal forma encrostada em nós que faz parte do nosso ser. Assim, só dando valor ao nosso próprio amor, podemos amar e contemplar o que nos rodeia, tudo mesmo o que nos rodeia...

Valor da vida

Por vezes, só quando perdemos o que temos é que ambicionamos ter o poder de recuperar o que perdemos... Gozamos a vida sempre na procura do que não temos e desejamos isso como algo de fabuloso, lutando incrivelmente para obter tal meta, seja ela física ou meta-física. Pondo de parte o nosso estado, o nosso sentimento, o que temos, o que vivemos, o que sentimos e o que queremos realmente por algo que normalmente nos alimenta de forma néscia e como se de um comprimido da felicidade se tratasse. Infelizmente após o obtermos compreendemos nos momentos seguintes que apenas foi um efeito placebo, que nos irradiou a mente de hormonas e que nos deu um sentimento apenas passageiro e ineficaz. Desejamos então algo mais além, tal como a velha frase de "este ano é que vai ser" dita tantas vezes de forma inconsciente no início de todos os anos, projectando desejos que nunca poderão ser obtidos sem a devida vontade de superação. Engana-mo-nos criando ilusões e vivemos momentos de sufrágio e angústia profunda pois sabemos que isso nunca acontecerá e que semanas depois nem nos recordamos do que desejamos. Queremos ser sempre mais e maiores, mais perfeitos, ou melhor, menos imperfeitos, tentando colmatar todas as brechas e dar-lhes uma pincelada para que ninguém repare que ali se manteve algo aberto, frio e sujo, que nos tornava mais feios e humanos. Queremos ser o que não somos, ter o que não temos, e no fim, desejamos ser e fazer o que devíamos ser e fazer no passado.
Dar valor à vida não é só tentar ser mais perfeito, ou menos imperfeito como queiram, trata-se acima de tudo de dar valor a tudo o que temos, quando temos, e não andar a desejar algo alheio que nos afasta realmente do humano que somos e da nossa real capacidade.