A sociedade tem vindo a mutar-se ao longo dos tempos, incorporando o que a circunscreve conforme as modas ou as situações económicas o possibilitam. Os jovens na sua génese não tem ambições muito diferentes das que tinham os jovens de outrora, querem ser reconhecidos, respeitados, elogiados, desejados e acima de tudo "independentes". Antigamente para se obter esta independência, começava-se a trabalhar, ajudava-se os pais e os irmãos mais novos fornecendo em casa com mais condimentos e condições e ficava-se com uma pequena fatia para um pequeno gosto pessoal. Actualmente as coisas, como o leitor por certo já reflectiu, não são bem assim, ou melhor, não são nada assim, pelo menos na generalidade.
A adolescência actual não compreende que a independência parte de uma desconexão umbilical com os pais. Como todas as pessoas no mundo, tentam ficar com o melhor dessa ligação e tentam eliminar o que de mau tem. Passo a explicar, mantêm-se a acomodação ao tecto protector parental, vivendo dentro das mesmas paredes, tendo os mesmos privilégios sociais e económicos, agora ainda mais porque a exigência já não é parcelar mas praticamente total. Mas por outro lado, eliminou-se os "malefícios" que existiam dessa independência, não se necessita de trabalhar para se obter o que se quer, não se pede sequer, exige-se como se um direito próprio se tivesse. Perante os amigos são independentes, comem com o seu dinheiro, compram roupa e telemóveis com o seu dinheiro, tabaco e vidas nocturnas com esse mesmo dinheiro, sendo que na verdade, esse "seu" dinheiro não é em nada deles. Apenas foi sugado de forma irritante e corrosiva aos pais.
A culpa, como se costuma dizer, não morre solteira, e se por um lado os pais se vendem aos filhos para não os afastarem e se sentirem apreciados, os filhos também devem ter consciência, até porque têm idade para isso, de terem juízo e compreenderem a situação socio-politico-económica em que se vive neste mundo. Mas como em tantos outros campos, este mundo parece caminhar a passos largos para o abismo.
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