terça-feira, 24 de maio de 2011

Anjos e Demónios

O ser humano encanta-me, pela beleza da sua imperfeição, é em todo ele desequilibrado e desorientado. Procura a perfeição sempre através de modelos externos, tentando integra-los como próteses da sua personalidade mental e corporal, mas não compreendendo que a devida imperfeição parte das suas próprias ortóteses, aquelas que esconde de todas as formas possíveis, não percebendo o quão ténue é o seu véu.
Ilude, ou melhor, procura iludir os outros não antevendo que a ilusão maior está dentro de si, finta pensamentos e sentimentos, como se objectos imóveis se tratassem, não compreendendo a volatilidade destes.
Vive enganado na mentira da sua irrealidade, porque o consola, o satisfaz, não o confronta com o seu próprio ser. Apesar de ser o reflexo perfeito, não aquele que se vê no espelho, ignora-o ou não o reconhece, ou pelo menos tenta, pois com certeza e apesar de todo o esforço, o seu inconsciente será sempre mais poderoso que o seu consciente, e esse apesar de retraído, será sempre aquele que comanda o ser.
Aos nossos olhos todos os outros são anjos e demónios, tudo depende do conhecimento parcial ou total que temos deles. Julgamos-os como seres totalmente definidos e característicos, como se fossemos eles, mas não somos, aliás muitos de nós, não somos sequer nós, somos um nós disfarçado de anjos, cometendo os mesmos erros desses demónios, mas que perante tais dizemos "Eu? Jamais..."
Estúpido é aquele que não se reconhece, dá valor ao que é, e inteligente é aquele que sabe o que é, o pratica, o integra e vive, e ri de si, aprecia por ser assim...

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