Ter consciência de alguma substância, seja ela física, meta-física ou de outro campo do qual não possamos ainda considerar, é compreender com conhecimento a substância. Depende em muito do espectro de visualização com que se estuda, contempla a substância. Sendo a substância a própria pessoa, toda a absorção de informação torna-se incapaz de ser fidedigna pois a compreensão e exposição das imagens conceptuais está dependente da capacidade, ou melhor, da selecção realizada pela cérebro. Este tal como o faz para o nosso desejo na alimentação, selecciona não o que lhe convêm, mas aquilo que o saboreia mais. Dá prioridade ao que nos alegra, ou que nos orgulha e nos motiva, embora não seja segredo para ninguém o peso que as sensações e experiências más têm sobre nós, mas isso também depende do sentimento de si, de cada um. Relacionando todo esta consideração que pode ser feita pelo próprio com as diferentes considerações que podem ser feitas pelo círculo de conhecidos que o envolvem chegamos a uma significação muito próxima daquelas que se encontram no dicionário de língua portuguesa. Ou seja, somos tudo aquilo que dizem lá sobre nós, mas na verdade, ou seja, no todo, não somos o que lá está. Da mesma forma que quando realizamos uma introspecção devemos, conversando e tendo consciência do eu, compreender o quanto a nossa leitura é limitada e limitativa. A sua expansão depende em grande modo do comprimento e elasticidade do nosso conhecimento e só escavando e por vezes mesmo detonando as suas bases é que denotamos realmente do que somos feitos. A consciência do eu só surge em momentos de real procura e concentração do que somos feitos. No resto dos momentos da vida, no dia-a-dia, nem reparamos verdadeiramente que lhe pertencemos. Assim, o eu fica algures entre o corpo e todos os prazeres e dissabores da vida. Agarremos e demos mais força ao eu para que este possa crescer com mais estrutura e potência.
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