sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Falta de veracidade

Ao longo da minha jornada tenho questionado ainda sem grande certeza na resposta que procuro o porquê da falta de veracidade nas pessoas em dizer que sim e não. É das respostas mais simples, curtas e fáceis de pronunciar. Não envolve grande musculação da língua nem controlo da respiração. Não consome nem exige grande energia na elaboração de uma resposta mais composta. A sua explicação parte muitas vezes pelo facto de o sim ser sim e o não ser não. No entanto, talvez devido à sua simplicidade, a resposta é dada de forma pouco verossímil e sem veracidade. Dizemos sim quando pensamos ou sentimos não e vice-versa. Realizámos esse acto por incapacidade de lidar com a verdade, por tentar dizer ao cérebro o que na verdade ele não pensa ou quer, ou por simples aceitação social. Com isto não quero dizer que devamos ser um Yes man! nem dizer não a tudo. Devemos sim, dizer sim a tudo o que sentimos e pensamos, seja esse um sim-sim ou um sim-não. Até porque se repararem o sim ou não chamemos-lhe falso, enganador ou dissimulador para o próprio, é sempre dito após uma micro-expressão corporal notória. Por vezes notória para todos os seres humanos e aí todos dizem que estão a mentir, outras vezes um pequeno comportamento só compreensível para quem tem conhecimento aprofundado da matéria ou do sujeito. Acredito que o pior não estará na procura em enganar o outro pólo, o receptor, mas sim na falta de consciencialização do trair o pólo emissor. Acredito que deve promover um sentimento de frustração enorme e por isso nos revoltamos muitas vezes não connosco, que é quem está a provocar o erro exclusivamente, mas com o receptor. Perdemos dessa forma tudo, a nossa verdade, a verdade intermediária e a verdade do nosso receptor. São demasiadas verdades para se arriscar a dizer aquilo que não se sente ou pensa.

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