quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cegueira Proximal

No outro dia estava a ver um programa de tv, não por acaso um concurso de dança, e a apresentadora dizia algo parecido com "por vezes o potencial está tão próximo que nem o vemos". Referia-se no entanto não a um(a) candidato(a) dançarino(a) ou bailarino(a), mas sim a uma jovem promessa da música que antes do seu single se tornar mediático, trabalhava num bar a servir às mesas. Não estando aqui a denegrir a profissão, que é tão válida e deve ser reconhecida como todas as outras de igual forma, não é para todos, esta rapariga passou em duas semanas a ganhar em vez de uns dólares por hora, uns bons milhares. Coisa que provavelmente não ganharia num ano talvez. Isto por ter sido ouvida por alguém de renome na internet...
Para além do potencial da internet, já anteriormente reconhecido, e não é por aí que o pensamento pretende ir hoje, a questão prende-se mais com a quantidade e qualidade de potencial existente em pessoas que olhamos por vezes para elas como se fossem apenas mais uma. O ser humano tem uma grande tendência para não reconhecer devidamente o seu próximo, o distante e desconhecido é sempre melhor e mais alto. Só porque as suas características são mais difusas e desconhecidas, o lado misterioso torna-o mais apetecível. Usamos e deitamos fora muitas vezes o que já conhecemos e queremos sempre o que aparentemente é mais belo, mais fascinante e brilhante e não compreendemos que todo esse brilho não é nada mais que pequenos holofotes apontados a um produto tão ou menos capaz do que o temos. Com as pessoas passa-se o mesmo, não fosse o ser humano tão pouco ele humano e não trataríamos as pessoas como muitas vezes tratamos de qualquer outro objecto. Passados meses, muitas vezes anos, é que reconhecemos que realmente que "aquilo" é que tinha valor, "aquilo" é que era bom, e foi pena não se ter aproveitado melhor o que "aquilo" nos tinha para dar. Infelizmente, as pessoas não aprendem a dar valor ao que têm, e assim vai continuar a ser, enquanto olharem para o longínquo, desconhecido, o mascarado, em vez de olharem para toda a beleza circundante. Muitas vezes sendo ela tão bela e perfeita que se trata de um diamante jogado no mar...

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