Desde que cheguei a Londres, a minha vida tem mudado bastante, a minha forma de ser e estar também. As responsabilidades são outras, a forma de pensamento também é outra e a vontade de viver é outra. Para esta mudança, que acaba por não ser muito radical perante o que já era, mas mais uma consolidação de todo o meu ser, muito contribui o meu trabalho, onde sou amplamente recompensado pelo que faço, tenho orgulho e vontade em trabalhar, e sinto-me realizado no meu meio. Antes, isso era muito raro acontecer em terras lusas. Durante a semana trabalho com mais de 400 crianças diferentes, em sítios diferentes, com instalações diferentes, meios diferentes e com pessoas diferentes a auxiliarem o meu trabalho ou eu o delas. Mas são principalmente as crianças que me tem colocado cada vez mais questões na vida, a forma como vivem, como interagem, como sonham e como brincam fazem-me pensar na verdadeira essência de viver verdadeiramente. Naturalmente o seu conhecimento é reduzido, mas talvez por isso mesmo, elas vivem realmente a vida sem grandes ilusões em relação ao que realmente é simples e que realmente importa na vida. Não estão intoxicadas nem manipuladas por uma sociedade castradora e por isso a sua imaginação é fabulosa. Conseguem, por vezes, colocar-nos em situações e questionarem-nos aspectos que nunca teríamos pensado por serem eles tão simples, e no entanto para elas tem todo o sentido e simplicidade, quando deveríamos ser a nós a actuar e pensar dessa forma. A nossa vontade em complicar tudo e complexificar o que mais simples existe torna-nos cada vez mais asnos. Afasta-nos verdadeiramente do que deveríamos ser, naturais, puros, simples. Claro que as crianças vivem por vezes num mundo de fantasia e ilusão, e só lhes faz bem sinceramente, enganam-se facilmente e são "enganadas" com pequenos truques de magia. Fazem birra por pouco e contentam-se também com o mesmo. Mas no final a sua felicidade é claramente superior à nossa. É engraçado ver como mudam facilmente de humor, não por futilidade ou arrogância como os adultos, mas pelo simples facto de o seu mundo ser mais puro. Desta forma, a minha observação e, porque não, o estudo destes pequenos seres tem dado mais sentido e valor a cada momento da minha vida. Elas tentam ser cada vez mais como eu e outros adultos, e eu tento ser cada vez mais como elas...
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