Por vezes, só quando perdemos o que temos é que ambicionamos ter o poder de recuperar o que perdemos... Gozamos a vida sempre na procura do que não temos e desejamos isso como algo de fabuloso, lutando incrivelmente para obter tal meta, seja ela física ou meta-física. Pondo de parte o nosso estado, o nosso sentimento, o que temos, o que vivemos, o que sentimos e o que queremos realmente por algo que normalmente nos alimenta de forma néscia e como se de um comprimido da felicidade se tratasse. Infelizmente após o obtermos compreendemos nos momentos seguintes que apenas foi um efeito placebo, que nos irradiou a mente de hormonas e que nos deu um sentimento apenas passageiro e ineficaz. Desejamos então algo mais além, tal como a velha frase de "este ano é que vai ser" dita tantas vezes de forma inconsciente no início de todos os anos, projectando desejos que nunca poderão ser obtidos sem a devida vontade de superação. Engana-mo-nos criando ilusões e vivemos momentos de sufrágio e angústia profunda pois sabemos que isso nunca acontecerá e que semanas depois nem nos recordamos do que desejamos. Queremos ser sempre mais e maiores, mais perfeitos, ou melhor, menos imperfeitos, tentando colmatar todas as brechas e dar-lhes uma pincelada para que ninguém repare que ali se manteve algo aberto, frio e sujo, que nos tornava mais feios e humanos. Queremos ser o que não somos, ter o que não temos, e no fim, desejamos ser e fazer o que devíamos ser e fazer no passado.
Dar valor à vida não é só tentar ser mais perfeito, ou menos imperfeito como queiram, trata-se acima de tudo de dar valor a tudo o que temos, quando temos, e não andar a desejar algo alheio que nos afasta realmente do humano que somos e da nossa real capacidade.
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