sábado, 2 de outubro de 2010

QI - o valor é assim tão significante?

No outro dia decidi fazer um teste de QI. Não porque tivesse grande interesse em o fazer, mas já andava a ver testes de QI a ser publicitados por todo o lado na internet e não só e então decidi fazer um. Primeiramente informei-me sobre eles e desde logo percebi que a sua fidelidade não é assim tão grande, que muitas vezes aqueles que encontramos na internet ou que as pessoas costumam fazer de outras formas acaba por sobrevalorizar a capacidade "real" do indivíduo. Não foi o primeiro teste que fiz, ainda me lembro de um canal de tv português ter realizado um em directo, com a presença de vários "vips" e para os telespectadores que quisessem perder um bocado de tempo. É preciso também saber que estes testes terão de ser analisados também conforme a idade do sujeito e sexo, o que nessa altura nem fazia a mínima ideia.
Após ter realizado o teste, feito em inglês ainda por cima, obtive o valor de 128. Ou seja, estou 28 pontos acima da média do cidadão comum, o que isso quer dizer? Para mim, nada. Vi também, numa das publicidades, que Mourinho teria obtido o mesmo valor, o que não acredito que seja verdade mas a ser quer dizer que eu e o Mourinho temos a mesma inteligência? Seria néscio pensar dessa forma. Primeiro porque os valores, como todos os valores, são subjectivos, já aqui vos alertei para a questão de limite. Segundo todas as pessoas são inteligentes, simplesmente têm inteligências diferentes, e um mesmo valor não representa que sejam "igualmente" inteligentes. Terceiro, o teste de QI avalia essencialmente a capacidade mental do sujeito, a forma como processa pensamento, mas este esquece uma componente do ser humano que é extremamente importante, tal como a que estuda, que é a inteligência motora, corporal, muscular. Essa não é importante? Para as pessoas que passam a vida na internet, sentados, só a ler, ou a marrar, talvez não seja, por isso mesmo são analfabetos motores. Mas o ser humano não se faz só de mente, faz-se pelo todo e só é ser humano enquanto todo.
Quanto ao valor do QI, qualquer dia, com tanta publicidade, começam a recrutar pessoas exclusivamente por esse valor. Se assim for, pelo menos já sei que tenho as mesmas probabilidades de obter emprego que Mourinho... ridículo...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Lei da atração (física?)

Ao longo de vários anos, várias foram as pessoas por quem me apaixonei, senti proximidade, impulso, o que lhe queiram chamar, sendo claro que sempre em ordens e níveis diferentes de intensidade. Julgo eu, que como muitas, se não mesmo todas, as crianças e adolescentes. Gostamos e muitas vezes nem sabemos porque gostamos, outras vezes sabemos e dizemos a todo o mundo, outras guardamos para nós. Umas concretizam-se, outras não, por motivos da maior variedade possível. Assim, o mundo o permite. Algumas são repentinas, outras platónicas e duradouras.
Contudo, ao longo dos anos, após todas estas experiências, boas e menos boas, fui apercebendo-me que existe uma certa padronização em relação "à escolha" que se faz da outra pessoa. Ou seja, o facto de nos apaixonarmos e sentirmos atraídos por alguém não é por acaso. Pelo menos, pelo que vejo, procuramos sempre o nosso oposto compatível. Sendo nós um conjunto de características e conteúdos, procuramos quase sempre na outra pessoa características e conteúdos que nos completem e preencham. Para nos sentirmos mais inteiros, mais completos, menos defeituosos. Não digo aqui que os opostos se atraem, mas falo em complementariedade física e química que permite criar uma união mais fortificada, e ao contrário do que o leitor possa pensar, essa "escolha" não é assim tão consciente, como animais que somos, ainda existe em nós uma clara tendência para a sobrevivência, e assim, de forma inconsciente, o nosso ser procura um(a) parceiro(a) que nos dê mais garantias que o ser que nasce da união será mais completo, mais protegido para habitar este mundo. Aliás este aspecto começa a ser discutido cientificamente e por isso não é assim tão estranho ou incómodo.
Assim posso considerar que existe uma escala entre -10 e 10, passando obviamente pelo zero, sendo os números mais perto de zero aqueles com menor conteúdo mas que contudo podem funcionar bem com o seu negativo, embora o seu potencial seja sempre diminuto. Na mesma ordem, -10 e 10 são os indivíduos que conjugados trazem uniões, digamos, perfeitas. Naturalmente existem sempre os fraccionários, e normalmente as pessoas nem estão ligadas ao oposto equivalente, uns mais para cima, outros mais para baixo, e por isso existem relações melhores, outras piores, umas mais duradouras, outras nem por isso.
Assim ao longo de todos estes anos, percebo melhor porque certas relações nunca chegaram a acontecer, outras aconteceram mas não foram bem sucedidas e outras tem sido óptimas. Falo neste aspecto não só em questões de amor, mas também de amizade e profissionais.
Procurem o vosso oposto compatível...

Conforme a "tinta" vai escorrendo para o teclado

A vida corre bem, sempre mais sustentada, mais alegre, mais motivadora e motivada. A cada dia que passa a paixão por viver e ser melhor é maior, crescente, no sentido do infinito e mais além. A acomodação está fora do dicionário, e embora exista direito ao descanso e ao lazer, a demanda na obtenção do conhecimento, de experiência, de vivências novas é uma constante. Ultrapassa claramente o limite zero de y, felizmente, a vida tem sentido, sabor e orientação.
O facto de analisar a cada inspiração, as coisas belas da vida, as simples, os momentos únicos que recordamos eternamente, mas também a cada expiração, pelas coisas mais complexas, por vezes hediondas da vida, fazem com que o manuseamento dos conceitos e a sua expressão sejam feitas de forma viva, ousada, mas também natural e segura. É como andar, torna-se fácil, inconsciente, desnecessário de intervenção activa e propositada.
As palavras saem ao ritmo a que os carros passam na rua, a "tinta", com muito maior conteúdo que a sua simples cor e matéria, vai escorrendo para o teclado, tornando o ser mais satisfeito e satisfatório, procurando enaltecer o seu sentido paisagístico. A quimera é sempre o reconhecimento do próprio mesmo que este se mantenha um activo insatisfeito, nunca realizado, sempre na procura da perfeição que não existe. Mas a sua busca tem todo o sentido, satisfaz o corpo e a mente, dá sentido ao próprio ser, alimenta-o e consome-o, transcendendo-o e elevando-o.

domingo, 26 de setembro de 2010

Estabilidade na consciência, é como o electrão está em todo o lado, e não está em lado nenhum

O ser humano é um ser fascinante. Não por ser racional como muitos apontam, mas por ser felizmente irracional. O ser humano vive no mundo da incerteza, do desconhecido, actua não raras por instinto e quando pensa que está a ser racional, logo surge uma atitude selvagem.
A procura do seu equilíbrio torna-o desequilibrado, afastado de si, longe do que o caracteriza, que o define. Procurar ser o que não somos, é disvirtualizar o potencial de o sermos mais do que somos, de sermos únicos. A individualidade do ser permite ao ser destacar-se perante os demais e manifestar-se com todos os seus atributos, esperando que sejam únicos e reconhecidos. Ostentar a normalidade é não dar valor ao que se é, humano, diferente. Viva a anormalidade e viva acima de tudo a fidelidade ao ser sendo. Não procurando ser o que não se é nem viver uma vida que não se vive, que é imitada ou imitadora. Muitos são aqueles que olhando para a panóplia de celebridades gostariam de ser ou ter um bocadinho de cada ser policromado que ali se apresenta mascarado, tornando-se dessa forma uma aberração fantasistica e fantasiada do ser mitológico da perfeição. Contudo, quanto mais se procura esse santo graal mais se afasta da sua perfeição mortal e moral de ser humano irracional e selvagem, vivo e activo. A reactividade do seu ser torna-o banal, normal, longe do que se pretende de um ser que atinja todo o seu potencial criativo. A propensão para ser normal está em todos, pois todos tendência para seguir os macacos mais perto de si, mas devemos procurar ser algo mais. Sim, irracionais, mas mais construtivos e fiéis ao próprio.

Comportamento corporal e expressão facial

Após vários anos a estudar o ser humano, basicamente desde de o início da adolescência até ao momento onde me encontro, vários foram os conhecimentos obtidos através de milhares de análises que foram sendo feitas.
Desde cedo, interessou-me a forma como as pessoas falavam, como as pessoas se exprimiam, como se movimentavam, não propriamente pela beleza que isso por vezes trazia mas pelo fascínio que me dava em entender as suas formas através da sua  expressividade, tendo esta naturalmente vários campos.
Muitas foram as pessoas conhecidas, familiares, amigos, colegas, conhecidos de vista ou desconhecidos, que foram alvo do meu estudo. Este inicialmente era pouco ou nada estruturado, mas com o evoluir dos anos muitos foram os casos em que as pessoas foram postas à prova mesmo sem o saberem. Provavelmente, e é com certeza quase absoluta que o afirmo, que o leitor que neste momento observa este texto fez parte deste estudo.
Procurei sempre acima de tudo compreender melhor o ser humano, homens e mulheres, crianças, adultos e idosos, todos eles muito diferentes no fenótipo de ideias e orientações mas tendo um genótipo muito semelhante. É engraçado reparar como perante uma variabilidade de milhares de pessoas que conheço, todas elas tenham padrões de comportamento e expressões faciais semelhantes perante determinada situação ou recepção de informação.
Não estranhe o leitor se por vezes o autor deste texto lhe fez perguntas "estranhas" ou o colocou perante situações "inadequadas", não foi por mal, e muitas das vezes não foi sequer com o intuito de ir no sentido das perguntas ou afirmações, mas sim na procura de compreender melhor como é afinal o ser humano e como saber interpreta-lo de forma a poder também retirar melhor rendimento deste em vários tipos de situação.
Só graças a todo esse tempo dispensado é que agora sei perfeitamente o que esperar de todas as pessoas, o que vão dizer, como vão actuar, o que pensam mas não dizem, o que dizem mas não pensam, e tudo isso é transmitido através do vosso corpo e face, de forma oculta ou mais visível e expressiva.
É certo que após todos estes anos, as experiências começam a ter cada vez menos emoção e motivação, os padrões são demasiadamente estandardizados, mas uma vez por outra, nem que seja para me iludir lá surge algo "novo". Esse talvez seja o aspecto negativo, a previsibilidade, mas os pontos a favor são imensos e de uma ordem muito enriquecedora, para todos, para mim e para os leitores, meus "objectos" de estudo.
Para isso agradeço as imensas viagens que fiz e faço nos transportes públicos, talvez uma das maiores fontes de obtenção de conhecimento que existem sobre o comportamento humano e a todas as pessoas que fazem parte do meu universo, pois fizeram de mim um ser mais sabedor.
Para finalizar, uma dica, não mintam nem tentem omitir nada, pois à vossa frente pode estar uma pessoa como eu, que tal como eu vocês não sabiam até ao momento, sabe tudo o que vocês estão a dizer, a mentir ou ocultar. Sejam verdadeiros sempre, quanto mais não seja para o serem perante vós.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Resultados

Após uma semana do nascimento deste blog os resultados são os seguintes:

- + de 100 visitas ao perfil
- + de 440 visitas de página
- 7 países de origem de visionamento: Portugal, UK, Espanha, França, Hungria, EUA, Singapura.
- 15 posts
- 5 comentários
- 7 seguidores

Agradeço a todos, os excelentes resultados, julgo eu, e deixo aqui o meu voto para que continuem a visitar este blog sendo que já amanhã será postado um novo texto. Se possível façam publicidade a outros colegas e amigos que conheçam pois o conhecimento deve ser sempre partilhado e nunca guardado de forma egoísta. Apenas os fracos o fazem como se um tesouro possuíssem...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Atletismo na Escola e Atletismo de Alto Rendimento – que ligações poderão existir e qual o proveito que poderemos retirar delas.

O Atletismo é uma das modalidades abordadas na Escola, praticamente desde o início da criação da disciplina de Educação Física, anteriormente chamada de Ginástica, já que esta consistia basicamente na realização de elementos gímnicos. Para além disso o Atletismo é uma modalidade que tem acompanhado o homem no seu processo histórico, naturalmente numa fase inicial este foi praticado de forma inconsciente e pouco orientada mas que com o tempo começou a ganhar o interesse de pensadores e filósofos das eras de ouro. Desde a era Grega onde se começaram a desenvolver metodologias de volumes e frequências de cargas que o Atletismo começou a ganhar alguma ciência. Naturalmente numa fase inicial mais baseada na tentativa-erro e na imitação do que os melhores iam conseguindo realizar mas desde aí houve uma preocupação para além da simples prática. Com o tempo e com a prática foram existindo novas formas de testar e medir o rendimento e a evolução dos atletas. Mesmo os objectos de treino foram sendo transformados, adaptados à especialidade de cada disciplina nesta modalidade e os seus atletas começaram a ganhar morfótipos diferentes e distintos. Desta forma também os resultados começaram a ser melhores e começou-se a associar os feitos dos melhores atletas a semi-deuses, só estes capazes de atingir tais feitos. Esses mesmos feitos começaram a ser adorados por todos e especialmente pelos mais pequenos, não fossem eles a fonte de toda a magia e fantasia que existe no mundo. Assim a sua própria educação foi começando a ter bases orientadoras nesse sentido e por isso a Educação Física e a modalidade de Atletismo já é anterior ao sistema educativo institucionalizado e por isso devemos compreender a sua dimensão e estado para realmente darmos valor a esta modalidade. Até porque, infelizmente, esta modalidade tem ganho ultimamente algum descrédito pelos mais jovens, não fosse o surgimento de alguns atletas nacionais de renome internacional e muito provavelmente a situação ainda poderia estar pior, isto apesar de todas as actividades e eventos que têm sido realizadas. 
Os alunos têm a ideia que o Atletismo consiste exclusivamente em correr, principalmente correr muito durante muito tempo. Esta imagem deturpada que os alunos têm talvez não seja por culpa própria mas por todos os docentes que leccionam esta modalidade muitas vezes de uma forma desconectada, pouco fundamentada e estruturada, com pouco conhecimento teórico e prático do que deve ser feito e como deve ser ensinado o Atletismo na Escola. Muitas vezes as aulas de Atletismo consistem no “corre até eu mandar parar” ou então na realização do circuito do corta-mato, muitas vezes a horas pouco saudáveis para o corpo ou mesmo sem nenhum tipo de preparação para este tipo de prática. Aliás, não raras vezes os professores procuram utilizar essa mesma corrida como prescrição de activação geral para toda e qualquer modalidade que queiram praticar de seguida, errando em dois pontos: a desconsideração pelo Atletismo metendo para um plano secundário se não mesmo inútil e o facto de realizarem uma activação inespecífica para o que pretendem trabalhar de seguida. Perante isto não admira que o Atletismo seja mal-encarado pelos alunos e que os resultados em termos de participação de alunos em provas não seja muito elevado, mesmo a presença de novos atletas neste mundo surge de uma forma mais relacionada com um desejo pessoal, ou por ligações familiares, em vez de uma ligação a uma instituição como é a Escola. Assim perguntamos como pode ser alterada a situação? Tendo noção que as respostas são várias e que provavelmente nunca atingiríamos o fim das possíveis explicações, poderemos compreender que a formação dos docentes e uma maior ligação entre instituições pode ser catalisadora de um maior desenvolvimento de todos os indivíduos que compreendem estes dois mundos, tornando numa simbiose profícua de resultados. A formação dos docentes existe na Faculdade, e pelo menos na nossa, é de excelente nível, quer prático, quer teórico, quer didáctico. Mas muitas vezes os alunos não estão devidamente atentos ao que realmente interessa e não se formam na base de um enriquecimento pessoal mas apenas na procura de um valor quantitativo naquela cadeira. Então, quando chegam à Escola não existe grande aplicação de todo esse conhecimento que lhe foi transmitido. Muitos são aqueles que cometem os erros com que muitas vezes foram atingidos pelos seus professores enquanto alunos. Penso que isso não é bom para ninguém, nem para a própria imagem dos docentes, esta que começa também a descredibilizar depois de ter estado em pé de igualdade com médicos e engenheiros ao longo de tantos anos. Muitos dirão que não podem ser peritos em todas as modalidades, sacudindo a água do capote, sendo que têm alguma razão, mas podem e devem ser peritos em educar e conhecer as técnicas de ensino de todas as modalidades. Se não conhecerem, e aqui refiro-me a todas as modalidades novas, recentes, que vão sendo incluídas no plano curricular, então devem fazer formação para que possam desempenhar o seu papel da melhor forma. Muitas vezes o problema está numa acomodação do próprio docente, que acaba muitas vezes por “prescrever” os mesmos exercícios e utilizar as mesmas estratégias ao longo dos seus trinta ou mais anos de carreira, não procurando em momento algum actualizar-se e em procurar novos conhecimentos. “Já está tudo inventado e a mim ninguém me ensina” são as respostas dos mais néscios. Contudo, a asofia e o egocentrismo costumam ser parentes próximos. Também para os mais cépticos não é necessário que sejam super atletas para saber fazer tudo, aliás até só os atletas de decatlo conseguem ser tão versáteis, esses sim, super-homens. Mas o know-how deve ser invariável à formação e à condição de docente.
Mais do que o conhecimento didáctico, os professores, devem compreender que o Atletismo abordado na Escola pode ser rentabilizado através de outras áreas, como a área da biomecânica. Inicialmente esta área pode parecer distante e difusa, principalmente quando a desconhecemos nomeadamente quanto às suas potencialidades. O mesmo acontece com a Física e Matemática que são normalmente observadas como disciplinas muito teóricas e com pouca aplicação prática. Mais uma vez devido à abordagem que é feita muitas vezes pelos professores nas várias aulas. Todas estas disciplinas e áreas são agora abordadas de uma forma mais natural e mais relacionadas com a realidade. No entanto, a estranheza ainda afasta um pouco todos os intervenientes deste processo. No caso da biomecânica principalmente por estar associada a uma imagem de laboratório, com muitos fios ligados e com a utilização de muitos computadores. Mas a biomecânica não se esgota a estas imagens e existem campos mais simples e aplicáveis que não requerem tantos mecanismos e dispêndio de economias elevadas. Além disso os princípios fundamentais da biomecânica podem e devem ser usados para rentabilizar o rendimento dos alunos e despertá-los para uma realização técnica mais eficiente e eficaz. É para este campo que queria que os professores  fossem despertos, pois quando analisamos as diferenças que existem entre o Atletismo realizado no Alto Rendimento e o Atletismo praticado na Escola parece estarmos a falar de dois mundos diferentes, que não podem ser sequer comparáveis devido às diferentes condições que existem, nomeadamente de meios e de tempo disponível em cada um dos locais. Mas as diferenças ainda podem ser maiores se não compreendemos que um mundo pode ser fundamental para atingir e compreender o segundo mundo, como uma introdução ou formação realizada com critério e objectividade. A Escola pode tornar-se uma rampa de lançamento para a detecção e desenvolvimento de crianças e adolescentes com enormes potencialidades. Para isso o professor na Escola deve estar desperto, atento, e deve ter uma capacidade de observação, análise, que lhe permita compreender o que pode ser melhorado no aluno e quais as progressões metodológicas que devem ser utilizadas para que os alunos atinjam um patamar superior de rendimento, para além da sua própria vontade em se superarem. Compreendendo princípios básicos como a utilização e rentabilização de forças através de princípios básicos da biomecânica ou o simples entendimento no relacionamento entre frequência e amplitude podemos fazer com que os alunos atinjam resultados impressionantes. Convêm para isso que os professores estudem e experimentem, exercitem as várias teorias que podem ser aprendidas nas várias aulas mas também devem acompanhar, se possível, os treinos de atletas de alto nível, falar com treinadores e mesmo com vista a uma melhor formação dos alunos na Educação Física, levar os alunos aos centros de treino destes atletas de renome nacional ou internacional. Dessa forma motivariam mais os seus alunos, poderiam motivar também mais os atletas através do apoio das crianças e adolescentes, e existiria uma maior ligação entre os dois mundos. Muitas vezes como se faz no Futebol, por ser a modalidade que atraí mais os jovens, e onde os resultados são muitas vezes irrisórios já que existem resistências óbvias feitas pelos clubes. Assim teríamos mais um caminho que poderia potenciar esta aproximação entre a Escola e o Alto Rendimento. Tem existido alguma preocupação no sentido inverso, já que são vários os exemplos de atletas que vão às escolas ou procuram realizar eventos regionais ou nacionais nesse sentido. O último caso que me recordo foi do nosso melhor velocista de todos os tempos, Obikwelu, que em conjunto com uma organização própria procurou realizar provas de velocidade, quarenta metros e salto em comprimento, denominadas de Mega-Salto e Mega-Sprint, numa clara alusão a heróis e com vista a determinar os melhores dos melhores a nível nacional e assim possibilitar aos alunos uma procura na sua superação, aproximando-os do nível de rendimento encontrado nos atletas de nível regional e nacional. Assim para além do habitual corta-mato, que durante muito tempo foi a única referência que existiu no panorama escolar, também ele associado aos atletas de melhor nível que tínhamos no país, que eram de fundo ou de cross, existem agora mais provas tal como foi supratranscrito e acredito que num futuro próximo poderão existir mais provas se existir também uma procura e investimento nesse sentido por todos os agentes. 
Assim poderemos compreender que os campos de investimento são vários e todos eles com possíveis resultados que roçam a excelência. Em todas as áreas o investimento prende-se mais com um investimento teórico e físico do que propriamente monetário. Naturalmente para realizar provas de nível regional e nacional é preciso dinheiro, mas as bases, o trabalho feito na Escola e principalmente na aula, em cada aula, não custa mais do que empenho e estudo por parte do professor e penso que é aqui que todos podemos marcar a diferença e despoletar uma mudança evolutiva com sentido crescente e fomentada de forma sólida, consistente e congruente com o que se pretende. Os alunos por certo também ganhariam outro gosto e apreciação pelo Atletismo e penso que todos, mesmo todos, sairiam beneficiados desta situação.
Para que tudo isto aconteça muitas mudanças tem de ser feitas, para além das já faladas, também é necessária uma mudança no sistema educativo no sentido de não se repetir todos os anos os mesmos processos. Já que muitas vezes são os próprios alunos a queixarem-se desta situação e a desvalorizarem o valor da Educação Física. Não existe um processo lógico, sequencial, contínuo com vista a uma progressão cada vez mais complexa e evoluída, exigente. Para isso deveriam existir ficheiros individuais de cada aluno sobre o seu rendimento e comportamento, questões de ordem social e mental, para que o professor que “pegasse” na turma no ano seguinte pudesse ter uma melhor noção do que se tinha passado e não se tivesse de despender tempo com avaliações diagnósticas e em procurar encontrar as melhores estratégias para a turma e para cada aluno de forma individual. Ou então, os professores acompanharem as várias turmas ao longo dos vários anos da sua formação, não deixando de fazer esses mesmos ficheiros para o caso dos alunos que reprovam ou mudam de escola. O ideal, e que até foi alvo da minha reflexão ao longo do ano como estagiário, seria fazer o que até já se faz em algumas escolas e se faz nos estabelecimentos superiores de ensino, que era ter um professor, ou vários professores, devido ao elevado número de alunos em algumas escolas, para cada modalidade. Assim, o ensino seria mais específico, orientado e com mais fundamento. A possibilidade dos alunos evoluírem seriam maiores já que trabalhariam com profissionais de cada modalidade e assim todo o processo poderia ser melhorado. Acredito que este possa ser o caminho que melhor serve todos os que o coabitam.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Considerações sobre Futebol

O Futebol é inequivocamente um fenómeno de elevada magnitude no quadro da cultura desportiva contemporânea. Paradoxalmente, é possível constatar a existência de significativas “resistências” ao nível do reconhecimento do potencial educativo e formativo que esta modalidade, enquanto matéria de ensino e treino, encerra. Não são porém menores, nem menos expressivas, as objecções que se têm colocado à possibilidade do Futebol se constituir objecto de estudo e campo de problematização científica.
As reflexões relativas ao Futebol têm sido, na maior parte das vezes, norteadas por demasiados juízos de valor. O conhecimento científico é escasso e pouco consistente. As metodologias de ensino são coisa rara e as que existem constituem matéria quase ofensiva para aqueles que insistem na ideia de que, no Futebol, já está tudo inventado” (Garganta, 1993).
Estamos, portanto, perante o paradigma de o Futebol ser o desporto rei mas no entanto ser alienante pois não é educativo, não é um objecto de estudo interessante para a ciência e não é um factor que se tem em conta na projecção e divulgação cultural de cada país, basta analisar o investimento reduzido que é feito todos os anos em prol do Futebol, comparativamente às Obras Públicas ou à Saúde, Saúde esta de hospital, ou seja de tratamento de doenças e não aquele que é gasto na prevenção das mesmas, onde aí sim o Desporto poderia ter grande efeito e onde se deveria investir. Isto deve-se aos muitos daqueles que intervêm através das bancadas montadas em cada café ou no sofá de casa de forma néscia, e muitos também são aqueles que estando dentro do futebol, em pleno campo, não sabem argumentar correctamente o que é o busílis, o vital, do Futebol. O Futebol não é encarado de forma educativa pois muitas vezes aqueles que ensinam o Futebol na Escola desvirtualizam a componente educativo-metodológica presente no jogo, deixando apenas que os jogadores joguem livremente sem se preocuparem em educar correctamente, ou por outro lado desprezam o Futebol afirmando que se trata de uma modalidade conhecida de todos e por isso desprezível perante as modalidades formativas de maior "rigor cultural" como a ginástica, por exemplo. Não é objecto interessante para a ciência pois afasta-se do positivismo metodológico, made in laboratório, cartesiano, onde tudo se controla e o que não se controla sabe-se que não interfere controlando por isso esse efeito. A Ciência está de tal forma atomizada que afasta-se cada vez mais, a velocidades super-sónicas, da compreensão de que no Futebol o científico tem de obrigatoriamente ser abrangente, diagnosticado à distância, de forma não fractal. Por isso temos que compreender que o Futebol tem muito de cientificável, na sua construção, na fisiologia e biomecânica do atleta, da bola, mas não se deve matematizar o ser vivo só porque permite conhecer em todo o seu detalhe, pois fica-se a desconhecer precisamente o ser vivo como ser global num caos existencial que é o jogo. Descontextualiza-se o corpo do lugar e o corpo sem lugar não existe, tal como não existe o lugar sem o corpo. “As partes só são o que são naquele todo que é feito por elas” (Cunha e Silva, 1999). Ou seja, o Futebol é todo um complexo que compreende o interior da bola, a camada da bola, e o seu exterior, desde o relvado ao jogador, do treinador ao público, do guarda do campo ao presidente da UEFA, não se desligando ou desprezando o que quer que seja que compreenda todo este universo constituinte do Futebol.
Todo este all-over pode parecer confuso como uma expiral ininterrupta e inatingível de compreensão mental mas ela está presente e afecta o elemento do Futebol, o jogo. Trata-se de um efeito borboleta que pode partir de qualquer ponto e ter um final desconhecido na sua forma, presença, magnitude e finalidade. “Perante esta polaridade, podemos admitir o jogo como um sistema dinâmico não linear, ou seja, um sistema cujo comportamento varia não linearmente com o tempo, admitindo facilmente que o resultado depende da forma como se joga, como se vai jogando. Mas esta dependência, por sua vez, altera as regras do jogo, porque o contributo da incerteza, do acaso, se incompatibiliza crescentemente com qualquer regra” (Cunha e Silva, 1999). Desta forma o caos do jogo, a aleatoriedade com que cada variável intervém e se desliga do jogo, a cada inspirar do atleta, é impossível de se prever de forma matemática, deixando a compreensão e sofia do jogo para inter-subjectividade analisada por cada elemento constituinte do jogo de Futebol. “Mas depois de tudo isto é também óbvio que, se não houvesse qualquer coisa que ligasse o jogo a um território de possíveis previsíveis, deixaria de fazer sentido insistir-se e investir-se no futuro, na preparação de uma equipa. No fundo, o treinador sabe que, embora não seja um deus de Laplace, há um atractor que condiciona este sistema multipolar, multivariável, dinâmico, não linear, complexo, fractal, a um território de confiança, legitimando os seus investimentos. E a última polaridade que aqui se joga é aquela que se situa entre o caos e o determinismo” (Cunha e Silva, 1999).
Desta forma devemos servir-nos do conhecimento da Ciência de forma a compreender melhor a metodologia a utilizar durante o treino, uma forma de completar a nossa compreensão da natureza futebolística. Mas não devemos lançar o jogo para dentro de uma seringa e “injectá-lo” directamente para um microscópio pois estaríamos a descontextualizar, analisando um fenómeno diferente do que é o Futebol. Na Escola devemos leccionar para que esteja presente o rigor e a disciplina, e estas componentes só podem ser inscritas no aluno se forem tomadas em conta de forma profissionalresponsabilizados quer na própria aula, quer na vida. Ao nível do investimento só quando se tiver noção da magnitude e “universibilidade” do futebol, da democratização social e biológica que o Futebol encerra, é que se investirá com consciência de causa. Pois para já o investimento feito é só um glamour apresentado além-fronteiras através de estádios de Futebol e da capacidade organizativa de eventos relacionados. Não se investe nas ruas, onde realmente o Futebol é selvagem, puro e digno da sua vitalidade. Unificando todas estas problemáticas, notificá-mos que toda esta tutoriedade e publicidade está a cargo de um ser que compreende todas estas variáveis, polaridades, realidades existentes no Futebol. É através dele que o Futebol pode evoluir, fomentar e liderar este mundo cada vez mais virtual. Cabe ao treinador então esta função de tornar a utopia uma realidade atingível a todos. Servindo-se de todas as próteses de conhecimento e tornando-as ortóteses do seu ser. Falámos então do treino do treinador...
Quem ganha um combate é forte, aquele que vence antes de combater é poderoso. A verdadeira sabedoria está em vencer sem competir.” – Mao Tze Tung
Se fosse possível recuar na História, por certo veríamos que já por nós passaram alguns dos melhores estrategas de sempre, aprenderíamos imenso com eles. Eles não nos ensinariam o que é o Futebol, não conhecem sequer essa dimensão, esse jogo, se lhes apresentássemos também julgariam que era uma brincadeira de romaria ou mais uma dança para louvar os deuses. Mas contudo, estes grandes sábios analisariam facilmente as capacidades estrategas que o jogo de Futebol nos exibe. Na altura, não era com uma bola que se jogava, não era um campeonato. Era sim uma guerra intensa de batalhas imensas e intemporais. Defendia-se a honra e os campos do império. Mas se analisarmos analiticamente esses confrontos de então não eram muito diferentes do que nos dias de hoje se fazem quase diariamente. E quando não se batalha, preparamos-nos para a batalha. A toda a hora da semana treinamos e prepará-mos os nossos homens para o combate. Esses combates desde essa altura até a contemporaniedade permanecem semelhantes na sua estrutura, existe uma honra a defender, um campo da nação que não se pode perder, homens de combate, um líder, uma estratégia, um desenlace, uma vitória. De quem depende muito deste trabalho é do ser estratega, o líder, aquele homem que assume o comando e define o futuro dos seus comandados baseando-se na experiência, na moral, na força humana e na fé (energia “aural”) que o protege a si e aos seus. Esse imperador é nos dias de hoje o treinador. O treinador não é aquele que ensina a jogar Futebol ou aquele que pensa que sabe tudo, o treinador é sim, a individualidade dentro do grupo que orienta os jogadores, que está lá para os encorajar, é o amigo mais próximo de cada um dentro do balneário nos bons e maus momentos, para criticar sempre que é necessário, para dar a cara e levar os primeiros socos, mas ainda mais importante, é aquele por quem o jogador se apaixona como seu irmão de sangue, o sangue do clube e da família que ali vive. É através do treinador, que se vai delinear uma estratégia, um modelo de jogo, uma táctica, que envolverá melhor as capacidades e habilidades dos atletas que constituem a sua equipa e os objectivos que essa equipa pretende alcançar. Tudo isto depende da programação que o treinador faz para a equipa e para toda a época. Esta programação deve envolver programação, planificação e periodização. Programar tem como objectivo a forma como vamos conduzir todo o processo de treino e do jogo. A periodização é um aspecto peculiar da programação e é baseada pela segmentação e caracterização das diferentes partes da época, delimitando esta em macro, meso e microciclos. A planificação é a forma como queremos trabalhar nos diferentes períodos, denominando objectivos e meios para o sucesso de todo o trabalho. Para isso o treinador deverá saber: o local envolvente da sua equipa, conhecer as pessoas, hábitos e culturas; quais as condições de trabalho que possui e a lista de jogadores disponíveis; quais são os objectivos que a direcção e os jogadores pretendem para aquela época desportiva. Através disto deve traçar linhas orientadoras de todo o processo futuro de forma a adequar o seu processo de gestão e acção à realidade onde se encontra. Por isso podemos desde já delinear uma das capacidades fundamentais do treinador, a análise. A análise é o momento crítico de arranque de qualquer processo de pensamento estratégico e por isso quer durante o treino quer durante o jogo este factor é importante, mas mais importante do que in loco, é ter essa capacidade outdoor, no gabinete, numa fase de “pré-trabalho”, mesmo antes de se iniciar a pré-época. A partir daqui o treinador deve ter ambição, colocar sempre os seus parâmetros um patamar acima do que todos os outros julgam, pois é a chave para ter sucesso. Os que voam mais alto entendem o seu trabalho como uma viagem sem fim na procura do conhecimento e da evolução e imprimindo este sentimento no núcleo da equipa podemos levar a equipa a ultrapassar a sua própria quimera, supra-trancrevendo as suas mais intimas fantasias de sucesso desportivo. Todo este produto é extremamente difícil de “seringar” na equipa, é uma árvore que demora a crescer, por isso quanto mais cedo a plantarmos mais cedo poderemos colectar os seus frutos. Assim, almejando esse futuro, decidimos primariamente fazer ser o que somos.
Após este cenário de background o treinador deve ser um elemento peculiar dentro de campo e no banco. Não deve nunca olhar apenas para a bola, deve deixar esse protagonismo para os “cegos” que dizem observar o jogo das bancadas. Deve ser um líder, comandar é fundamental numa equipa, quem a si não obedece pode cair no enredo de ser comandado, ele tem a responsabilidade máxima na sua equipa, é constantemente a sua cabeça que está mira de todos, mas possui também um grande poder, o de decidir, é ele quem tem o poder de orientar a equipa. Para decidir, é preciso nunca ter medo e se tiver um pouco de receio nunca o demonstrar, deve ter uma postura soberana e calma. Não deve julgar o óbvio como facilitador, “tenham medo do óbvio” (Paula Botelho, 2007). Muitos são aqueles treinadores de nível baixo que julgam que por conhecer o um conhecem o dois, pois um e um são dois, simplesmente se esquecem do factor “e”. Esse é o factor mais importante, é o que desencadeia todo o mecanismo da plataforma orgânica que constitui a equipa, somando as partes e dando-lhe um valor muito superior à individualidade. Este é o plano táctico que o treinador deve ter enraizado, encrostado, em si.
Dentro de campo, durante a semana, nos treinos, ele deve decidir como já vimos anteriormente, o que trabalhar, treinar, de forma a que a equipa melhore o seu rendimento e atinja os objectivos. O treinador deve ter em conta a dose, “a dose em demasia é veneno” (José Oliveira, 2006), deve manter uma relação constante entre o treino e o jogo, sabendo que estes são diferentes, embora tudo o que se faça nos treinos, de bom ou de mau se vá reflectir de alguma forma no jogo desse fim-de-semana, ou no jogo seguinte. Deve conseguir separar o trigo do joio, pois por muito grandes que sejam as vedetas, a bola continuará a ser redonda e o campo rectangular. Então toda a equipa deve regir-se pelo lema “Só fazes música bela se souberes como tocar numa orquestra.” (anúncio publicitário da Nike, 2007) e o treinador deve conseguir que todos os seus jogadores, independentemente das características de cada atleta, circulem sobre estes carris. Só assim ele poderá denominar a táctica que servirá melhor a essa equipa, e não a esse somatório individual de jogadores. O jogador é em si um fractal dos aspectos característicos da equipa, estando num halo que é demonstrativo da mística do clube. Falámos portanto como o treinador deve explicar, exemplificar e orientar todo o projecto que pretende para o seu modelo de jogo, em campo, de forma a que todos, todos sem excepção, consigam em qualquer momento ser alvo exemplificativo do plano táctico que se pretende que a equipa cumpra.
Em suma, o treinador é constantemente um elemento de exibição e trabalho do plano táctico. Ele deve construir um modelo de jogo com os jogadores, deve aparentar o ser profeta sem nunca cair na veleidade. Ser obiquista, liderando quer o ser grupo, quer o grupo exterior ao seu. Deve ter carisma e acima de tudo nunca ter medo de falhar perante as suas decisões, que estão bem sustentadas pelo seu conhecimento científico e futebolístico.
No Futebol, os factores de execução técnica são sempre determinados por um contexto táctico, pelo que a intensidade e a justeza das técnicas utilizadas decorre deste compromisso. E de tal forma isto acontece, que em duas técnicas formalmente similares, qualquer manipulação da estrutura duma delas, através por exemplo da modificação do ritmo de execução produz alterações importantes, daí resultando técnicas diferentes. (Garganta, 1993).
Tal como o jogador, o treinador é influenciado pela técnica, contudo num plano mais teórico. Quando observamos os denominados mind-games usados por vários treinadores, cada vez são em maior número e com maior qualidade, observamos uma técnica psicológica, dramática, quase como se de uma peça de teatro se tratasse, que tem como intuito vencer e derrubar o oponente num campo invisível que comporta comportamentos para um campo visível, como se tratasse de um campo da física quântica. Usando cada um as suas bases persuasivas e manipuladoras de forma diferente. Contudo, por muito que o contexto seja semelhante, cada protagonista, actor, interpreta à sua forma, dando-lhe a sua visão e o seu corpo de forma sempre muito pessoal, específica. Sempre que observamos um dérbi, independentemente dos resultados, ou do momento do campeonato, observamos estes jogos mentais. Mas estes são sempre diferentes mesmo que interpretados pelas mesmas figuras, quer sejam treinadores ou mesmo directores. Existem então pelo menos dois campeonatos, o classificativo relacionado com a disputa do campeonato, e outro, pseudo-político onde é fundamental vencer. Muitas vezes são o ponto de partida para a vitória no jogo de campo, supostamente mais real. Contudo é necessário ter cuidado com o uso destas técnicas pois podem ter um efeito recursivo. Ou seja, o facto de se ter ganho no jogo psicológico, pode induzir directamente para a noção de ter por garantido a vitória no plano desportivo e isso levar a uma desplicência que origina um mau resultado posteriormente. Como já falámos anteriormente, as técnicas persuasivas são de elevado valor para o treinador, são elas que vão dominar e “domesticar” o grupo de atletas. Mas por serem de elevado valor são também muito difíceis de interiorizar e dominar. Cabe pois ao treinador conseguir ter um correcto tom de voz, expressão corporal e gestual, e com cada palavra atingir o íntimo de cada jogador de forma precisa sem contudo ele ter essa noção de estar a ser manipulado. Por isso, muitos são aqueles treinadores que frequentam cursos de expressão dramática, de discurso público ou de gestão. Mesmo durante a semana é necessário gerir muito bem as emoções e sentimentos dos atletas, principalmente nas camadas jovens, onde os atletas normalmente são mais fracos mentalmente, são menos resistentes, e onde muitas vezes são as variáveis parasita a definirem o trabalho realizado por cada atleta nesse treino, ou nessa semana. Mas não é só com os jogadores que o treinador tem de usar técnicas de diferente ordem psicológica, sociológica e metodológica, mesmo com os pais dos jogadores, com os directores do próprio clube, com os media desportivos e por vezes com os media “cor-de-rosa”, é necessário estar sempre preparado de forma a conseguir lidar, esquivar, e dominar vários assuntos e contextos de forma em que cada confronto virtual seja possível obter vantagem e credibilidade. Para isso muitas vezes o treinador não deve chocar, enfrentar o leão de peito aberto, muitos são aqueles que vencem mais quando estão calados. Não devemos nunca ir contra as ondas ou saltar por cima delas, primeiro porque não sabemos quanto duras são, e magoam sempre, nem saltar porque nunca sabemos o que está do lado de lá. Por isso mais vale recuar, deixar elas se desfazerem aos nossos pés e depois sim mergulhar. Só assim saberemos o que é importante, ao que devemos responder, se não perdemos imenso tempo a responder a tudo. Se não sabemos aquilo que é importante, então tudo é importante. Quando todas as coisas são importantes, então temos que fazer tudo. Quando temos que fazer tudo, então não temos tempo para pensar e fazer aquilo que é realmente importante. Isto refere-se quer ao trato com as pessoas quer à forma como nos dirigimos aos atletas no treino, ou como orientámos o treino. Ou seja, não nos devemos interessar em ensinar muito, mas sim que os nossos atletas aprendam bastante. Falámos portanto na técnica de hierarquização e planificação do trabalho que é feito ao longo de cada período, seja este longo ou curto. Outra técnica fundamental no plano “curricular” do treinador é a antecipação, este deve ser capaz de prever a jogada seguinte do seu opositor e dispor as suas peças de forma a anular a posse de bola do adversário e desde aí converter essa posse em ataque organizado de forma atingir o objectivo desde logo traçado que é a baliza, agora como o faz, de forma apoiada ou partindo no contra-ataque, isso fica ao critério de cada um. O importante é nunca perder a noção de fortaleza, pois esta só pode ser destruída a partir de dentro e nunca de fora. Ou seja, só através de um erro nosso é que toda a nossa estrutura poderá cair facilmente, e não existe nada mais hediondo do que ver toda nossa plataforma desmoronar a cada desenlace do adversário. No caso de se perder o jogo, paciência, o mais importante é logo recuperar as tropas para a batalha seguinte, é uma técnica muito difícil de dominar, mas que pode ser vital. Perder, é só um passo numa vitória, é o começo dela.
Em suma, o treinador deve dominar várias técnicas do foro mental, que o ajudarão a explanar melhor o seu domínio, quer dentro de campo, balneário, ou mesmo no seu mundo futebolístico. O importante é sempre estar preparado para todas as situações possíveis, mesmo as mais inimagináveis.

O Corpo actual e corpo do futuro – uma visão eco-socio-orgânica realizada pelos olhos do mundo do desporto

Procurar limitar o corpo humano, ou qualquer corpo, ao objecto físico que ele apresenta seria desde já estar a reduzir e descontextualizar um objecto que necessita do all-over que o circunscreve. Procurar matematizar o corpo e cair no erro da ciência cartesiana através do somatório das partes como um todo organizado desde o seu atomismo também poderia tornar-se uma visão demasiado obtusa e hedionda. Assim para compreendermos o corpo devemos compreender que a ele estão associados duas vertentes fundamentais, o tempo e a cultura. Dimensões que ultrapassam o simples volume normalmente definido pelas três dimensões mais conservadoras. Podemos e devemos sempre integrar o corpo numa sociedade que vive numa ecologia muito própria, muitas vezes urbana e cosmopolita mas também que pode variar para o outro extremo, tão natural e animal. Para além dessas constâncias de lugar e cultura devemos compreender que todos os organismos, por mais caóticos que sejam, tal como é o corpo humano, são acima de tudo um organismo, um organismo vivo e morto ao mesmo tempo, onde as transformações ocorrem em fracções temporais perto do inexistente. Na sociedade actual, o somatótipo sofreu um processo de aculturação que o encaminha para um patamar ilusório semelhante ao santo graal. A procura de um corpo definido, magro e belo leva pessoas a terem como única preocupação a sua obtenção de forma por vezes desfocada e pouco sustentada. Infelizmente, a mediatização de que esse corpo se associa a um corpo belo, de sucesso e jovem leva muitas vezes a uma exacerbação da parte das pessoas que o procuram de forma muitas vezes descontrolada. A ocidentalização do ideal corporal leva a que mesmo nas culturas mais remotas exista esta preocupação e por isso já ninguém estranha que mesmo nestas culturas existam modelos que contemplem essa imagem, muitas vezes sendo ela trabalhada de forma tão enganosa através de uma computadorização divina. No Futuro, embora existam por vezes rasgos na procura de uma idealização mais saudável, volumosa e curvilínea do corpo, tudo parece prever para uma imagem cada vez mais oposta a esta, cada vez mais matemática e química que poderá mesmo ser atingida por um meta-corpo, robotizado ou um tecno-corpo adulterado pela nanotecnologia que se incrusta no ser biológico. No desporto a interpretação do corpo deverá ser sempre feita através de uma compreensão do corpo humano como um ser antroposocialtotal e dessa forma tudo continuará a ultrapassar a simples visão limitada do que é superficial ou orgânico. Não desconectando o lugar do corpo nem o corpo do lugar mas compreendendo que a sua simbiose é a base de toda a existência social e histórica.
O maior problema passa por o homem estar presente no mundo através do seu corpo. Muitas vezes sendo observado por uma imagem, com um corpo físico remetendo a uma superficialidade preocupante e irreal. Devemos compreender que este corpo é uma expressão de experiências culturais e que nele, todas elas, as experiências, estão cravadas como tatuagens eternas. Mas como relembro das aulas de introdução ao pensamento contemporâneo, o corpo não pode ser sem estar (num lugar) ocupando um espaço no mundo das coisas e ao espaço do corpo está indissoluvelmente ligado a sua temporalidade. Tempo e espaço ou lugar, conjugam-se com o corpo.
Devemos por isso estar atentos à questão da procura de um corpo de elite mas numa busca muitas vezes desorientada e convulsiva. Vários são os métodos apresentados para a obtenção desses resultados milagrosos, mesmo através de anúncios que fazem lembrar as primeiras explicações para a origem da vida, onde juntando barro e areia a centeio, e regando todos os dias surgiam de lá carneiros ou escorpiões, não sei se era bem esta a combinação mas serve para realçar o absurdo de tal ideologia. Os anúncios expostos rondam o mesmo absurdo como se fossem obtidos resultados perfeitos, indolores e momentâneos. Mas como todos sabem e bem, muitos são os casos de resultados hediondos, imperfeitos e irrecuperáveis. Traumatismos provocados no corpo que acabam por matar todo e qualquer orgulho que a pessoa tem em si. Não existem mulheres feias, existem mulheres pobres. Numa clara assunção a que este tipo de cirurgias para serem bem-feitas devem ser realizadas por profissionais ultra-especializados, que normalmente cobram fortunas. Além disso o resultado destas operações por mais perfeitas, esteticamente, que possam parecer, não o são em termos de saúde. Já que envolvem riscos vários, trata-se sempre de uma operação, e não é através delas que uma pessoa vai ter uma melhor qualidade de saúde, de vida. Por isso talvez o caminho deva ser outro, ou mesmo vários caminhos e compreensões diferentes. Desde logo que por muito que se trabalhe o corpo, e tendo em consideração que a nossa vida não gira só em torno do corpo, o nosso corpo será sempre “imperfeito” perante o que é visto em revistas onde as imagens são tratadas e trabalhadas ao pormenor, lembrar que acima de tudo ainda somos humanos. Para além disso compreender que o trabalho do corpo e o educar do corpo para uma vida, alimentação e vivências, saudável implica algum critério e norma reguladora e que por tudo isso é um processo longo, demoroso e sem resultados bombásticos e instantâneos. O nosso corpo não é propriamente uma mousse ou gelatina onde se junta pó a água ou leite, mexe-se e voulá. Por fim, compreender que os estilos de vida, principalmente cosmopolitas, afastam-se cada vez mais do trabalho do corpo e de uma vida saudável. Todos os dias tentam monopolizar-nos com produtos que fazem tudo menos bem à nossa saudade e temos cada vez mais mecanismos, processos e condutas que nos orientam para uma vida sentada, ou no mínimo de pé e parada. Quer um caso como o outro, não são propriamente muito favoráveis para o que pretendemos. Muitos são aqueles que vão gozando a vida e o corpo vai sendo levado para os maus caminhos que o orientam. Mas como já dizia a música, “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga…”, então enquanto novos, quase todos os indivíduos são despreocupados quanto aos resultados das suas acções, muitas vezes a curto prazo, por isso imagine-se a médio ou mesmo longo prazo. Se fosse possível criar uma imagem desse pensamento, o resultado possível seria muito provavelmente uma escuridão maior do que o fundo de uma falha numa placa tectónica.

Faculdade

Espaço mágico para alguns, para outros de trabalho, sinal de liberdade para uns e de prisão para outros, a Faculdade é um mundo que só estando dentro do seu cosmos é que se percebe a dimensão e magnitude do seu efeito, e mesmo assim nem todos o compreendem, passando ao lado da sua estrutura.
O que vou aqui explanar é apenas a minha vivência, e por isso, bastante remetida aos espaços da minha Faculdade, mas acredito, até pelas conversas que mantenho com colegas e amigos que poderá aplicar-se a todas as Faculdades.
A Faculdade é um espaço diferente de todos os demais habitados pelos estudantes até então, é um espaço onde as regras são menos evidentes, onde se dá mais liberdade a todos os estudantes, onde se procura criar dessa forma responsabilidade e vontade em procurar por si o conhecimento e em desenvolvê-lo. Os Professores, mais capazes ou menos dão instrumentos para que estes , os alunos se desenvolvam e atinjam níveis de estudo e superação própria como até então não tinham vivenciado. A cada ano que passa maior é o desmame por parte da instituição e maior deve ser a independência do estudante em busca do seu Olimpo, contudo como sabemos o Olimpo de cada um é diferente, mas o objectivo da Faculdade, e por isso é dada equidade a todos, é que os estudantes atinjam todos o seu nirvana.
Esta instituição é fabulosa no que toca a potencialidades, podemos aprender imenso e tornar-nos imensamente maiores no momento que saímos comparativamente ao momento em que entramos. Em grande parte isso depende do estudante, mas também devemos aqui reconhecer o trabalho dos professores. Falo dos bons professores, dos maus, dos intermédios, de todos, pois com todos podemos e devemos aprender imenso, com o seu exemplo, positivo e negativo, com o seu sucesso e com os seus erros. Não devemos nunca pôr de parte nenhum deles nem as críticas asnas que por vezes nos fazem, todas elas, contando evidentemente com as boas também, devem ser construtivas de uma forma de ser e estar mais fortes e resistentes.
Por fim, deixar aqui uma dica a todos, os que vão entrar, os que são académicos, e mesmo aos que saíram já desse espaço, como eu, aprendam com os vossos semelhantes, discutam, realizem debates, lutem uns contra os outros, gladiando-se com os músculos e com ideias. Pois só assim serão maiores e melhores, e porque na verdade, se forem bons ouvintes, bons observadores e bons pensadores, repararão que é com os vossos semelhantes, com os colegas do lado, que aprenderão mais, pois a competição saudável e a conversa de café com os vossos amigos sobre o que estudam poderá enriquecer-vos mais que muitas vezes horas passadas perante um livro, e atenção que eu dou imenso valor aos livros.
Não se contentem em ser razoáveis, se com nada do mundo ficam satisfeitos com o razoável, não o sejam convosco.
Obrigado Faculdade, por tudo o que me deste de bom e de mau, fizeste de mim um ser melhor por certo.

Princípio de limite, da incerteza e de Peter

O princípio de uma ideia parte do critério que subentende que existe um pressuposto basilar a essa mesma ideia. Desta forma, devemos entender que para existir princípio tem de existir uma prévia concepção desse mesmo princípio. Seria néscio acreditar que uma ideia surge do nada, quando nada surge dessa forma. Os princípios que menciono no título para surgirem tiveram de se basear em ideias, afirmações, contextos anteriores, que serviram de base, ou foram catalisadores dessa mesma concepção. Contudo, devemos compreender que por vezes a criação de algo através de compostos danificados poderá levar a um produto defeituoso. É, numa base semelhante, querer fazer um bolo fabuloso, mas não sabendo que os ovos que foram utilizados estavam já fora de validade.
O princípio de limite é uma criação feita para criar uma barreira temporal, física, quântica, etc... com vista a uma delimitação precisa, não imaginária, que define um antes e um depois. As pessoas só se tornam adultas aos 18 anos, porque com 17 anos e 364 dias ainda não o são, isto segundo o princípio de limite. Assim, e o leitor por certo já compreendeu a enorme estupidez que este princípio define, o princípio de limite é ridículo ao ponte de um segundo, de um dia para o outro fazer diferença, ou ainda menor tempo se assim quisermos extremar. Este princípio define claramente as nossas vidas para tudo e mais alguma coisa, e nós aceitamos com naturalidade, envolvidos em letargia pura, estes limites absurdos que nos limitam a nós. Como é óbvio, não quero com isto dizer que partamos para o infinito e mais além sem qualquer limite moral ou social, mas procuremos ser menos limitados e limitativos. O limite existe acima de tudo para quem tem dificuldades de visão e compreensão moral, para quem é limitado no seu ser.
Já o princípio da incerteza passa por uma situação inversa ao princípio de limite, e que talvez vá de encontro ao que pretendemos, logo que mais uma vez não caiámos no absurdo do extremo. Ou seja, as matérias e conteúdos  não são nem devem ser imóveis, deve haver uma consciencialização na procura de procedimentos e abordagens que visem a irregularidade e a não localização precisa de tudo o que pretendemos estudar. Afinal tudo está em movimento e querer definir o centro com exactidão parece ser ineficaz e um desperdício de tempo, energia e paciência. Assim, procuremos trabalhar em bandas e volumes compreendendo o todo, ou no mínimo o fractal que dê sentido e razão ao todo.
No entanto, como até agora tem sido dito, cada um está no seu direito de trabalhar como quiser e procurar o seu sentido, desde que seja de forma apoiada e sustentada terá o meu apoio, de outra forma espero que não esteja a pisar o princípio de Peter e que assim, tenha atingido o patamar em que não é mais competente e apenas prejudica a sua pessoa e os que o rodeiam. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Verdade? A minha, a tua, qual? O conhecimento ajuda...

Verdade, um conceito ilusório que satisfaz a mente humana só para que esta possa sobreviver ao mundo eléctrico, fugaz, e aparentemente caótico. Verdade é um composto de substâncias que levam o sujeito a ser acomodado perante uma situação conhecida ou desconhecida. É um conjunto de informação atribuída, transmitida ou procurada por um sujeito com vista a criar uma ligação entre esse e o seu objecto, que normalmente até se evidencia mais quando se trata de outro sujeito. Ou seja, são um conjunto de conceitos que o indivíduo primário acredita serem reais, "verdadeiros", e que os insere na sua base de dados tal e qual como dogmas. Desta forma satisfaz  a mente, vive melhor com essa certeza e baseia-se nela para a construção ou solidificação de uma ligação ou banda entre ele e o "outro lado". Mas, e como tudo na vida, há um "mas", como definir essa verdade como verdadeira? Como poderemos saber se essa verdade é verdade para todo um universo, se é grupal ou como muitas vezes, miseravelmente, individual, singular?
A resposta é difícil de atribuir, até porque ela própria compreende o princípio de verdade, mas acredito que conhecimento é o elemento chave de todo o processo. Quanto maior for o nosso conhecimento sobre determinada "verdade" e quanto maior for a estabilização em processos de transmissão anteriores, maior é a probabilidade de atingirmos o que pretendemos, a verdade verdadeira. Imaginemos o complexo A, B, e C. A transmite a B uma informação, querendo levar B a acreditar que o que A diz é verdade, contudo B não tendo certeza se esta comunicação é fiel ou não, questiona C sobre a comunicação de A. Não quer com isto dizer que B acredite que C é fiel, mas mais informação, sendo necessário que C compreenda e esteja abrangido na comunicação que A proferiu, poderá atribuir maior probabilidade de veracidade a A. Podendo assim, B estar mais seguro e confiante que A e C são fieis a si e estabelecendo uma ligação ou banda mais forte e autêntica. Mas imaginemos que A e C são fieis a si, mas não perante B, tudo muda para B. Assim B, deverá acreditar acima de tudo nas vantagens em que a informação que A lhe transmitiu e em que medida isso poderá ser útil em ligações futuras com A e C.
Quero com isto dizer, que acima de tudo ,acreditem no que quiserem, no que vos fizer mais felizes, mas se a vossa felicidade não é a ignorância e a mentira, procurem sempre obter mais conhecimento de forma a que o vosso USB esteja devidamente protegido perante vírus e as vossas ligações sejam dessa forma mais sólidas, mais fortes e mais vantajosas para todos.

domingo, 19 de setembro de 2010

Conceito de all-over, o todo circundante

De forma a tornar-se mais concreta toda a ideologia que tem sido apresentada, e que desde já não deixo de afirmar que apenas de trata de uma forma de pensar personalizada e dessa forma não estando a subjugar outras ou a querer afirmar que esta seja superior ou inferior, mas apenas uma forma diferente, quem sabe até para levar a que outros a considerem e sigam, considero importante exprimir e apresentar o conceito de all-over.
All-over, em português, corresponde a uma compreensão de um todo circundante. Ou seja, o all-over que envolve o sistema é o mesmo que referir que existe todo um halo não limitante em torno de um conceito chave que vamos definindo conforme as necessidades de uma limitação mais atingível.
Este conceito vai de encontro ao ponto de vista já desenvolvido numa postagem anterior e que observa e estuda o mundo, seja ele qual for, de uma forma global, infinita, quer seja minimalista ou transcendente, nunca procurando assim o ponto mas o espaço. Quando limitamos a um conceito, procuramos sempre na medida do possível defini-lo perante aquilo que ele é e nunca o reduzindo ou mascarando-o tornando-o desvirtualizado ou descontextualizado. É disso exemplo o conceito de acção, acção é acção, não é gesto, não é comportamento, não é atitude, é uma acção. Um sujeito, seja ele qual for na sua forma e identidade, quando realiza uma acção, mesmo podendo ser esta uma inacção, realiza uma interacção entre vários mundos que podemos "limitar" como interior, exterior, e no limite, na barreira, ou seja num espaço intermédio imaginativo entre interior e exterior. Contudo, devo aqui referir que esta "limitação" é apenas uma explanação para que seja mais fácil ao leitor a sua compreensão e entendimento, pois na verdade o mundo é apenas um e não existe qualquer limite ou barreira física ou quântica entre "os diferentes mundos". Voltando ao fundamental após o intervalo publicitário, uma acção é uma acção e não é nem mais nem menos do que isso, se verificarem no dicionário o significado de acção, o que vos vai surgir são significados reduzidos que no global significam de forma aproximada o conceito de acção. Muitas vezes estas significações são a simbiose do somatório de significados e compreendem perfeitamente o universo do conceito, mas algumas vezes a procura em afirmar com outros conceitos o que é o conceito que procuramos fica algo afastado do conceito que realmente procuramos entender. É a mesma coisa, que dizermos que o elemento x, por exemplo a pessoa que tem o nome de Pedro, é filho de a e b, irmão de c, primo de d e e, parecido com f e l, oposto a z e y e muito semelhante a m e n. Mas após isto tudo o Pedro ainda não é o Pedro, está mais perto de ser Pedro mas não é Pedro. Atenção que eu, naturalmente até por ser pouco experiente e por estar envolvido numa sociedade que é assim, dificilmente não fugirei à fatalidade, mas este texto procura acima de tudo procurar demonstrar ao leitor que devemos procurar ser o mais específicos possíveis, em busca da simplicidade, e não como muitas vezes a procura excessiva em complexificar e em teorizar. Devemos chamar aos conceitos, sejam eles qual forem, aquilo que eles são e não tentar cair no erro de iludirmos ou insultarmos o conceito.

Ponto de vista eco-socio-orgânico

Após vários anos a estudar periodizações, estratégias, formas de abordagem, níveis, estados de desenvolvimento, etc, tudo sempre me pareceu algo afastado do que realmente deve compreender todo o trabalho e conhecimento que devemos ter para sermos eficientes e eficazes neste campo laboral. Não quero com isto dizer que dou pouca importância a todas essas matérias que aprendi e incorporei dentro do meu ser, pelo contrário, guardo-as com uma importância relevante e é delas que me recorro para criar o meu ponto de vista, para a minha forma de ser, estar e trabalhar enquanto profissional capaz. Contudo, parece inadequada e algo antiquada a forma como se observa a matéria do ser. Não me parece interligada e compreendida com todas as áreas que estudam o ser no seu ser. Mais uma vez a ciência cartesiana acaba por afastar o homem do homem enquanto homem e torna-o algo a  que chamamos homem mas não é homem, é algo parecido, por vezes até semelhante, mas não homem. Mesmo no campo das ciências ditas sociais a procura em estudar o homem, focando-o acaba por desfocá-lo enquanto homem pois não circunscreve o seu ser enquanto ser sendo.
Desta forma parece-me mais credível e profícuo compreender o ser, até para que não o tornemos reduzido, ou seja não-ser, através de um ponto de vista eco-sócio-orgânico.
Ou seja, dentro de uma ecologia social orgânica, viva, em constante simbiose com o que o circunscreve e nunca o limitando. Tirar o ser do seu ambiente é tirar o corpo do lugar, logo, descontextualizando-o. Assim, para que possamos ser melhores profissionais, mais competentes e capazes devemos procurar incorporar na nossa planificação, periodização, programação e actuação, sendo todo este ciclo compreendido por uma reflexão constante e organizada, a verdadeira essência do ser enquanto ser. Não atribuindo a improbabilidade a um caos, aleatório e desconhecido, mas compreendendo que este é uma ordem por definir. 

A 5a Dimensão

Após todo este tempo de aprendizagem, onde conheci novas pessoas, novas matérias, novos espaços e horizontes, o meu conhecimento foi-se desenvolvendo, expandindo-se a caminho do infinito e mais além. Ganhando a cada passo, a cada para-meta um novo sentido, uma nova orientação e um novo significado. Mais profundo e maduro, mas longe de amadurecido, no meu conhecimento surgiu a compreensão holística social que compreende todo o universo mundano. Para isso foi necessário escutar muito, ler bastante, reflectir constantemente e debater diariamente com os que eram mais próximos. Professores, colegas de turma, amigos, simples conhecidos ou mesmo desconhecidos tornaram a minha visão mais eficiente e eficaz, antevendo e entendendo que a simplicidade de todos os complexos é afinal simples na sua natureza. A teorização e a fraca aproximação desta muitas vezes ao mundo físico acaba por muitas vezes matematizar e fragmentar em demasia a natureza do objecto indissociável. Isto porque procura algo infinitamente pequeno não compreendo todas as suas dimensões. Logo é necessário conectar todo esse conhecimento ao plano real.
Após o entendimento primário das três dimensões básicas, que definem a noção de volume, algo parece desequilibrar o entendimento do objecto na sua forma e estado enquanto objecto. Se é certo que a noção de volume permite-nos envolver a sua forma e analisá-la de forma atingível, esta análise não é de todo congruente com a compreensão de estado desse mesmo corpo. Assim surge uma quarta dimensão, que alguns autores já defendem e definem como sendo o tempo, dando assim um significado objectivo e concreto a esse mesmo estado do corpo em forma. Pois se não existir tempo não existe corpo e sem o corpo não existe tempo, logo são indissociáveis e esta dimensão torna-se clara e necessária para que exista concordância entre todos os seres. Mas perante tal associação parece-nos ainda ser algo redutora, ou melhor, reduzida.
Ao longo destes anos algo se tornou fulcral, basilar, para a compreensão de todo o meu trabalho, do meu entendimento do mundo e das pessoas que coabitam nele e que considero ser imperial atribui a maior importância, colocando como a dimensão mais importante, a quinta, que circunscreve todas as outras, tornando-as dependentes desta, que é o conhecimento.
O conhecimento é a base de toda a compreensão do corpo e de todas as suas imagens, definições e atribuições de forma e estado. Atribui a esta matéria uma substância única, que lhe dá valor, que a reconhece e que atribui um significado atíngivel para todos. Determina o corpo enquanto corpo num ecossistema ao qual está associado e que o compreende enquanto tal. Sem o conhecimento todas as outras dimensões são apenas teorizações sobre algo amorfo, sem significado, sem atribuição, sem sentido. É no conhecimento que todo o corpo se exprime e se torna corpo, com altura, largura, profundidade, num determinado tempo e lugar e mais importante do que tudo isso, se torna ele mesmo, singular, único, compreendido, entendido, conhecido enquanto corpo.
Sem esta noção básica, todo o nosso trabalho não passa apenas de uma teorização, de uma explanação teórica e afastada da compreensão do que o corpo realmente é.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Após 65 meses, de volta ao teclado

Após 5 anos e 5 meses, aqui voltarei a escrever, o que me vai na mente, entretanto espero que apreciem o que realizei há "imenso" tempo...

Insónia melancólica saudosista

Neste momento devem-se estar a perguntar que raio de título é aquele, parece mal escrito, talvez inconsciente ou mesmo absurdo na sua construção. Felizmente a mente apesar de cansada, funciona com coerência. Pelo menos para já.

Desde à 5 noites para cá que durmo apenas 5 horas por dia, hoje apesar do esforço e do cansaço diário não consigo adormecer, algo apodera-se de mim constantemente interrompendo-me o relaxamento corporal e mental. Algo me perturba como se de pequenos beliscões se tratasse, não sei porque surgiu até porque a sua razão de existência não tem substância, é como um corpo disforme que me percorre as veias e se encostra no coração dilacerando-o através de um sistema complemento. Talvez crackando-me através de ficheiros fantasmas ou mesmo de uma identidade inteligente desconhecida, domina-me e deixo de ser aquele ser altipotente, consciente de que tudo é o que conheço e que nada me surpreenderia pois todo o ser está em mim memorizado.

Mas felizmente tudo isto acontece, é um bom sinal, provavelmente ainda não sou uma máquina. Nada me poderia deter esta letargia de que preciso, já que nem o sono profundo se apodera de mim, se n fosse o sentimento de melancolia saudosista. Sim, é um palavrão extremamente absurdo mas para já é o único que me surge na ponta dos meus dedos, continuarei a ler o dicionário como já tem sido hábito e prometo melhorar o meu leque opcional de palavrões e palavras desconhecidas num futuro próximo. O que acontece é que acabaram as aulas, a barafunda intercalar entre aulas de disciplinas desnecessárias e tão maçadoras para a pobre alma que sustentámos. E apesar de detestarmos esses períodos, quando não os temos julgamos-nos perdidos como asnos por não os termos. É ridículo, talvez sejamos mesmo máquinas à espera simplesmente que nos primam o botão. Ou talvez sejamos homens e mulheres que tem sentimentos e que amámos e somos dependentes do contacto inter/intra-grupal. Apesar de existir sempre o desejo de que tudo não seja efémero, as amizades são suspensas por momentos de companheirismo e de concludentes partilhas, quer físicas quer espaciais. Quando nos vemos sem isso, ou quando isso se torna uma visão turmente e longínqua então ficámos no que me tornei nestas noites.

Como combater isso? Sinceramente julgo que com nada, nenhumas armas nos permitem combater e gladiar o que somos e no que nos tornamos, somos néscios no conhecimento do nosso futuro e por isso mais vale deixar rolar sobre o destino os acontecimentos e desejar que a todos ele seja favorável. Quiçá, podemos alinhar o nosso caminho com pequenos paus e voltarmos sempre que possível "aos bons velhos tempos" pois "no meu tempo é que tudo era bom". Mas será que tudo isso é proveitoso? Não será o enganar fielmente a consciência de que nada podemos fazer? Que a força esteja connosco e que a todos o futuro seja risonho, o meu para já coloca-me no descanso e num sono profundo de madrugada. Boa noite...

Bem-vindo ao Mundo, és um Sim!

Existe um famoso jogo chamado The Sims, que por certo já todos ouviram falar ou já jogaram, pois é o jogo mais vendido e jogado em todo o mundo. Nele, temos vários elementos seleccionáveis que posteriormente temos de controlar, procurando um emprego, realizando tarefas caseiras, comunicando com outros Sims e muitas coisas mais que mantêm o Sim num estado de harmonia e de equilíbrio perante ele mesmo e perante o mundo que o circunda.

Pois bem, surge então a questão, o jogo está a imitar o nosso mundo ou somos nós que estamos dentro dele como simples personagens?

Primeiramente quero só dizer que existe a grande vantagem de no jogo quando morremos por falta de necessidades básicas surge simplesmente um game over, reiniciamos e lá estamos nós outra vez a viver uma nova aventura, desta vez sabendo o que temos de fazer e o que mais nos convêm para o sucesso imediato. Na vida, como todos julgo que sabem o game over finda totalmente a nossa hipótese de jogar novamente.

Ao reflectirmos um pouco sobre a nossa vida, verificámos que muitas das nossas acções estão ali representadas na perfeição e que a semelhança é de tal forma patente que perante o jogo não achamos estranho quando colocámos o nosso nome às personagens jogáveis. Talvez isso seja curioso, pois queremos expor a nossa vida e manipulá-la, torná-la muito agradável, com muitos amigos, diversões e materiais que preenchem a nossa casa de alegria e comodidade. Podemos fazer o que nos apetece, não ir à escola, fazer uma festa ou mesmo pedir uma pizza às 5 horas da manhã só porque a barra da energia e fome estão baixas. O bom seria se a nossa vida, a real (ou talvez de real não tenha nada e sejamos apenas uma personagem que outros jogam, mas vamos supor que é esta a real) fosse também controlável, manipulável de todas as formas e ao nosso gosto. Imaginem, parem 2 minutos para reflectir, e verão que 95% das coisas que fazemos diariamente não controlamos.

Pois bem, bem-vindo ao mundo Sims, és um dependente e liberdade e justiça são palavras que só existem no dicionário. Pena desiludir-te, mas é para o teu bem, não és real, fazes simplesmente parte de um jogo em que és constantemente indicado a realizar tarefas e te tornas dependente de um simples clic.

Dourado sobre o azul ilusório

Hoje esteve um excelente dia, sol brilhava em todas as direcções profurando todos os corações, casas e ruas da cidade, toda a população andava alegre, uns mais que outros por certo pois o momento não é de grandes festejos. Vive-se mal nos dias de hoje, julgo mesmo que já são poucos os que conseguem sentir o seu coração a palpitar, a procurar algo de bom nesta humanidade em desespero constante onde já se perdeu até o bem primeiro e tão necessário como a ternura. As pessoas andam todas de olhar fechado e colado nos seus sapatos sujos e rotos, já não esperam nada senão o terminar do dia e do pesadelo. Quando se vive para trabalhar e já nem este dá para viver é compreensível a situação degradante em que estas pessoas vivem. Degradante pois o estômago pede por algo que não existe ao alcance de uma mão e porque a mente não possibilita mais do que um viva a um novo poder. Contudo, felizmente o sol preenche o ser transparente, não por este ter um significado positivo, pois soar e cheirar ao que não se quer não é o que se pretende, mas sim por este nos relatar histórias vividas anteriormente, momentos de prazer, quais não serão melhores do que os de criança em que tudo era fantasia, mesmo o que não o era tornava-se num maravilhoso gesto de brincadeira. Muitos adolescentes e alguns adultos permaneceram neste mundo de mentira e de engano, pois julgam que vêem que tudo é bom, toda a imagem palpável tem amor e alegria, que se podem tornar rainhas e reis e encontrar o seu ente encantado só porque a nova roupa fica bem ou porque o seu corpo se tornou mais esbelto num ginásio de domingo. Talvez atinjam a felicidade por serem assim, néscios, mas um dia cairão na podre e larga via que é a realidade, desejo que nunca a encontrem, que seja só zapping nos seus momentos fenomenais de vida, pois se assim não for alguém que os encaminhe para outro paraíso que não este. Recuando aos tempos de criança, estas brincadeiras, este sol, remetem-me a mim e provavelmente ao leitor um sentimento de estranheza pois falta o artigo maior e do qual eu desejava falar, o mar.
Este ser tão poderoso e grandioso que nem no horizonte é possível ver o seu fim, ficámos apenas com a pequena ideia que acaba quando os nossos olhos não tem mais poder de ampliação, pensando talvez que termine ali o mundo ou que novas fronteiras ali se cruzarão, o certo é que todos ambicionávamos chegar e conhecer o que lá existe, a esse limite em que podemos discriminar o espaço como de partes de um bolo se tratasse. Pois bem, mesmo que o conseguíssemos seria como entrar na escuridão, estaríamos à deriva procurando o seu ponto de origem, algo que nos desse a perfeita localização do que pretendíamos, o ponto imaginário do centro. É isso que me fascina quando observo o mar, o seu corpo disforme, constantemente em movimento, que nos suscita à reflexão sem pensarmos, ficamos em letargia pura, algo entre o saber que estamos lá mas que não existimos e que só ali existe o que está perante nós, o mar, a onda gigante azul, que sobrevive da sua identidade graças ao céu, enrolando-se nas areias quentes e enrolando-nos a nós mesmo nesse sonho de um dia atingirmos o seu limite.

Welcome to real world

Este texto deve-se a um desejo de esclarecer algumas mentes amigas, tudo o que vocês vão ler seguidamente sou eu no meu puro estado.

Trata-se sobre existencialismo, quem sou eu? que faço eu neste mundo? qual a minha função? São estas as perguntas generalistas dos adolescentes em busca do seu sentido e de uma resposta que os reconforte.
Primeiramente gostava de dizer que nada disto é importante, para que serve saber o que se tem de fazer se não se fizer, de que serve apresentar um bilhete de identidade quando não se conhece a pessoa, não somos nenhum computador que possa ser apresentado com capacidades e características através de uma amostra minimalista.
Outra coisa que descobri, mesmo sabendo tudo o que somos, tudo o que todos ambicionam saber não serve de nada, acreditem, não somos nada.

Começo então a minha explicação através de uma frase expositiva do meu pensamento, "somos contos de contos contando contos, nada".

Se eu fosse apresentado a um oriental apenas como um ficheiro nada seria para ele, se lhe contassem a minha história talvez mantesse a indiferença, mas se participasse activamente na vida deste por certo teria um lugar muito mais importante na mente dele.
Pois é exactamente isso que nós somos, produtos criados na mente das outras pessoas, nada mais do que isso, antes da pessoa oriental me conhecer ele nem sequer sabia que eu existia, certo? Pois aí está o nosso destino, a nossa função, dar a conhecer a todos o nosso mundo, imortalizando-nos para sempre, ao passarmos de conto em conto, de geração em geração até ao fim da humanidade, que infelizmente está ameaçada e que não resistirá à mudança de poder e à colonização das máquinas no nosso mundo (este será outro assunto de que falarei mais tarde, mas num futuro breve).
O que temos a fazer perante este panorama, viver a nossa vida, gozando ao máximo o que ela tem de bom e ajudar todos, quer aqueles que recorrem a nós quer aqueles que sem o pedir a necessitam, mostrar o nosso mundo e de preferência entrar na mente deles, pois não para nos tornar-mos importantes e dizer que fomos, mas para essa pessoa o reconhecer sozinha guardando-nos dentro das suas memórias. É a única forma de permanecer-mos vivos.

Prefácio

A criação deste espaço deve-se ao facto de uma necessidade extrema de me exprimir, não sou daqueles aborrecidos acompanhantes que falam sem parar mas sou daqueles que tenho muito dentro de mim e como tal julgo que terá alguma utilidade, quanto mais não seja para mim, de me transcender e aplicar o conhecimento que tenho informando todos os que desejem ler os meus textos e cultivando-os para o repetirem. Brevemente terão mais textos sobre variadíssimos temas e peço com delicadeza que os critiquem criando um espaço de cultura cultivada... Muito agradecido ficarei por tal.