Ao longo de vários anos, várias foram as pessoas por quem me apaixonei, senti proximidade, impulso, o que lhe queiram chamar, sendo claro que sempre em ordens e níveis diferentes de intensidade. Julgo eu, que como muitas, se não mesmo todas, as crianças e adolescentes. Gostamos e muitas vezes nem sabemos porque gostamos, outras vezes sabemos e dizemos a todo o mundo, outras guardamos para nós. Umas concretizam-se, outras não, por motivos da maior variedade possível. Assim, o mundo o permite. Algumas são repentinas, outras platónicas e duradouras.
Contudo, ao longo dos anos, após todas estas experiências, boas e menos boas, fui apercebendo-me que existe uma certa padronização em relação "à escolha" que se faz da outra pessoa. Ou seja, o facto de nos apaixonarmos e sentirmos atraídos por alguém não é por acaso. Pelo menos, pelo que vejo, procuramos sempre o nosso oposto compatível. Sendo nós um conjunto de características e conteúdos, procuramos quase sempre na outra pessoa características e conteúdos que nos completem e preencham. Para nos sentirmos mais inteiros, mais completos, menos defeituosos. Não digo aqui que os opostos se atraem, mas falo em complementariedade física e química que permite criar uma união mais fortificada, e ao contrário do que o leitor possa pensar, essa "escolha" não é assim tão consciente, como animais que somos, ainda existe em nós uma clara tendência para a sobrevivência, e assim, de forma inconsciente, o nosso ser procura um(a) parceiro(a) que nos dê mais garantias que o ser que nasce da união será mais completo, mais protegido para habitar este mundo. Aliás este aspecto começa a ser discutido cientificamente e por isso não é assim tão estranho ou incómodo.
Assim posso considerar que existe uma escala entre -10 e 10, passando obviamente pelo zero, sendo os números mais perto de zero aqueles com menor conteúdo mas que contudo podem funcionar bem com o seu negativo, embora o seu potencial seja sempre diminuto. Na mesma ordem, -10 e 10 são os indivíduos que conjugados trazem uniões, digamos, perfeitas. Naturalmente existem sempre os fraccionários, e normalmente as pessoas nem estão ligadas ao oposto equivalente, uns mais para cima, outros mais para baixo, e por isso existem relações melhores, outras piores, umas mais duradouras, outras nem por isso.
Assim ao longo de todos estes anos, percebo melhor porque certas relações nunca chegaram a acontecer, outras aconteceram mas não foram bem sucedidas e outras tem sido óptimas. Falo neste aspecto não só em questões de amor, mas também de amizade e profissionais.
Procurem o vosso oposto compatível...
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