após a alegria e o brilho do sol, a noite aproxima-se. já não existe calor que aqueça os corpos e após toda a energia explorada e transportada, o vento e o frio comandam. apesar de se saber desde início que este seria o fim nem por isso se torna fácil aceitá-lo. ver-te caminhar pela frente da minha estrada, sentir o cheiro do teu perfume e o brilho no teu olhar, a forma glamorosa como caminhas e ao mesmo tempo tão viva e tão intensa, mata-me o facto de não te poder tocar. o toque que antes era meu e para mim, a chama intensa que provocavas em mim e eu a ti. sei bem o que sentes e custa-me saber que sofres tanto como eu, mais nem os imortais sobreviveriam, mas a dor de saber que este mundo não acolhe dois seres, dois estares e duas essências como as nossas. como é possível amar alguém tão intensamente e ter que a libertar só porque o destino nos quis cruzar apenas uma vez. por vezes questiono se o caminho que me é talhado não é mesmo o da dor e do corte. fomos gigantes e brilhamos bem alto, chegamos onde muitos nem sonham que existe, foi tudo muito breve, muito simples, imaculadamente perfeito por assim o ser. tocamos a perfeição, o fabuloso, o que sempre sonhamos mas que nunca tínhamos sequer lido que existia. após as asas terem voado e queimado, caímos com estrondo nas águas gélidas e calmas, silenciosas, penosamente gritantes no seu silencio. morremos por fora principalmente, tudo em nós congelou menos a batida que nos faz sofrer ainda mais, porque não pára de doer, porque não pára de rasgar as veias e todos os órgãos que temos. a escuridão no acreditar que um dia o mundo fosse diferente, fosse possível, não existisse barreiras nem obstáculos, que não existisse mais ninguém e que tudo o que tivéssemos fosse novamente o pequeno raiar que nos ilumina os corpos entrelaçados. após tanta aventura, tanto impulso, tanto sentimento, tanta agitação, esperaríamos que fosse mais fácil manter tudo em alvoroço, energia para isso havia, intenção e motivação também, mas a consciência aniquilou qualquer crença que existisse na paixão. dissecou todas as possibilidades de sermos felizes como um. agora tudo o que nos resta é olhar um para o outro de forma tímida e oculta e vivermos da nossa dor, infelizmente só isso nos mantém vivos. fomos imensos, cheios, completos, agora somos como todas estas formas que nos caracterizam, pequenos, vazios, incompletos e dilacerados. tudo cada vez mais pequeno... apesar de tudo, o amor que sinto por ti é imenso e vou continuar a lutar por essa dor minha pequena cereja...
Pedro,
ResponderExcluirEstou claramente perante um texto que me transporta para a tua vida pessoal. Posso apreciá-lo pela sua escrita, mas sei que a base dela passa também pelo teu sentimento.
Assim, abstenho-me de comentar o que li, mas assinalo pela via deste comentário a leitura do texto.
Um abraço,
Marcelo Melo
olá marcelo, a minha vida felizmente rola num panorama muito diferente daquele que leste. muitos dos textos que escrevo representam criações mentais, como coreografias que a mente produz com diferentes personagens, mas que não representam nada nem ninguém se não eles mesmos. mas fico muito feliz pela consideração e apoio. é bom realmente contar com um amigo por perto.
ResponderExcluirforte abraço