Por vezes perguntam-me como crio textos, como é que os escrevo, de onde retiro as ideias e imaginação para tal. Pois, em muitos casos são em pequenas observações do que me rodeia, experiências ou pormenores que me inquietam de alguma forma o cérebro ou o coração, por vezes mesmo os dois. Por vezes, acontecimentos banais mas que de alguma forma me encantam ou me repodiam e que me fazem pensar o quanto são especiais na sua forma e conteúdo, outras vezes são aspectos extraordinários que vivêncio e que me fazem apreciar a vida de outra forma. Em algumas excepções os textos são escritos sem consciência disso mesmo, existe uma vontade primeira em escrever sobre um devido título ou conteúdo, mas após isso a mente vagueia por mundos que não reconheço, por sensações que nunca experenciei, por sentimentos e construções mentais que não controlo, e assim, as teclas vão sendo comprimidas por dedos que não têm a mínima consciência do que vão imprimindo no ecrã, mas que contudo seguem a ritmo frenético e controlado exteriorizando a tinta que corre nas veias e que pulsa intensamente. Há momentos em que só revolto à normalidade quando estes já estão finalizados e publicados e depois ao relê-los fico pasmo como foi possível isso acontecer, não me reconheço totalmente neles de forma consciente, mas pensando e lendo o que escrevi são tal e qual o que queria escrever se pensasse construtivamente nessas matérias. É como se não existisse um filtro e as palavras se fossem soltando por cada poro meu e atingissem a liberdade que tanto ansiavam. São normalmente os textos que mais gosto me dão a escrever pois, são totalmente puros, limpos, sãos, sem recalcamento ou atenção, momentos de uma clareza pura, impulsos que rebatem na tecnologia que enfrento. Quero acreditar que isso seja normal e natural, já me considero suficientemente afastado do padrão psicológico do comum ser humano. O mesmo acontece quando vejo algo que escrevi após um longo período de tempo, fico maravilhado e orgulhoso do que fiz, e pouco me interessa se tem valor ou não para outros, mas o sentimento que se inscreve em mim é fabuloso. Tal que por vezes duvido realmente se fui eu que os escrevi, mas isso é também normal quando não se tem total confiança no que se faz, e se é o maior crítico que temos para nós. No final, verdade seja dita, tanto me faz mesmo o que penso, pois não irei mudar em nada o que fiz, o que pensei, o que senti, foi assim que fui me tornando no que sou e pensar no que poderia ter sido é uma enorme perda de tempo porque a vida anda para a frente e não para trás.
Julgo que se chama "inspiração" a esse sentimento especial de transcendência que dota o que fazemos de uma estrelinha mágica e única.
ResponderExcluirSão estados que devemos procurar e promover, porque, como bem disseste, anulam em nós efeitos de personalidade e cultura, e transportam-nos para patamares mais puros.
Faço votos para que persistas na senda da escrita inspirada, porque ela faz falta na sociedade.
Um abraço,
Marcelo Melo
muito obrigado pelo apoio e fica o mesmo voto e desejo para o teu trabalho e hobbie pois realmente o que tem qualidade deve ser mostrado ao mundo.
ResponderExcluirforte abraço