terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Caminhando pela noite fria

Saímos de casa e o frio lá fora aperta, os corpos começam a produzir mais calor para que o desconforto não seja tão evidente. A roupa grita ela mesma por aconchego e carinho perante o vento gélido que bate sem piedade. A caminhada é longa e escura, triste e isolada muitas vezes, os passos vão sendo apalpados ao terreno em cada respiração. A mente está longe e dispersa, carente de conforto e carinho alheios. Existem pessoas por todo o lado, vozes que alimentam a noite e a lua, luzes que vão iluminando as referências do nosso caminhar. Dói muito cada corte provocado pelos ramos, rasgando muitas vezes até onde o osso permite, olhando em troca vêem-se flores altas e belas, mas logo se percebe que o seu perfume e cores são estranhos e ilusórios. Animais vão caminhando connosco, uns dando-nos ânimo, outros esperando calmamente que caíamos e não mais nos levantemos, qual morte mais estúpida e sem sentido que alimentar aqueles que desejam que mais não estejamos cá. O olhar é húmido e as palavras custam a sair, a serem montadas e percebidas, a paciência para a sua compreensão há muito se perdeu e o sentido para que haja retorno padece. Estranho como a dependência dos outros só é realmente sentida quando estamos mais longe de viver e cada vez mais perto do nosso final. Aí normalmente lutamos ingloriamente contra a maré, não percebendo que poderíamos ter utilizado as últimas forças para deslumbrar os últimos momentos. O esquecimento enriqueceu o nosso meio, cultivou nele afastamento até percebemos que a nossa elasticidade jamais ligaria novamente as nossas margens. Os olhares já não se trocam, já não são tímidos e íntimos, a partilha já não é mais do que o banal enganar dos silêncios e momentos incómodos e inadequados. Fica na memória a glória e a alegria de momentos passados no calor de verão, das noites sem fim, das conversas e partilhas intemporais e verdadeiramente significativas. Fica a esperança que ambos aprendamos a sermos melhores no futuro e que as vicissitudes da vida não sejam mais as barreiras intransponíveis que nos apresentaram e que olhámos confusos e desinteressados. Obrigado por tudo amigo(a)(os)(as), mas é tempo de perceber que as diferenças são maiores do que as parecenças, e que como último acto de carinho devemos perceber que temos de largar a mão um do outro e que os caminhos serão de agora em diante diferentes. Talvez no futuro nos cruzemos e fica o desejo que nesse momento um sorriso e um olhar faça pelo menos iluminar o sorriso dentro de nós...

Nenhum comentário:

Postar um comentário