quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Caminhando pela manhã fria

Saio de manhã cedo para o trabalho, as temperaturas que ambientam a paisagem estão negativas e mostram fortemente a sua intensidade. O fecho do casaco até ao limite superior e um breve olhar sobre o relógio para ver a que passo será a caminhada até ao local laboral. Quando a cabeça se ergue tudo muda, o pensamento já não está mais em mais um dia de trabalho, nos problemas da vida e do mundo, tudo se concentra no que a realidade da minha visão permite alcançar. Os relvados verdes, em algumas partes cristalizados pelas baixas temperaturas, o parque cheio de cães a correrem e a brincarem uns com os outros livremente e desinteressadamente, fazem-me lembrar a infância onde não existia tempo, não existia dinheiro, não existia nenhuma preocupação, onde se usufruía apenas o bem-estar e companheirismo dos amigos de rua. Nada era limitativo, nem a própria imaginação, que criava múltiplos jogos que nos entretinham todos os dias sempre vivamente mesmo quanto repetidos. Para além dos animais, muitas crianças a caminho das várias escolas, sempre satisfeitas, mesmo quando o relógio aponta ainda vivamente para a terra e não para o céu. Muitos adultos a realizarem desporto, alguns com ajuda de profissionais, outros com vontade suficiente para simplesmente correrem livremente enquanto queimam as gorduras do corpo e os neurónios para o trabalho. Observar a diferença entre o branco e verde que se apresentam em baixo, no palpável, e o azul claro que habita por cima da cabeça, observar tudo que não se move cristalizado e tudo que pode mexer em locomoção, fico a perceber o pequeno paraíso que habita no caminho que realizo para o meu sustento. Penso na fabulosa vida que tenho, sem ter muito, nem muitos, tenho o essencial e que me faz realmente amar a vida e aqueles que coabitam comigo sobre o mesmo tecto, pensando e sentindo por todos lá vou eu tentando cantar pelos trilhos enquanto os pássaros me acompanham. Faz valer a pena ainda mais o sentido e sentimento de me levantar todos os dias com vontade de vencer mais um dia, de rentabilizar mais um dia, ensinando o pouco que sei aos outros e aprendendo imenso com cada pequeno movimento e palavras que proferem. Na verdade a vida deveria ser sempre assim, vivida e aproveitada ao máximo para que os dias fossem sempre rentabilizados ao máximo e assim nos possamos tornar gigantes, o máximo que o nosso ser tem possibilidades de atingir, assim se vive o verdadeiro carpe diem.

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