quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fim do mundo

Depois de todos terem sobrevivido à passagem do dia 12 de dezembro, encarado e previsto como o possível fim do mundo, tudo voltou ao normal sem grande consciência do que realmente conta para se poder viver. Foi interessante verificar como algumas mentes se tornaram mais humildes e sinceras e publicitaram mensagens de eterna gratidão àqueles que os rodeiam. Talvez com receio que fosse mesmo esse o seu último dia, quiseram tentar comprar o seu bilhete para o paraíso tornando-se anjos com sentido de paz e de amizade. O fascinante no ser humano, é como se vende facilmente só com a intenção de ter mais uma oportunidade de viver, mostrando contudo o quão vulnerável é essa intenção pois mal se assegura que sobreviveu puxa novamente o tapete para si, mesmo que com isso faça cair todos os outros. Interessante ver como a animosidade do ser humano é tão patente quando este se julga ser controlador e dominante mental e físico sem contudo perceber a sua pequenez de espírito e consciência. A verdade é que o fim do mundo vê-se já em todos os dias, quando existe canibalismo no trabalho em vez de cooperação, quando as pessoas preferem vestir e usar um traje e máscara todos os dias em vez de se apresentarem ao mundo tal como são, sejam elas como forem, quando amigos e amores mostram afecto através das redes sociais e no entanto não conseguem ter a mínima comunicação quando estão próximos. Quando o bem-estar e a confiança pessoal depende do número de respostas a comentários ou o número de gostos nos torna popular. Quando os pais já não sabem dizer não aos filhos e são escravos do seu desejo e falta de educação. Quando professores estão presos a papéis que não os permitem educar os seus alunos e torná-los estudantes e passam a ser babysitters ou mesmo alvo de gozo da parte infantil. Quando um governo rouba, castiga e cospe na cara da sua população e ainda o faz com gozo pois este mesmo povo olha para eles como intocáveis e prefere ver programas que lhes diminui ainda mais o pequeno cérebro que já possuem. Quando famílias apenas se juntam no natal porque é natal e no entanto durante todo o ano não se falam e o que falam é deprimente nas costas uns dos outros. Quando os pais já não passam tempo nenhum com os filhos, não porque não possam, mas porque os filhos já só servem para assegurar uma posição social. Quando se conseguem postos de trabalho não pelo mérito e conhecimento pessoal, mas sim por uso de poder e cunhas. Quando se gasta o que se tem e não se tem só para continuar a aparentar uma vida social rica e preenchida. Quando se maltratam crianças, idosos, animais, como se fossem objectos e sem contudo se ser devidamente castigado pois a justiça serve para castigar aquele que não sabe ou não se pode defender. Por esses e muitos outros motivos podemos compreender que o fim do mundo não está numa data mas está mesmo no diário dos seres humanos que tanto anseiam ser imensos que se vão amontoando e calcando os corpos uns dos outros em busca de chegarem mais alto. Percam um pouco de tempo a pensar realmente qual o caminho que querem, pois sinceramente, nesta vertigem a nossa existência não demorará a desaparecer. Seremos tão fáceis como os maias, que tanto quiseram prever o futuro que acabaram o seu sem perceber realmente porquê.

Nenhum comentário:

Postar um comentário