Durante muitos dias, meses, fomos bailando os nossos corpos, iludindo as nossas mentes, enfeitiçando o desejo carnal em cada um. Fomos aproximando as nossas vontades sempre de olhos bem colados um no outro. As fantasias foram mais do que muitas e de tantas vezes foram criadas que a atracção tornou-se impossível de controlar. Parecemos crianças no comportamento, sem saber o que fazer ao certo, porque nos queremos imenso e ao mesmo tempo não nos queremos magoar. Dançamos como cobras entrelaçadas, sentimos o corpo um do outro e ambos sabemos que o caminho para trás há muito se perdeu, sabemos o que nos espera pela frente e sabemos que isso nos assusta pois será eternamente intenso e saboroso mas também sabemos bem que a qualquer momento tudo poderá cair com estrondo. As palavras não saem, os gestos multiplicam-se e o olhar já está em chama expondo o que vai dentro de cada um. Procuramos acalmar-nos esfriando o corpo com líquido que evapora mesmo antes de nos tocar nos lábios. Caminhamos lado a lado, tocando-nos constantemente, a cidade, a luz e as suas sombras, acompanham-nos e seguem-nos no ritmo. A mente percorre a uma velocidade mais rápida e intensa que o próprio coração que já por si cavalga como um mustang, sem sentido nem orientação a não ser por vontade e força próprias. Parámos e observamos a beleza que nos rodeia, mais uma bela imagem que fica para sempre na mente de qualquer um, observamos a pele um do outro e já se torna impossível não nos ligarmos como um. Todas as camadas de roupa foram já retiradas subtilmente pelo olhar perverso e desobediente da nossa imaginação, o risco é imenso, o perigo de cairmos nos braços um do outro para sempre alimenta a intensidade estática que nos envolve. Já nada que nos rodeia interessa, somos apenas um, sobre um foco fosco de luz tal é a intimidade que nos cerca. A viagem em nós torna-se interminável e ao mesmo tempo tudo o que mais desejamos é que ela não se perca rapidamente, percorremos caminhos que ambos sabemos que nos levam de volta ao que não desejamos, ao normal, à realidade e à dor de ter de nos deixar. Um último beijo aquece os lábios húmidos e desejosos por mais, enquanto o coração chora por dentro pois sabemos bem que este pode ter sido o nosso último tango...
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