terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cri(a)ctividade

A mente humana é incrivelmente poderosa e elástica, permite ir para campos onde nunca estivemos, possibilita viver experiências que nunca usufruímos anteriormente, orienta-nos para a possibilidade de uma evolução constante mesmo quando em repouso. Contudo, esta é totalmente incapaz de viver de forma independente e autónoma. Sem a devida exercitação e estímulo, não serve para absolutamente nada a não ser manter o suporte básico de vida vegetal do sujeito. É como uma locomotiva que necessita constantemente de lenha para progredir no seu trajecto exploratório e produtivo. Para que exista essa lenha é preciso ter iniciativa de a cortar e também de procurar os melhores terrenos, os que excitam mais os neurónios que coabitam de forma electricamente activa e pacífica na nossa mente. Rodear-nos de agentes activos e criativos que nos permitam aprender e apreciar o que nos rodeia, catalizando indirectamente o potencial concretizador imaginativo que possuímos. Indirectamente porque qualquer impulso que nos atinja exteriormente, sendo ele de que magnitude e intensidade for, se não for recebido e encarado como tal, jamais o nosso cérebro criará um impulso reprodutor dessa mesma corrente construtora. Sem isso provavelmente o cérebro será apenas atingido e calmamente destruído por esses choques infrutíferos. Assim, o fundamental será sempre procurar o máximo de agentes reactivos e activos em nosso redor e procurar interiormente produzir criatividade, criar actividade que sustente a nossa evolução e daqueles que nos rodeiam. Isto não só num plano interior como exterior, pois guardar e limitar a nossa criação ao plano íntimo acaba por nunca ser devidamente valorizado, pelo contrário, pelo mundo exterior que nos observa e nos exige concentração e empenho para o seu melhoramento. Desta forma há que perceber o quanto é fundamental alimentar o cérebro com o próprio produto dessa mesma criação, ou seja o produto final permitirá o sustento das bases para novos projectos e intenções criativas, idealizando uma busca constante e incessante em ser mais eficiente e eficaz. Que pena seria terminar a última página do nosso livro percebendo que nunca fizemos realmente algo significante e que pior do que tudo nunca compreendêssemos o porquê de tanta inactividade e cadência para a exiguidade existencial.

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