terça-feira, 6 de março de 2012

Vida partilhada, exposta, publicitada, ou vendida?

O fantástico mundo do facebook, e de outras plataformas, tem um poder e uma capacidade fenomenal, exponencial para apresentar, demonstrar vários momentos, assuntos, experiências, comunicações, etc, entre seres humanos. Tal e qual como outros meios de comunicação, como a rádio, televisão, papel, etc, a web apresenta cada vez mais uma facilidade de expandir de uma forma que ultrapassa rapidamente a potencialidade exponencial. Contudo, como quase tudo, existem prós e contras à sua utilização. Como sempre cabe ao ser humano escolher o que fazer com tamanha ferramenta, tal como a energia nuclear ou a formação de novos compostos químicos, o ser humano tem uma tendência natural para deturpar a pureza existencial na origem do produto, catalizando-o para um processo de degradação que termina normalmente em alienação. A plataforma tem em vista acima de tudo, a possibilidade de encontrar pessoas que não víamos há algum tempo, comunicar com elas, publicitar eventos, blogs, vídeos, várias formas de informação que enriquecem quem visualiza. Mesmo a exposição de fotos permite a familiares e amigos, quando não existe outra forma de comunicação ou de estar presente na vida de cada um, de visualizar como decorre a vida de cada um, comentar de forma positiva e alegre até essas mesmas fotos. No entanto, se verificarmos e analisarmos minimamente o que cada pessoa faz quando entra nestas plataformas, verifica que a bondade e objectividade que deveriam ter é ligeiramente, raramente o é, deturpada. Serve mais para "espiar", "cuscar", "desejar", controlar", "conquistar", as pessoas que são nossas "amigas" e que em muitos dos casos nem uma conversa de café alguma vez tiveram. Perceber ou querer saber porque é que a antiga namorada ou namorado nos deixaram, o que é que este nosso rival tem que eu não tenho, viver a vida das outras pessoas, etc, em nada nos é benéfico. Pelo contrário, a mágoa é maior, o desinteresse e orgulho em nós é cada vez mais diminuto, a raiva e muitas vezes rancor puro tornam-se obsessivos, e no final, a culpa é toda nossa de ficarmos em estados deploráveis e com depressões irrecuperáveis. Viver a vida com simplicidade e compreender o verdadeiro sentido e objectivo de cada instrumento é provavelmente a forma mais fiel e produtiva que temos de crescer e alimentar.

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