quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Enraizados

Enquanto ser pertencente ao conjunto de outros seres, de uma forma mais ou menos simbiótica, o ser humano vai criando laços de conhecimento, sentimento, sentido e pensamento conjunto que o faz sentir e ser absorvido por esse mesmo conjunto que o circunda e o encrosta. Cria em ambos os sentidos um compromisso de enriquecimento cultural conjunto evolutivo e reprodutivo. Contudo, para que por vezes este crescimento, provavelmente o de ambas as partes, seja mais vitaminado é necessário sair da própria caixa que os acomoda e aconchega, arrancando raízes para que ambos sejam mais livres e para que se lancem novas raízes com vista a uma fortificação e expansão maiores. Dessa forma, provavelmente, a falta de substância primária irá criar cede no respectivo sujeito e despoletar um sentimento de afirmação do erro, do risco e da aventura inevitáveis para um novo sucesso. De outra forma, possivelmente também, a probabilidade de ser consumido pelo próprio meio até ao ponto de falta de interesse e desejo em crescer torna-se inevitável e fatalista. Lembra o caracol, que por tanta vontade em se querer defender e se acomodar carrega consigo a sua casa, sem compreender com clarividência o quanto isso o atrasa e o quanto a sua casa é frágil perante qualquer intempérie. Não quero com isto dizer que se lancem de pescoço bem alto como as girafas em busca dos ramos mais altos e verdes, isso acaba por provocar desequilíbrio, fraca e lenta locomoção e acima de tudo vertigens. Sejamos ponderados e compreendamos que as nossas asas só são extensíveis à medida da nossa capacidade e imaginação.

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