sexta-feira, 30 de março de 2012

Ensinar através do não, caiu em desuso.

Antigamente as figuras paternas eram vistas com imenso respeito, por vezes com receio ou medo, mas acima de tudo por uma compreensão de que a idade era sinónimo de mais experiência e poder de decisão. Isto devia-se principalmente a um efeito colectivo da sociedade em educar os filhos a compreenderem e entenderem o seu lugar no mundo e qual o seu papel, havia de ambas as partes a perfeita noção do que se deveria fazer. Ninguém questionava isso, era um atentado sujeito a levar um par de bofetadas, o que até não fazia assim tão mal de vez em quando, diga-se, por vezes era preciso para acordar um pouco. Poderia-se quanto muito solicitar, de forma muito carinhosa e depois de os deveres todos feitos durante dias, algo que fosse do nosso agrado e que fosse um pouco contra a rotina. O que se verifica no contemporâneo é uma inversão de papéis, onde os pais estão sujeitos aos filhos, ao que querem e desejam, e sem levantar muito a voz porque se não a criança ainda berra mais e mais alto e então já se começa a criar um ambiente mesmo de perseguição aos pais que tão mal tratam a criança. Esta não sabe mais ouvir que não, é sim e agora, como quero e me apetecer. A culpa não está na criança, acima de tudo o macaquinho não é muito mais do que aquilo que lhe é projectado hoje em dia, já que o pensamento livre e aberto deixou de existir. A culpa está sim nos pais que tanto quiseram ser diferentes dos seus antecessores, tanto quiseram ser os amigos dos filhos, a procura na aparência cool foi de tal forma gritante e desesperante, que se subordinaram perante o mimo excessivo dos filhos, verdadeiramente estragados e viciados nesse cuidado. Se o panorama antigo não era o ideal, longe disso, este parece claramente bem mais perto do abismo.

Um comentário: