Antigamente as figuras paternas eram vistas com imenso respeito, por vezes com receio ou medo, mas acima de tudo por uma compreensão de que a idade era sinónimo de mais experiência e poder de decisão. Isto devia-se principalmente a um efeito colectivo da sociedade em educar os filhos a compreenderem e entenderem o seu lugar no mundo e qual o seu papel, havia de ambas as partes a perfeita noção do que se deveria fazer. Ninguém questionava isso, era um atentado sujeito a levar um par de bofetadas, o que até não fazia assim tão mal de vez em quando, diga-se, por vezes era preciso para acordar um pouco. Poderia-se quanto muito solicitar, de forma muito carinhosa e depois de os deveres todos feitos durante dias, algo que fosse do nosso agrado e que fosse um pouco contra a rotina. O que se verifica no contemporâneo é uma inversão de papéis, onde os pais estão sujeitos aos filhos, ao que querem e desejam, e sem levantar muito a voz porque se não a criança ainda berra mais e mais alto e então já se começa a criar um ambiente mesmo de perseguição aos pais que tão mal tratam a criança. Esta não sabe mais ouvir que não, é sim e agora, como quero e me apetecer. A culpa não está na criança, acima de tudo o macaquinho não é muito mais do que aquilo que lhe é projectado hoje em dia, já que o pensamento livre e aberto deixou de existir. A culpa está sim nos pais que tanto quiseram ser diferentes dos seus antecessores, tanto quiseram ser os amigos dos filhos, a procura na aparência cool foi de tal forma gritante e desesperante, que se subordinaram perante o mimo excessivo dos filhos, verdadeiramente estragados e viciados nesse cuidado. Se o panorama antigo não era o ideal, longe disso, este parece claramente bem mais perto do abismo.
Não poderias estar mais certo a meu ver, claro!
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