A vida coloca-nos situações diárias, basicamente a cada segundo pelo menos uma, onde temos várias opções de escolha, sendo muito rara a situação de não ter a mínima opção. Grande parte das situações é facilmente resolvida pelo nosso sub-consciente após um longo período de aprendizagem que nos leva a nem ter noção dos nossos actos. Fazem parte destes momentos, o levantar, alimentar, tomar banho, andar, ou seja as nossas rotinas diárias que realizamos e onde muitas vezes estamos comunicar, pensar noutro assunto qualquer sem ter consciência do resto. Depois existem várias situações onde existe o mínimo de consciência no processo de acção mas que contudo a nossa decisão já está mais ou menos tomada sem ser alvo sequer do mínimo juízo de consideração, ir trabalhar ou estudar, alimentar, higiene, etc, acções que são basicamente indispensáveis à nossa sobrevivência e por isso pensamos nelas e quanto muito decidimos se as fazemos no imediato ou se as adiamos. Para além destas existem acções, de carácter menos ordinário onde julgamos ter um poder de decisão perante as opções que nos são apresentadas, o leque de opções cresce conforme o conhecimento que temos e a informação que nos é fornecida, mas que contudo, apesar de acreditarmos que estamos a tomar uma decisão consciente e racional, esta é muitas vezes determinada numa fase pré-acção. A escola que frequentamos, o clube, a namorada, os amigos, os filmes que visionamos, o prato que escolhemos no restaurante, são decisões que já foram tomadas mesmo antes de termos consciência delas, acreditamos que não é assim, mas o próprio cérebro como ser fantástico de análise de probabilidades e possibilidades que é, embora viciado e talhado para errar, faz-nos acreditar que aquela escolha é inteiramente nossa, dando-nos imenso motivos para nos encarreirarmos para tal decisão. Num plano quase meramente platónico, existem algumas decisões que são absolutamente puras e de leitura óptica perante as opções existentes, momentos muito raros na vida humana, e que só alguns as sentem, momentos de clarividência, onde nos conseguimos colocar fora do nosso próprio ser e avaliar a situação tal e qual como ela é. Como ocorrem, porque ocorrem não sei explicar, são estádios de consciência que não tenho conhecimento para cientificar ou vos explanar, contudo é certo que existem e fazem-nos sentir mais humanos. Não são mais importantes que os outros, todos os momentos são fulcrais para o ser humano viver e sobreviver, aliás na nossa actividade diária profissional, quantas mais acções conseguirmos tornar sub-conscientes melhor, mas estes momentos dão realmente um brilho diferente, de concretização pura de todo o ser. Apenas uma nota final, a nossa vida é acima de tudo definida pelas decisões que tomamos, sejam elas de acção, mas principalmente as de inacção, têm um factor normalmente mais decisivo.
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