Existem vários momentos e experiências que nos fazem sentir no céu, num espaço de transcendência onde nada dói, nada preocupa, nada faz pensar, apenas se sente uma energia diferente por todo o corpo. Percorre-nos com enorme força e vivacidade e deixa-nos contudo com um sentimento de leveza, de purificação e exaltação. Marcar um golo, ter uma excelente nota num exame, o primeiro beijo, festas de anos, um novo contrato ou ir para um novo projecto, são momentos que nos fazem sentir assim, tais como muitos outros, perdidos de felicidade onde nos sentimos a tocar as nuvens. Contudo são apenas momentos, que nos enchem o dia mas que são essencialmente vividos num instante. Existem para além destes, actividades que nos enchem e preenchem profundamente, de cima a baixo, de um extremo ao outro, e que são também elas de transcendência fora do comum, acima de tudo porque são vividas e sentidas intensamente durante o momento em si e não fora dele, que nos catapultam para outro mundo. São exemplos disso, a música, a dança, a pintura, o desenho, o cinema, corrida de longa duração, nadar, conversar num café com os amigos que raramente vemos mas que tanto os sentimos, momentos de cumplicidade pura e íntima, etc. Mais uma vez não serão os mesmos momentos para toda a gente vividos de forma semelhante, provavelmente para alguns de forma oposta, mas certamente existirá indivíduos que se revêm. Experiências incomparáveis e inesquecíveis que nos fazem percorrer campos a que não estamos habituados e que nos exaltam o cérebro de hormonas, mostrando claramente a sua vivacidade e energia dentro dele. A dança, apesar de não ser dançarino, é provavelmente uma das experiências mais puras e reais de todas as que mencionei entretanto. Na dança não existem segredos, não existem omissões, não existem mentiras. Para se poder dançar, a solo mas principalmente com um par, é preciso dar e mostrar tudo o que temos, não o que está no nosso rosto e corpo, mas o que está dentro de nós, aquilo que realmente nos move e mostra aquilo que somos. A dança é no fim, o verdadeiro espelho do verdadeiro eu, e dentro dela, com a música representando a nossa vida, o ritmo o nosso batimento de coração, expressa-se toda a nossa personalidade e carisma. Expõem-se o eu a nu e encarna-se o par como um só.
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