sexta-feira, 30 de março de 2012

Ensinar através do não, caiu em desuso.

Antigamente as figuras paternas eram vistas com imenso respeito, por vezes com receio ou medo, mas acima de tudo por uma compreensão de que a idade era sinónimo de mais experiência e poder de decisão. Isto devia-se principalmente a um efeito colectivo da sociedade em educar os filhos a compreenderem e entenderem o seu lugar no mundo e qual o seu papel, havia de ambas as partes a perfeita noção do que se deveria fazer. Ninguém questionava isso, era um atentado sujeito a levar um par de bofetadas, o que até não fazia assim tão mal de vez em quando, diga-se, por vezes era preciso para acordar um pouco. Poderia-se quanto muito solicitar, de forma muito carinhosa e depois de os deveres todos feitos durante dias, algo que fosse do nosso agrado e que fosse um pouco contra a rotina. O que se verifica no contemporâneo é uma inversão de papéis, onde os pais estão sujeitos aos filhos, ao que querem e desejam, e sem levantar muito a voz porque se não a criança ainda berra mais e mais alto e então já se começa a criar um ambiente mesmo de perseguição aos pais que tão mal tratam a criança. Esta não sabe mais ouvir que não, é sim e agora, como quero e me apetecer. A culpa não está na criança, acima de tudo o macaquinho não é muito mais do que aquilo que lhe é projectado hoje em dia, já que o pensamento livre e aberto deixou de existir. A culpa está sim nos pais que tanto quiseram ser diferentes dos seus antecessores, tanto quiseram ser os amigos dos filhos, a procura na aparência cool foi de tal forma gritante e desesperante, que se subordinaram perante o mimo excessivo dos filhos, verdadeiramente estragados e viciados nesse cuidado. Se o panorama antigo não era o ideal, longe disso, este parece claramente bem mais perto do abismo.

Crise? Só se for de espírito...

Após anos e anos onde as pessoas passaram dificuldades e onde a abundância era residual e muito restrita, observa-se um fenómeno de recheio cremoso na sociedade. Se antigamente as pessoas eram na maioria magras e não havia grande caché para comprar roupa nova e materiais novos, pouco mais havia do que para pôr comida na mesa, agora observa-se o oposto, há tanto dinheiro que as pessoas compram muita roupa e materiais e não têm por vezes comida na mesa. Diz-se que antigamente é que se ganhava muito dinheiro e se faziam fortunas, que no tempo actual é impossível sequer poupar, contudo nunca houve tanto consumismo. Antes quem tinha carro era rei, quem tinha tv de outro planeta, quem tinha roupa de marca de classe alta ou ia para um casamento. Hoje as pessoas têm um bom carro, uma tv maior do que elas, tal e qual como a barriga, roupa só de marca, fumam, almoçam e jantam fora, os filhos também, toda a gente fica gorda e depois gasta dinheiro num ginásio para dizer que tem um cartão do ginásio, porque pela aparência volumosa raramente o devem utilizar, vão de férias para todo o lado, têm no mínimo dois telemóveis e se possível um ipad, todos eles no mínimo de última geração. Fala-se em preços de combustível mas nunca vi tantos carros na rua, principalmente para viagens que não se chega a aquecer a borracha das sapatilhas se se preferir esse meio de locomoção. Fala-se em livros demasiado caros, mas vê-se revistas do "diz que disse" a toda a hora, fala-se em não ter como educar e investir melhor nos filhos e os cafés estão sempre cheios e os canais de cabo sempre activos e com pacotes extra. As desculpas são muitas, mais do que os exemplos naturalmente, a cegueira é tal que é provocada pelo lançamento da própria poeira. Fala-se em crise económica? Comecemos por tratar primeiramente a mental que assume já sintomas crónicos.

terça-feira, 27 de março de 2012

Corpo Pensante

Desde cedo na humanidade se procurou dividir o corpo da mente, a carne do intelecto. O corpo estava acima de tudo indicado como motor da locomoção e como potenciador de irracionalidade. A mente por outro lado, numa patente maior, controlava o corpo e era racional. Contudo e conforme os estudos foram sendo possíveis de realizar, compreendeu-se que afinal não é bem assim. Não só o corpo não é assim tão divisível, como as características de cada área não são assim tão opostas e determinadas. Acreditar que o corpo não pensa ou que a mente não se move é ser ingénuo. Compreendo ainda que para alguns este paradigma tenha algum sentido, afinal o corpo pouco ou nada usaram, acreditando que tudo o que sentiam provinha da sua mente. Acredito até que para outros, os homens do desporto sempre tenham parecido ser apenas bestas que se alimentam da imagem e dos seus músculos para proveito e para triunfarem na sociedade, desde a antiga Grécia que esses filósofos assim o acreditavam. No entanto, nem todo o rótulo tem validade para o mesmo produto, tanto para um caso como para o outro, felizmente existem cada vez mais seres portadores de marca de qualidade reconhecida mundialmente. A verdade é que a pele pensa, os músculos pensam, os próprios ossos pensam, tudo o que é organismo vivo no corpo é pensante, reage, interage, comunica e evolui. Torna-se mais eficiente e profícuo, mais inteligente, mais resistente e melhor preparado para o presente e para o futuro. O treino de toda a corporalização é fundamental e permite ao indivíduo ser mais consciente de si e do que o rodeia. A expansão de todas estas potencialidades corporais pode, no futuro, tornar o ser humano mais perfeito, mais racional, mais uno, mais aquilo que deve ser, um ser evolutivo e revolucionador.

Mares e Continentes

Inicialmente a terra estava constituída por um grande continente que era circundado por um mar extenso. Assim todos os continentes na sua génese tem tendência a ser semelhantes, com elementos semelhantes pois foram formados da mesma forma e com o mesmo critério, a sua parecença é reconhecível a olho. Com o passar dos anos, muitos anos, e através de vários fenómenos brutais e por vezes abruptos, este mesmo continente foi-se dividindo em pedaços mais pequenos, e depois desse passo jamais houve um processo de reconciliação. A sua forma continua a permitir quase plenamente o encaixe entre todos, mesmo passado tão longo período de tempo, o que um não tem o outro permite ser o seu complemento. Contudo, o afastamento é cada vez maior, pois os sentidos em que se deslocam normalmente são opostos e o que surge do fundo da terra são novos materiais que empurram ainda mais estes maiores a uma distância que já nem permite ver-se no horizonte. Apesar de toda esta catástrofe, que faz com que os continentes se vão alterando cada vez mais e tornando-se assim mais irreconhecíveis a partir de uma visualização exterior, o ser humano tem permitido sempre manter contacto entre eles, construindo pontes entre eles, umas aéreas, outras navais, outras de betão. Assim por muito que a natureza do destino e do futuro sejam a da separação, irá sempre existir quem consiga manter o essencial, a ligação entre o que é basilar e o que na base é único e essencial. Tal e qual como o sentimento entre duas pessoas, o seu sentimento, mesmo que só pensado permite que estes se mantenham para sempre próximos. Por muitos mares que existam, e por muito que eles sejam enormes, cada continente continua a saber perfeitamente a onde pertence e quem realmente lhe dá consistência e força.

Amigos

Ao longo da vida o número de pessoas que consideramos como amigos vai variando. Por vários motivos, e número vai oscilando sendo que na fase inicial da vida até à fase adulta é quando normalmente existem mais oscilações. Estas pessoas são pessoas que consideramos normalmente como muito próximas, que estão dispostas a ajudar a vários níveis, a quem ajudamos também e em quem confiamos partilhando informações, experiências e vivências actuais e já passadas. São de certa forma o nosso diário humano. Contudo a consideração do que é ser amigo é bastante ampla, e por isso as significações que dei inicialmente são apenas, julgo, universais a todos os ser humanos quando querem dizer o que significa amigo. Por isso mesmo a abrangência dessa significação determina em grande parte o número de amigos que se tem na vida. Talvez não por acaso, quanto mais inteligente se é, mais culto, mais vivido e com mais experiência, menor é o número de amigos. O asno tem tendência a delimitar rapidamente as pessoas, em amigo ou inimigo, e tudo o que não for conhecido em "os outros" como se estivessem do lado de lá da vitrina, ou género de uma criança. Assim o número de amigos que tem é normalmente bastante grande, embora o número de inimigos também e por isso também exista uma grande vulcanização na sua vida. A forma como considera os seus amigos é simples e directa e basicamente baseiam-se numa relação de osmose vivencial. O ser um pouco mais inteligente, não deixamos de ser todos um pouco burros no final do dia, tem em conta mais aspectos, relações normalmente mais sustentadas quer em quantidade de experiências quer na qualidade de tempo vivido nessas experiências. Dessa forma, o seu leque de critérios para a consideração desse conceito é bem maior o que torna o leque bem mais pequeno, um género de itens que vão seleccionando os vários indivíduos, em forma de jogo "quem é quem", o que acaba por no final resultar num número bastante reduzido. Será mais vantajoso ter poucos mas bons, a "ter" muitos mas mascarados ou passageiros. Nem tudo o que reluz é ouro...

sexta-feira, 23 de março de 2012

One of these mornings...

Por vezes chegamos a um ponto em que dizemos que já não aguentamos mais. Andamos em fase de ebulição durante longo período de tempo até que pouco mais material temos para transformar e então salta-nos a tampa. No meu caso, a banalidade, rotina, pensamento estereotipado, falta de ambição, queda na normalidade, julgamento precipitado e falta de perspectiva, acabam por me cansar redondamente. Leva imensa tempo a que isso aconteça, normalmente só tendo o mínimo de importância é que também se chega a dar o mínimo de valor para que isso aconteça, mas quando depois a tampa salta, salta de vez e então fecha-se a porta, desliga-se a luz e tira-se a tomada. Aliena-se completamente a ligação. Felizmente ou infelizmente cada vez são mais os casos em que isso acontece, começo a cansar-me verdadeiramente de várias pessoas, situações e experiências. As pessoas agem como se nada tivessem feito de mal, como nada tivesse ocorrido, embora verdadeiramente note-se em cada palavra proferida o receio em incendiar o discurso. Temerosos, abordam a vida de forma subtil e banal o que torna tudo ainda menos interessante, pois frontalidade e carisma tendem mesmo a desaparecer por completo. Ou seja, deixa de haver respeito sequer por tomada de posse de tal sujeito, não existe mal nenhum em decidir caminhos menos homólogos, mas existe sim em mascarar e não substanciar devidamente essas decisões. Depois, passados longos períodos de tempo, as pessoas esperam que as outras ainda lá estejam, como se de certa forma lá estivessem sempre dependentes e ansiosas da sua chegada, pena é que muitas vezes a manhã leve a sombra e o corpo do sujeito que foi aguardando e desejando que tudo fosse diferente...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Prazer de ensinar e de aprender

Ultimamente vários têm sido os momentos onde é necessário dar formação a novos treinadores ou a treinadores que iniciaram recentemente a sua actividade na empresa, o que leva a momentos de análise, reflexão e avaliação destes embora num plano não estritamente analítico pois as aulas decorrem e é necessário intervir ou auxiliar para além dessa acção. Se é um prazer enorme ensinar crianças, adolescentes ou adultos a jogar futebol, ensinar treinadores a serem treinadores ou melhores treinadores também o é. Não sou propriamente perito, muito longe disso, a idade é mais do que tenra e a experiência residual, mas mesmo assim duas cabeças a funcionar para um bem comum são normalmente mais eficazes. O fabuloso do processo acima de tudo é que para além de ensinarmos aprendemos também, e aprendemos três vezes em momentos praticamente momentâneos, aprendemos a melhorar a nossa forma de ensinar, aprendemos ouvindo o que os outros pensam e nos ensinam através da sua explanação da formação que tiveram, e aprendemos também a pensar em tudo o que temos e obtivemos de novo e a processar novo material, novo conteúdo com o qual trabalhamos. Acredito que em grande parte dos casos, se perguntarmos na verdade nunca saberemos a verdadeira essência da resposta, mas em vários casos também não deixa de ser verdade que uma "tempestade mental" entre um grupo de pessoas acaba por ser muito produtivo. O mais importante acima de tudo é não dar respostas como soluções perfeitas, elas não existem perante nenhuma situação problemática mas sim procurar criar mecanismos que levem a criar um leque de soluções que posteriormente devem ser analisadas e testadas com vista a uma adequação própria a cada situação, o medicamento próprio para cada doença. Acredito que aprendo cada vez mais quanto mais ensino.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Só há problema se existir solução

A profissão, e em geral a vida, coloca várias situações que poderão ser encaradas como barreiras à normal caminhada do sujeito. Por uns encaradas como situações de difícil transposição, por outros como o ponto final num determinado trajecto e por outros como mais um incentivo motivacional à superação do ser, são situações que poderão então ser resolvidas de várias formas. Dentro de cada forma, sendo que as duas primeiras são básicas na sua contemplação, ou não se ultrapassa ou se espera que alguém nos ajude a passar, existem então na última forma várias formas de contemplar, reflectir e resolver o puzzle. Se muitas vezes existe a tentativa de encarar a situação e resolvê-la com o antídoto do contraditório, se não podes fazer asneiras não as faças, e esta costuma ser a forma mais simples, menos pensada e fácil encontrada pela maioria das pessoas, o seu resultado costuma ser meramente passageiro e sem aprendizagem. Aliás a tendência para cometer o erro novamente será ainda maior dando ainda mais lógica a uma das leis de Murphy. Procurar resolvê-lo de uma forma directa, ofensiva e corrosiva acaba acima de tudo por apenas destruir todo o seu espaço e essência, deixando no espaço um vago que nunca é devidamente preenchido por falta de uma aprendizagem construtiva. Possivelmente a melhor forma de absorver o problema e torná-lo numa solução partirá por compreender primeiramente porque é que este é um problema, quais as suas forças, quais as suas dinâmicas e sentidos, e dessa forma orientá-lo num sentido mais produtivo, mais profícuo. A passagem do branco para o preto de forma bruta e abrupta acaba por descontextualizar todo o processo de fluidez e de apreensão construtiva e progressiva da aprendizagem. Nem tudo o que existe no problema é mau, é ele que nos faz pensar e talvez muito dele esteja correcto para o que pretendemos da nossa construção da solução. Aliás ele só existe se existir solução, doutra forma não o poderemos considerar como problema. O planeamento progressivo, construtivo após uma análise cuidada de todo o ser do problema, e de uma integração numa dinâmica de um todo, é que possível de ser compreendido, tratado e solucionado com vista a uma evolução crescente e positiva da formação do ser e do grupo a ele pertencente.

terça-feira, 13 de março de 2012

Opções

A vida coloca-nos situações diárias, basicamente a cada segundo pelo menos uma, onde temos várias opções de escolha, sendo muito rara a situação de não ter a mínima opção. Grande parte das situações é facilmente resolvida pelo nosso sub-consciente após um longo período de aprendizagem que nos leva a nem ter noção dos nossos actos. Fazem parte destes momentos, o levantar, alimentar, tomar banho, andar, ou seja as nossas rotinas diárias que realizamos e onde muitas vezes estamos comunicar, pensar noutro assunto qualquer sem ter consciência do resto. Depois existem várias situações onde existe o mínimo de consciência no processo de acção mas que contudo a nossa decisão já está mais ou menos tomada sem ser alvo sequer do mínimo juízo de consideração, ir trabalhar ou estudar, alimentar, higiene, etc, acções que são basicamente indispensáveis à nossa sobrevivência e por isso pensamos nelas e quanto muito decidimos se as fazemos no imediato ou se as adiamos. Para além destas existem acções, de carácter menos ordinário onde julgamos ter um poder de decisão perante as opções que nos são apresentadas, o leque de opções cresce conforme o conhecimento que temos e a informação que nos é fornecida, mas que contudo, apesar de acreditarmos que estamos a tomar uma decisão consciente e racional, esta é muitas vezes determinada numa fase pré-acção. A escola que frequentamos, o clube, a namorada, os amigos, os filmes que visionamos, o prato que escolhemos no restaurante, são decisões que já foram tomadas mesmo antes de termos consciência delas, acreditamos que não é assim, mas o próprio cérebro como ser fantástico de análise de probabilidades e possibilidades que é, embora viciado e talhado para errar, faz-nos acreditar que aquela escolha é inteiramente nossa, dando-nos imenso motivos para nos encarreirarmos para tal decisão. Num plano quase meramente platónico, existem algumas decisões que são absolutamente puras e de leitura óptica perante as opções existentes, momentos muito raros na vida humana, e que só alguns as sentem, momentos de clarividência, onde nos conseguimos colocar fora do nosso próprio ser e avaliar a situação tal e qual como ela é. Como ocorrem, porque ocorrem não sei explicar, são estádios de consciência que não tenho conhecimento para cientificar ou vos explanar, contudo é certo que existem e fazem-nos sentir mais humanos. Não são mais importantes que os outros, todos os momentos são fulcrais para o ser humano viver e sobreviver, aliás na nossa actividade diária profissional, quantas mais acções conseguirmos tornar sub-conscientes melhor, mas estes momentos dão realmente um brilho diferente, de concretização pura de todo o ser. Apenas uma nota final, a nossa vida é acima de tudo definida pelas decisões que tomamos, sejam elas de acção, mas principalmente as de inacção, têm um factor normalmente mais decisivo. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Amizade

Existem inúmeros tipos de relação, profissional, amorosa, amizade, espiritual, etc. Se em várias delas o que funciona são essencialmente marcadores formais, pois estabelecem um plano de trabalho, ou por outro lado funcionam essencialmente por marcadores químicos, pois revê-se na outra parte um bom complemento ao nosso ser e estar, a relação de amizade evidencia marcadores ligeiramente diferentes dos demais. A amizade entre duas pessoas ou dentro de um grupo composto por mais do que dois indivíduos apresenta marcadores de complemento e de similaridade, recheados de efeitos químicos e servidos numa bandeja de compromisso formal. Não é um conjunto de marcadores de outro tipo de relação, tem o seu próprio campo e domínio e apresenta-se de forma claramente aquosa, de difícil nomeação. Por isso temos amigos que não vemos há imenso tempo, que não falámos com eles durante esse período e consideramos amigos, e temos outras pessoas com quem convivemos todos os dias e a toda a hora, das quais dependemos por vezes, e nem por isso conseguimos estabelecer uma mínima relação de amizade. Existe algo mais do que precisar e utilizar os serviços da outra pessoa, o seu tempo, o seu humor ou a sua disposição. Existe também algo mais para além da beleza, atracção física, desejo do corpo da parte oposta. Existe uma confiança e crença que a pessoa estará lá mais do que as outras, que nos compreende, que nos apoia, mais do que outro serviço qualquer comunitário. No entanto, apesar dessa outra parte ter aspectos que são semelhantes a nós e nos aproximam, tem de ter, para que a relação seja viável e duradoura, aspectos que são diferentes, muitas vezes de extremos opostos. É natural também existir um certo domínio de uma das partes em vários campos, é o facto de precisarmos de uma pessoa e de ela poder dar e estar disposta a isso que muitas relações de amizade funcionam, sentimo-nos mais úteis e completos, mais sólidos, com essas pessoas por perto. Fazem-nos bem, costuma ser a expressão utilizada. Existem várias condições que podem interferir claramente com uma relação de amizade. Quanto menor for a sua força maior é o número de condições alienantes naturalmente, funcionando tal e qual como uma balança. O tempo costuma ser uma delas, o processo natural de substituição outra, mas acima de tudo penso que a derradeira condição alienante de uma relação passa acima de tudo pelo conhecimento, o conhecimento da outra parte, quanto mais se conhece, mais se desgasta, menos torna entusiasmante, e mais se torna banal, numa curva típica de onda, onde o início tem um crescimento tipicamente crescente e gradual, e a parte decrescente muito semelhante até à alienação. Por isso mesmo e de forma natural, o ser humano não tem normalmente amizades para toda a vida. Quanto muito estas sofrem metamorfoses ou reinícios. Depende acima de tudo da boa-vontade de cada um e da necessidade de complementaridade.

domingo, 11 de março de 2012

Dar tudo de nós

Desde cedo é nos ensinado que devemos partilhar e tentar ajudar os outros, e se for preciso dar de nós para o bem dos outros. Toda a orientação ideológica parece-me sensata e de respeito. Contudo devemos considerar, será que é benéfico para todos que assim seja? Será que o sacrifício pelos outros não é muitas vezes desperdiçado ou mal reconhecido, encarado de forma pouco bondosa não raramente e visto mais como um acto de procura de superioridade ou de super-observação? A vida é longa e curta ao mesmo tempo, depende acima de tudo como a usamos, o tempo que dispomos e a forma como o valorizamos, os erros e os tempos passados em caminhos sem sentido ou sem saída, podem levar-nos a acreditar que nem sempre devemos ser assim tão superficiais na atribuição do tempo que possuímos. Acima de tudo o pensamento deve seguir um padrão de reciprocidade, procurar acima de tudo "perder" todo o tempo com quem "perderia" no sentido inverso e não perder minimamente tempo nenhum com quem não nos dá importância alguma. Até porque muitas vezes as pessoas não querem a nossa ajuda, gostam de estar mal, gostam de ter algo de que se possam queixar, têm de ser mais desgraçadas que as outras, só porque assim acham que são importantes, diferentes, que estão no foco. A verdade é que por vezes quanto mais sabemos, quanto mais inteligentes somos, mais tristes somos. Ignorância por vezes é divina.  

sexta-feira, 9 de março de 2012

Determinação do que é fundamental é fundamental

Se não gostamos de comida razoável, amigos razoáveis, programas razoáveis, porque havemos de gostar de ser razoáveis? Porque não procurar ser aquilo que exigimos constantemente do mundo externo de forma por vezes tão obsessiva e exigente se não o somos por vezes minimamente connosco. Queremos e desejamos ser imensos, maiores que todos os outros, muitas vezes por motivos que nem sempre serão os mais razoáveis e saudáveis. Desejamos isso de forma inconsciente no sentido que não pensamos minimamente no processo para a obtenção da meta ou da para-meta simplesmente, simplesmente o significado da mesma. Não interessa sequer a substância de o sermos, simplesmente o reconhecimento perante os outros de o sermos. Pobre é aquele que acredita que isso acontecerá de forma fácil ou frutuita tal como nos filmes de hollywood. Até podem lá chegar, pois muitas vezes chegar a top depende do nome de família ou das posses de tal, mas chegar a top e manter-se a top, isso só para os de top. Desta forma a determinação do que é fundamental é fundamental, seja isto para uma relação de qualquer tipo, perceber o que é importante e determinante, de outra forma poderemos considerar que tudo é importante e então tentamos dar atenção e fazer tudo, não percebendo o que é importante e assim perdendo tempo com o que não o é acabando por não fazer nada do que realmente é importante de forma importante.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher não existe, não deve ser celebrado, elas fazem o nosso dia todos os dias

Uma mulher, todas as mulheres, que se podem chamar de mulheres, devem ser elogiadas, acarinhadas, mimadas, todos os dias. Não apenas dar-lhes hoje um ramo de flores ou leva-las a jantar, como é típico de quem se lembra da sua apenas nesse dia movido por factores externos sociais. Uma mulher é um ser divino, permite a reprodução, tornar o mundo mais racional, mais atencioso, permite equilibrar a animalidade do homem. Todas as mulheres são belas e são-no porque no seu interior têm características incríveis como o cuidar, o pormenor, a delicadeza, a organização e o sentimento seguro. Exteriormente são o significado do belo, é graças a ela que existe contemplação, paixão e requinte. Vivemos por elas e sonhamos com elas, são elas que nos fazem felizes e são elas que nos preenchem a vida de alegria e amor. Acima de tudo, não conseguimos viver sem elas, porque deixamos de ser nós sem elas. A todas as mulheres, obrigado por serem assim e desejo que sejam o mais felizes possível, não só hoje, não só uma vez lembradas por ano, mas a cada respirar, a cada bater do coração, vocês merecem.

terça-feira, 6 de março de 2012

Homens e Mulheres, serão assim tão diferentes? Sim, claramente.

A questão foi colocada por uma mãe de um dos meus jogadores, que questionava então o que era assim de tão diferente entre os sexos em idades tão tenras. Sendo de idades tão tenras, apresentava ela a ideia de que as diferenças não deveriam ser muitas embora ela se contradissesse dizendo que as havia claramente entre a sua filha e o filho, gémeos puros. Pelo que tenho estudado, lido, analisado, na minha curta vida, a diferença de sexos é de tal forma grande que têm-se a tendência a apontá-la como de extremos e oposta. Primeiramente dizer que a diferença entre bebés, crianças e adultos não é assim tão grande, tal como a diferença que nos separa dos animais ditos por algum ignorante não racionais, também não o é. Se os animais são muitas vezes mais racionais e sensatos que nós, a verdade é que muitas vezes o comportamento, atitude, pensamento de uma criança ou bebé não é assim tão desigual para um adulto ou idoso. Na sua base, o ser humano tem uma tendência clara para expor os seus caracteres mais marcantes de forma igual de intensidade e visualização ao longo da sua vida. O meio muda acima de tudo a pele do ser humano, esta pele não a de orgão mas de personalidade. No caso da diferença dos sexos, onde só existe guerra acima de tudo por falta de compreensão, inteligência e comunicação, esta é enorme e intemporal. O homem, tudo isto de forma apresentada na generalidade e na generalização, tem tendência a ser irracional e simples na sua acção, pura no sentido de só ter esse sentido, por isso muitas vezes considerados ignorantes pelas mulheres. As mulheres, muitas vezes consideradas como complicadas pelos homens e muitas vezes por elas mesmas, tem tendência a uma racionalização constante e por vezes obsessiva de tudo, o que não estranhamente as leva a um sobrecarregamento e a um desnorte que provoca um efeito curioso, o de muitas vezes não saberem ao certo o que querem. Os homens não se acham simples nem complexos porque muitas vezes nem pensam nisso, são o que são e tem tendência a gostar do que são porque se sentem mais confiantes dessa forma. As mulheres são normalmente menos confiantes, embora mais conscientes disso e por isso assumem uma posição de maior segurança na sua exposição. Os homens expõem-se não pensando minimamente no erro, porque acima de tudo o erro será sempre encarado como provocado pelo exterior, e raramente pelo interior. A mulher antes de se expor, pensa nos erros todos e no erro que existe em cometer esses mesmos erros e por isso considera muitas vezes que o erro é seu e só seu, mesmo que não exista a mínima sustentação para isso. Por isso as mulheres são bem mais cautelosas, tudo o que tem tendência a fazer é pensado ou minimamente premeditado por pensamentos e julgamentos anteriores. Percebe-se tudo isso enquanto se realizam aulas com rapazes e raparigas, enquanto se vai no autocarro a caminho do trabalho ou para outro destino qualquer. As mulheres e homens são claramente diferentes um do outro, incompatíveis, jamais, com a devida decência e imaginação, o perfeito equilíbrio entre eles.

Mudança nos padrões comportamentais

A história recente tem sido interessante no ponto de vista da compreensão do comportamento humano. Se durante séculos, mesmo milénios, o que comandou o homem acima de tudo foi a glória, ser eterno, expansão territorial e familiar, pouco mais existia na mente humana, pelo menos na grande generalidade, os últimos tempos tem se mostrado diferentes. Em certa medida, é de louvar e agradecer que assim tenha sido até há umas décadas atrás, podemos considerar mesmo todo o capitalismo como uma metáfora desse mesmo pensamento e orientação. Naturalmente devemos punir muitos dos que foram os meios para tal sucesso e angariação, mas do ponto de vista estritamente evolucionário da espécie, pudemos constatar que o sucesso foi tremendo e imperador. No entanto, ao longo dos últimos anos a análise do padrão comportamental do homem tem-se alterado imenso, de tal forma, que tende a enraizar cada vez mais as suas extremidades, provocando uma extensão irresistível do seu tronco, núcleo. Se por um lado, o que antes era glorificante de conquistar, neste momento tornou-se uma ambição imensurável por parte de alguns que não olham a meios nem senso à sua atitude e acção para tal. Por outro lado, existem outros, muitos, onde a apatia perante o sacrifício e alienação de uma vida digna não parece importar. Outros, influenciados por correntes de vivenciação momentânea tem tendência a irracionalizar o seu processo não perspectivando qualquer produto. Várias são as correntes no momento que se normalizaram e que até então seriam consideradas anormais e extremas. Até este momento nada de muito mau que se possa criticar com justa causa, acima de tudo cada um vive a sua vida como quer dentro do que a realidade lhe permite, mas temo que os extremos e a forma como cada vez mais as pessoas se sustentam e apoiam nelas não compreendendo muitas vezes que o abismo é o passo seguinte, leve a uma rotura do que era até então essencial. A falta de norte, de sentido, de valores, de sustentação, é de tal forma crescente e viral que leva-me a acreditar que o ser humano caminha a passos largos para a sua alienação de identidade, da sua gaia. Assim pouco mais nos resta se não a criação de novas espécies que poderão perdurar no tempo, ou pelo contrário, por falta de solidez e robustez, se percam.  

Vida partilhada, exposta, publicitada, ou vendida?

O fantástico mundo do facebook, e de outras plataformas, tem um poder e uma capacidade fenomenal, exponencial para apresentar, demonstrar vários momentos, assuntos, experiências, comunicações, etc, entre seres humanos. Tal e qual como outros meios de comunicação, como a rádio, televisão, papel, etc, a web apresenta cada vez mais uma facilidade de expandir de uma forma que ultrapassa rapidamente a potencialidade exponencial. Contudo, como quase tudo, existem prós e contras à sua utilização. Como sempre cabe ao ser humano escolher o que fazer com tamanha ferramenta, tal como a energia nuclear ou a formação de novos compostos químicos, o ser humano tem uma tendência natural para deturpar a pureza existencial na origem do produto, catalizando-o para um processo de degradação que termina normalmente em alienação. A plataforma tem em vista acima de tudo, a possibilidade de encontrar pessoas que não víamos há algum tempo, comunicar com elas, publicitar eventos, blogs, vídeos, várias formas de informação que enriquecem quem visualiza. Mesmo a exposição de fotos permite a familiares e amigos, quando não existe outra forma de comunicação ou de estar presente na vida de cada um, de visualizar como decorre a vida de cada um, comentar de forma positiva e alegre até essas mesmas fotos. No entanto, se verificarmos e analisarmos minimamente o que cada pessoa faz quando entra nestas plataformas, verifica que a bondade e objectividade que deveriam ter é ligeiramente, raramente o é, deturpada. Serve mais para "espiar", "cuscar", "desejar", controlar", "conquistar", as pessoas que são nossas "amigas" e que em muitos dos casos nem uma conversa de café alguma vez tiveram. Perceber ou querer saber porque é que a antiga namorada ou namorado nos deixaram, o que é que este nosso rival tem que eu não tenho, viver a vida das outras pessoas, etc, em nada nos é benéfico. Pelo contrário, a mágoa é maior, o desinteresse e orgulho em nós é cada vez mais diminuto, a raiva e muitas vezes rancor puro tornam-se obsessivos, e no final, a culpa é toda nossa de ficarmos em estados deploráveis e com depressões irrecuperáveis. Viver a vida com simplicidade e compreender o verdadeiro sentido e objectivo de cada instrumento é provavelmente a forma mais fiel e produtiva que temos de crescer e alimentar.