É incrível como tão pequena, tão recente e tão nova, mudaste a minha vida completamente. Impressionante como tão energética, tão alerta, tão dependente e necessitada, deste-me mais energia e paz do que alguma vez tive neste corpo cansado e desgastado. Apaixonante como com um olhar matinal fazes-me perder a noção do tempo, das preocupações, de todo um mundo que está lá fora e fica lá fora pois tu absorves tudo o que está cá dentro para ti e em ti. Delicioso como com esse sorriso cativas o amor que há em mim, dedicado, imenso, incondicional. Fascinante como fico horas a olhar para ti enquanto dormes e sonhas a meu lado, como brincas e tentas comunicar de tantas formas que apenas tenho olhos para ti, para o que fazes, para o que te superas todos os dias e me fazes ter imenso orgulho e prazer de estar a teu lado a cada pequeno passo que dás. Orgulhoso não só de tudo o que fazes e expressas, que me deixa perdido e babado, mas acima de tudo por seres feliz, sorridente, contente com o que tens à tua volta, na tua vida, com o que és. Trouxeste simplicidade à minha vida, mostraste-me o real significado de viver, desenvolveste em mim capacidades e habilidades que julgava não possuir, de forma natural, pura, sem pedir, sem exigir, sem mandar, simplesmente porque estavas presente e eu queria-te dar tudo para que te sentisses protegida e aconchegada. Sou eu que te dou o peito e o calor humano, sou eu que te agarro e te protejo, mas és tu quem me dás energia, quem me motiva, quem me cativa a estar sempre presente, sempre a pensar em ti, sempre a pensar no próximo passo e em ser mais forte, mais sólido, melhor pessoa e homem, melhor pai. Por vezes deixas-me sem palavras, não porque não as tenha, não porque não as queira dizer, mas simplesmente porque por mais que as dissesse, todas não chegariam para te demonstrar o que sinto, o que me corre nas veias intensamente e que me deixa o coração em ebulição. Completaste na perfeição o que já tínhamos na nossa vida, encheste um lar que já por si era preenchido e rico, não de valores monetários, mas sim dos valores que são mais importantes e significativos, os puros e sinceros, enriquecendo-nos a todos ainda mais. Com mais vontade de viver, com mais vontade de continuar, deste-nos força a todos e uniste-nos ainda mais, sem medo, sem dúvida, sem esforço, simplesmente pela forma como és, única e contagiante.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Um dia de muito sol pode virar tempestade
Os dias são por vezes imensamente luminosos, brilhantes, apaixonantes, vibrantes. Cativam todos aqueles que gostam a sair e a passear, usufruindo do que lhes é dado e aproveitando para destapar um pouco mais o que é seu. Mesmo que nem sempre muito quentes, alguns arriscam em tirar algumas roupas para que os raios surtam efeito nos seus corpos e para assim também se catalogarem com algo mais que os demais ainda não possuem. Nem sempre de forma mais correcta ou consciente, as pessoas tendem a exaltar-se e a excitarem-se com esta fase, esquecendo o dia de amanhã, não pensando que existe infinitude temporal e que não devemos dessa forma usar e abusar dos raios que se dispõem pelo nosso corpo e mente. As pessoas transformam-se e alteram os seus hábitos, passeiam mais, alimentam-se nos restaurantes ou bares com esplanada, têm as suas sobremesas extra-calóricas enquanto estão acomodadas na sua espreguiçadeira à beira-mar e abrem as janelas dos carros para que o ar novo e limpo, quento e seco que as contamine e as alivie. Contudo, muitas vezes o corpo não está preparado para tal, a mente de tanta superação e excitação perde o controlo e acaba por se desligar do que é comum, do que é corrente, do que é necessário e saudável para viver e por isso acaba por ultrapassar os limites que compreendem o seu estado homeostático. Desequilibram-se ao ponto de muitas vezes caírem, quantas vezes sem retorno nem com possibilidade de orientação. É preciso compreender que nem tudo o que brilha, nem tudo que é dourado é ouro, é elementar e é necessário. É preciso pensar no dia de amanhã, precaver, medir, pensar e acima de tudo compreender o limite do nosso corpo e mente, para que não deixemos de ser nós, para que não levemos ao limite um corpo que já de si é muitas vezes frágil. Desta forma é necessário, mesmo em dias de muito sol, um guarda-chuva pois nunca se sabe até que ponto o dia não virará em tempestade, em que a cabeça fica molhada e doente, o corpo deslavado e húmido e os pés encharcados e enlameados. Estabilidade e rigor são necessários para que exista tranquilidade e equilíbrio emocional e sentimental, para que não se gastem todos os cartuchos de uma só vez, o limite UV de exposição do corpo à riqueza longa e profunda, muitas vezes maléfica, que o sol nos dá livremente, consumindo-nos o corpo e a alma.
domingo, 26 de abril de 2015
Carta ao Luar
Vieste como sempre, tímida no horizonte, ainda sobre a luz do dia te mostraste, disseste presente, como se a partir daquele momento mais nada fosse mudar, nada fosse mais importante. Surgiste e sem fôlego observei-te calmamente, como se o tempo parasse e mais vento não houvesse. Tens esse poder de sedução, de ilusão e de preenchimento, contigo trazes toda uma nova fase, todo um momento e transformação, tudo se vira para ti e te comtempla, encantas e enfeitiças com o teu brilho, com a tua simplicidade escondida, com a tua ingenuidade maliciosa vais caminhando com passos leves e tiras as roupas da máscara. Cativas e motivas o homem a ser diferente, a ser mais selvagem e animal, a ser, talvez, ele mesmo, aquele que verdadeiramente corre nas suas veias. É difícil não nos apaixonarmos por ti, de não ficarmos horas a comtemplar-te com o elixir alcoolizado que nos percorre os sentidos. És contagiante, intoxicante, de tal forma que perdemos todas as forças e equilíbrio quando te temos só para nós na tela preta que se apresenta ao nosso olhar. Mesmo os outros pontos cintilantes, que tentam chamar-nos a atenção são absorvidos perante a tua presença, o teu traço, a tua destreza de nos encantar, de nos apaixonar. Por isso é tão importante se ser racional e perceber que nos escondes a outra face, a outra que nunca queres que vejamos, que é só para ti e que não reservas a mais ninguém se não àqueles que vão além dos limites para te ver e te ter. Durante muito tempo também eu caí nesse enredo, de ficar horas embrulhado nas tuas redes de vazio e escuridão, pois és só tu, só para ti, como mais nada existisse no momento e no tempo. Hoje sei que existe algo mais belo e feliz do que tu, que afinal és apenas um momento e um sentido que se alimenta dos outros e nunca de si mesmo. Com o tempo, passas, iluminas e desapareces. Continuo a gostar de te ver, de te apreciar, mas não és mais do que o inverso do que desejo, do que sinto, do que procuro. A luz do dia, mesmo na tua presença é bem mais forte, bem mais brilhante e colorida. São o dia e o sol, esses sim que me dão energia e visão daquilo que me apaixona e que me dá orientação. Passamos momentos fabulosos, dolorosos e destruidores, violentamente calmos no sossego e silêncio da noite, mas hoje me despeço mais uma vez, não quero que desapareças, porque dás ainda mais sentido aquilo que realmente tem sentido, e sem o teu oposto, sem o teu contraste, não teria tanto valor viver e me apaixonar todos os dias pelo que tenho, pelo que sou, pelo que me rodeia e me dá tanto. Boa noite e até amanhã...
O Leão, o zoo e a selva
O leão é conhecido por ser um animal forte, dominador, independente e que reina no seu habitat. É um ser portador de uma grande capacidade física, que tem carisma, transparece confiança e controla e possuí uma vasta área de terra que lhe permite viver e fazer crescer a sua família, é um ser que não é muito trabalhador ou operário mas que está presente e determina os maiores momentos, os mais marcantes. Tem de tomar decisões que nem sempre são fáceis, expulsando mesmo os de seu sangue para que estes cresçam e explorem outras áreas que não a sua, está na sua génese, no seu sangue. Contudo, isto não quer dizer que o leão seja imune a tudo o que o rodeia, que não sofra, que não sinta, ou que não tenha perda, pelo contrário, estando no topo da cadeia, é muitas vezes este que se sente mais só, mais dependente, mais frágil e vais suscetível a falhar e cair. O peso da responsabilidade apesar de ser gratificante é também em si massacrante e demolidor nas suas estruturas ao longo do tempo. Mesmo perante um habitat diferente, como o zoo, o leão continua a predominar as suas características e os seus hábitos, continua a ter necessidade de se apresentar em primeiro lugar e mostrar aos visitantes a razão pela qual foram aquele espaço. Apesar de ser um ambiente controlado e manipulado, onde os perigos são menores e os meios alimentares são superiores e oferecidos, nem por isso o leão deixa de ter o seu instinto. Desta forma, o leão continua a ser leão, mas é um leão, diferente do leão da selva, apesar de parecerem idênticos na sua forma e apresentação, tanto um como o outro não conseguiriam facilmente passar de uma realidade para a outra. Não é uma questão irreversível, mas nem por isso de fácil resolução e principalmente de rápida conclusão. Os seres vão alterando-se nos seus hábitos, nos seus pensamentos, nas formas como determinam o seu futuro e agem, a génese pode estar lá, e em certos momentos recordações e vivências são saudosas e tem-se vontade de voltar a ser selvagem ou estar mais cómodo, mas nem por isso deixamos de ser o que nos tornamos, um novo leão, um novo ser dentro de um velho corpo. Nem todos compreendem a dinâmica da mutação e percebem o processo de neo-corporização, encarando o novo ser como estranho, como diferente, como oposto, mas a verdade é que continua a ser um leão, e nem por isso deixa de necessitar e ser necessitado, de ser dominador e controlador, de ter que ser o rei do seu habitat.
domingo, 15 de março de 2015
Carta de uma filha para uma mãe
Olá Mãe,
Infelizmente ainda sou muito pequena para falar ou conseguir escrever, por isso pedi ao pai que o fizesse por mim.
Hoje é o dia que em Inglaterra se comemora o teu dia, o dia da mãe, para muitas mães um dia onde se sentem especiais pois tem mais atenção que o normal, mas que para ti será mais um dia muito feliz e especial, espero eu. Apesar de ser para cuidar de mim, de não teres grande tempo para ti, espero que aprecies e que sejas mesmo muito feliz.
Quero-te agradecer por tudo o que fazes por mim, por todo o cuidado e atenção que tens comigo, como tentas sempre ter energia para mim mesmo quando estás esgotada. Gosto muito das brincadeiras que temos, os momentos que passámos juntas dentro e fora de casa, graças a ti, ao teu esforço e empenho tenho aprendido muito e desenvolvido muitas habilidades que serão essenciais para mim. Graças à tua dedicação e atenção constantes sinto-me sempre bem, sempre segura e cuidada, dás-me muito apoio e força, tentas compreender e entender sempre como estou e dás o melhor de ti mesmo quando não sabes exactamente o que te peço ou preciso. No teu colo, no teu peito, no teu aconchego, sinto-me segura, protegida, pois o teu calor e cheiro dão-me equilíbrio e confiança, deixam-se sossegada e posso descansar profundamente sem ter receio do meio estranho que me rodeia.
Desculpa se por vezes sou irrequieta e cheia de energia, se deixo cair as coisas e te tens de baixar para eu poder brincar outra vez, desculpa todas os momentos em que não dormiste bem ou ficaste triste por eu não estar bem, sei que apesar de todo o cansaço e falta de sono, sempre te esforçaste para isso não te vencer e estares disponível para mim nos momentos mais difíceis.
És a melhor mãe do mundo, és mesmo, e eu tenho muita sorte em te ter, em te ver, em ser pegada e cuidada por ti. Sinto muito o teu amor e por isso sorrio sempre que te vejo, pois és a minha luz, a minha inspiração, a minha heroína... quando for grande e crescida, quero ser como tu.
Obrigada por tudo mãe, tentarei sempre o meu melhor, tal como tu fazes em todos os segundos desde que nasci.
Com muito amor e para sempre tua,
Valentina xxx
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Potencialização do ser
Os seres humanos nascem como todos os outros animais, providos de capacidades e habilidades que podem potenciar ao longo da vida. Não de forma independente, mas ajudados, motivados e inspirados por outros e noutros, realizam movimentações mímicas e pensamentos convergentes no sentido de um entendimento cada vez maior com o seu cosmos. Perante o meio que o rodeia, uma pessoa, recebe, interpreta e desenvolve acções de resposta perante estes, interagindo e manipulando as variáveis e ao mesmo tempo catalizando o seu próprio crescimento e desenvolvimento, cognitivo-sensorial-motor. Trata-se de uma experiência constante, nem sempre consciente que faz com que se possa evoluir para um ser criador e recreador. Assim, é determinante o meio em que vivemos, o que nos rodeia, o que nos potencia e empurra para que se consiga o próximo passo, a concretização e consolidação do próximo, de forma madura que matura todo o ser. Mas nem só o meio que nos envolve é determinante, tal como não o são as características que carregam os nossos genes que nos fazem estar mais propensos a certos panoramas e directivas. A forma como absorvermos, compreendemos e aceitamos o estímulo é muito importante, talvez bem mais do que os outros aspectos supratranscritos. Pois são estes que fazem a diferença, que distinguem, que evidenciam o ser perante os demais. É perante as decisões, os entroncamentos do pensamento que decidimos dar o passo em frente, para o lado, para trás ou ficamos parados a comtemplar o que se passa em nosso redor. São estes momentos que nos marcam, desde os mais simples e primordiais, aos que na idade mais adulta nos fazem ter força e nos motivam para alcançar algo mais. Naturalmente todos os passos são dados com uma quantidade de confiança e desejo, mas também todos eles providos de algum receio e interrogação, mas é na decisão de movimentação dos mesmos que os resultados e êxitos surgem. É no entendimento e aceitação da realidade que nos propomos a encarar novos panoramas de superação. Nem todos os dias vão ser fáceis, pelo contrário, muitas vezes é perante o erro e o falhanço que aprendemos e evoluímos mais, mas é na vontade de ultrapassagem destes que os sucessos se vão sucedendo e concretizando. Contudo nem todos os seres são assim, muitos por receio, outros por falta de compreensão do estímulo, outros por simples acomodação perante a situação letárgica em que vivem, não evoluem nem se tornam construtivos. No entanto, sem dúvida alguma que todos podemos e devemos ser mais e dar mais de nós, para o nosso bem, para o bem dos que nos rodeiam e para os que caminharão sobre nós.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Amor incondicional
Durante muitos anos sempre ouvi falar em amor incondicional, um sentimento extremamente forte e intenso que se tem por algo ou alguém, e que independentemente do ambiente ou variáveis é inalterável, imutável e sólido. Durante muito tempo ouvi dizer que esta ou aquela pessoa tinha esse amor por um parente, o namorado ou namorada, pelos animais de estimação ou por outras seres que lhes fossem realmente próximos. Ao longo da vida fui percebendo o que esse amor representa e a senti-lo cada vez mais intensamente até o perceber e aceitar em mim. É um amor diferente do que se tem por quem se ama, não é por isso mais ou menos intenso, simplesmente diferente, parece mais claro e certo, como sempre estivesse lá, como se não fosse possível existir sem ele nem existir de outra forma. É dado sem qualquer esperança ou desejo em receber algo em troca. É um amor sentido e vivido a cada suspirar, contudo não só sentimental e apaixonado, mas racional e responsável. Não é cego, mas é vivido com o olhar atento e carinhoso, sempre disponível para cuidar e tratar independentemente do cansaço, estado de espírito ou hora do dia. Sentimos que apesar de todo o ambiente que os rodeia, nós somos sempre responsáveis quando algo não está bem, queremos e desejamos que estejam sempre bem e fazemos de tudo para que isso seja possível, muitas vezes tirando de nós e dando-lhes sem sentir falta. Quando não estão bem, nós não estamos bem, parece que o mundo pára e tudo fica cinzento e triste, até que eles sorriam novamente, saltem e pulem como normalmente fazem e aí sim, independentemente do temporal que se faça sentir lá fora ou mesmo de outros problemas que se possa ter na vida, tudo fica radiante e maravilhoso, cria-se e solta-se uma alegria estonteante, que trespassa o sorriso e as lágrimas de felicidade. Enchem-nos a casa e o coração, vivemos intensamente, atentamente do seu lado, mesmo em momentos tão diários e habituais. É bom ter alguém, vários se possível, que nos preenche a vida desta forma, que nos enriquece do que realmente tem valor e que nos encaminha ao longo da vida e da memória. A vida tem mais sentido assim, apresenta mais condições para ser feliz, para guardar mais experiências e histórias que um dia recordaremos e recontaremos.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Manipulação dos media
Todos os dias somos confrontados e encarados com informação que nos chega de todas as formas e feitios por todos e quaisquer meios. A informação de hoje percorre a uma velocidade estonteante e fala-se e comenta-se sobre tudo e todos constantemente ao ponto de esse pedaço de conteúdo ser tão leviano, tão estacional e temporário que rapidamente desaparece sem contudo deixar de ter o seu efeito por vezes nefasto. O acesso a esta também se tornou tão gratuito e oferecido que as pessoas já nem procuram averiguar a veracidade da mesma ou procurar aprofundar o seu conhecimento sobre tal. Basicamente chegou-se ao ponto de ter como referência bibliográfica a internet ou os canais e jornais sensacionalistas, que procuram viver dessa mesma desinformação e alvoroço de algo que muitas vezes nem aconteceu. Infelizmente e cada vez mais, as massas populacionais seguem estas correntes e orientam os seus interesses, ou melhor são orientados, neste sentido, seguindo cegamente e apoiando causas e interesses que muitas vezes desconhecem só porque o amigo informático também apoia. Mais preocupante é criarem-se modas e ondas de apoio ou seguimento a histórias mal contadas, mas que os media, vendidos a outros interesses, lhes apresentam como contos de fadas. Contudo, os grandes problemas da humanidade e do mundo onde vivemos são esquecidos, omitidos e escondidos para que a mente não se preocupe com algo que ela não verifica ou apalpa realmente, que muitas vezes nem estaria preparada para receber e compreender tal informação. Se morre alguém conhecido, famoso, choram-se rios e atiram-se jardins para as campas das pessoas, no entanto se morrem milhões todos os dias por situações que poderiam ser resolvidas rapidamente logo que houvesse a mesma aplicação de forças e intenções humanas, isso já não se verifica, pois a sociedade perdeu a completa noção do que acontece ao vizinho do lado e muito mais ao que acontece no continente vizinho. A não ser que os media lhes digam que essa situação precária pode de alguma forma, mesmo num estado minúsculo, afectá-los. Doutra forma, são assuntos que não preocupam nem interessam pois são gentes diferentes que vivem num mundo diferente. Se for algo sensacionalista aí sim, as pessoas comentam, coscuvilham mais um pouco e até se acham no direito de julgar e criticar tais assuntos. No entanto esquecem-se que todas as informações são filtradas e apresentadas conforme os interesses dos que mais os financiam. A informação é uma arma muito poderosa, a difamação ainda maior, por isso nos dias de hoje, talvez mais do que nunca, prevalece aquele que mais conhecimento real e concreto tem sobre o que realmente vai acontecendo no mundo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Ponto de vista pessoal
Durante o dia muitas são as ocasiões onde nos deparamos com decisões. Embora muitas delas estejam automaticamente efectuadas na nossa mente mesmo antes de nos apercebermos, pois representam uma constância confortável ou mesmo protetiva, por vezes algumas decisões têm de ser mais refletidas. Pelo grau que normalmente apresentam de complexidade ou pelo resultado que daí advêm, estas decisões são momentos que marcam a nossa vida, quer no momento, quer muitas vezes no futuro próximo ou médio. Perante os panoramas e as devidas opções, muitas vezes é demasiado complicado sair do panorama pessoal, ver sem ser com os nossos olhos, sem dar sentimento ao caminho que vamos tomar, sem pensar perante a nossa lógica, quebrando a matemática das probabilidades que tantas vezes decidem por nós num instante. Contudo, existem momentos que nos transcendemos, sem grandes correrias ou saltos mas não raras vezes parados, são nestes momentos que nos tornámos algo mais, algo superior, pois compreendemos que existe algo mais a nós, criámos uma mente supra corpo que se sente relaxada, calma, que vê claramente sem a poeira do cansaço e stress, como se do alto da montanha conseguíssemos ver todo o mapa da questão e os seus possíveis caminhos. Não sei ao certo o que acontece, porque acontece e como acontece, mas acredito que por vezes perante o cansaço e stress o corpo liberta hormonas que levam a um relaxamento do cérebro que permite ao subconsciente estar mais presente e dessa forma apresentar-nos de forma clarividente a solução ou o melhor caminho. Tal como nos sonhos, onde por vezes nos parece tão claro o mundo que queremos e desejamos, os momentos que mais nos fazem felizes ou mesmo uma perspectiva que não se apresentou até então. Isso deve-se ao facto de o consciente não compreender toda a realidade que lhe é apresentada, quer na sua extensão quer na sua atenção significativa a todos os seus elementos. Por isso é necessário treino para que a mente se desenvolva e apresente resultados mais constantes deste prisma, que relaxe mais e que saiba conviver com o subconsciente e mesmo inconsciente mais vezes. Para que não exista fases subdivididas e compartimentadas, mas uma livre fluidez de pensamento e categorização. O ponto de vista nunca deixará de ser pessoal, pois compreende o mundo que nos rodeia, que buscámos e nos aproximámos, mas torna-se num ponto de vista meta-pessoal de um ser que compreende, entende e absorve mais que os seus limites conscientes. Nada de anormal, simplesmente um ser altamente sensitivo e treinado para a categorização e resolução de equações.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Negociações
O acto de negociar é das actividades mais difíceis e complexas que existem, principalmente a nível profissional. Exige uma compreensão sobre os seus momentos que ultrapassa claramente o facto de simplesmente ter um bom argumento, uma boa mão, poder financeiro ou físico. Para negociar é preciso perceber que exige um trabalho a priori, de estudo, planeamento, definição de uma estratégia fundamentada e forte na sua base, é preciso precaver imprevistos e delinear possíveis soluções para os trilhos mais acidentados para que nunca nos percamos do nosso sentido e da nossa meta. Assim, trabalhando todos os dias, damos força e substância ao que somos, ao que representamos, no quanto o que nos envolve fica dependente de nós e o quanto podemos potenciar e valorizar o que nos circunscrita. Quando se parte para uma negociação é preciso estar calmo, consciente, controlado e tranquilo, é preciso perceber qual o nosso oponente, as suas forças e fraquezas e qual o plano em que vai decorrer a negociação. O estado anímico, o momento profissional e financeiro, os hábitos e culturas, a história de ambas as partes e os costumes de outros na mesma situação. É fundamental saber as cartas, argumentos, que temos, quando os jogar, ser paciente e prever e compreender as jogadas de ambas as partes, dar tempo, criar dúvida, incerteza, mesmo receio. Se por vezes a força bruta tem efeito, muitas vezes, e perante os mais iluminados, é preciso dar a ideia de que são mais fortes, que controlam e são superiores a todos os níveis, para que baixem as defesas, ou simplesmente para que quando usarmos os nossos trunfos estes sejam realmente efectivos e demolidores, conquistadores e definitivos. É necessária muita confiança em nós, no que somos, no que possuímos e oferecemos ou podemos oferecer. Não uma confiança desmedida, idolatrada ou cega, mas humilde e compreensiva da sua extensão e possíveis falhas. Partir para uma negociação é compreender que é necessário uma mudança, uma revolução ou alteração de momentos e situações, é perceber que será necessário bastante energia e motivação para que perante o desgaste e stress, a perseverança e a atitude se mantenham firmes e sólidas. Só percebendo que em todas as negociações também é necessário perder, ceder ou partilhar algo é que se pode atender ao sucesso, pois em todas as batalhas sempre se perde algo, quanto mais não seja tempo. Por isso, se possível, avançar sempre, crescendo sustentadamente, sem nunca ter que partir ou quebrar para se dar o passo seguinte, mas se tal for necessário, então a preparação e prontidão estão mais que garantidas.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Algumas desmistificações de ser emigrante
Uma constante no ser humano, uma actividade que está presente e quase sempre ocupa a maioria do tempo das pessoas é o juízo de valor sobre algo ou alguém. A análise e crítica é uma constante para a maioria das pessoas, que cada vez mais vivem o exterior e a superficialidade, sem conhecimento, sem procura, sem apreciação calma e reflexa do que se apresenta perante o seu olhar. É como não existisse filtração conceptual do impulso que é obsorvido e esse conteúdo fosse automaticamente reproduzido em avaliação final sobre o produto. Um género de fast food sem valor nutricional algum e muitas vezes de forma ampla com elevadas doses de desperdício da matéria existencial. Assim, as pessoas nas teias que desenvolvem com seres da mesma forma e génese, contemplam a vida dos outros, não a real e significativa, mas aqueles que eles vêem e aceitam como verdadeira. A visão do emigrante esplana-se a todo o comprimento no sentido desta avaliação de valor. A ideia do emigrante rico, forte, poderoso, faz lembrar a mistificação que se fazia dos dragões, polvos e sereias, pelos navegadores sobre o novo mundo. Esse sim, pelo menos era mesmo desconhecido e por isso possível de dar assas à imaginação. O emigrante apresenta-se ainda como um ser com uma aura praticamente intocável, como se fosse um ser que foi apresentado e aceitado pelos deuses. Contudo a verdade, a real, é bem diferente. Primeiro, nem todos os que emigram, emigram porque tem que ser, porque foram rejeitados no país que nasceram ou algo semelhante, existem vários que o fazem porque realmente querem viver e experienciar uma nova e diferente realidade. Segundo, nem todos, para não dizer a grande maioria, dos emigrantes se torna rico e poderoso, muitos são aqueles que vivendo perto da miséria se apresentam pelos portões da sua rua com coches banhados a folha de ouro falso. Para os que têm dinheiro, se calhar têm porque poupam e trabalham ao máximo, não tem regalias nem esbanjam em caprichos e vícios. Terceiro, muitos dos emigrantes não foram afortunados em saírem do país, não ganharam um bilhete mágico para ir no expresso do oriente e viverem a aventura de sonho, não, tiveram que deixar tudo o que lhes era cómodo, tudo e todos os que lhes eram conhecidos e ir em busca de renascer num ambiente novo, estranho, e por isso hostil. Quem ficou, muitas vezes ficou porque quis, porque lhes era mais preguiçosamente conveniente. Quarto, o emigrante não se torna, por estar num país diferente, um ser possuidor de uma cultura extraordinária, inatingível, muitos deles continuam a viver exactamente a mesma vida que tinham na sua autoctonia, e por isso sem embarcar na obsorção de novos estímulos e conhecimentos embargando o desenvolvimento intrínseco. Por último, no estrangeiro não é tudo perfeito e megalómano, existem pessoas boas e más como em todo o lado, aspectos melhores, outros piores, outros diferentes, países e culturas mais familiares ou não, uma expedição de item que só é apreciado de forma pessoal. Ou seja, não deixámos de ser humanos, com problemas e vivências quotidianas, não passamos a heróis intocáveis nem em seres afortunados nas mais variadas categorias e formas. Simplesmente somos pessoas que vivemos fora do país de origem, cada um com o seu caminho e a sua vivência.
Ser pai
A vida dá muitas voltas, umas provocadas, outras intencionais, outras parecem completamente aleatórias. Para todas elas tentamo-nos preparar o melhor possível, não só tentando planeá-las e estruturá-las mas também construirmos em nós habilidades que potenciam as nossas capacidades de realização e análise de conteúdos e tarefas. Ser pai, mãe, apesar de toda a predisposição que se possa ter, todo o conhecimento que se possa adquirir, todas ajudas que possamos usar, é um papel para o qual não existe guia, não existe editorial, nem tão pouco pode ser observado ou vivido se não por nós. É um sentimento e um estado muito próprios, basicamente intrasmissível pois não existem significações suficientes para descrever o que decorre em nós, por dentro e por fora. Apesar das muitas vivências e situações pelas quais passamos, acaba por se apresentar um panorama totalmente novo, onde sofremos metamorfoses e mutações que nos transformam num ser diferente. Parece que a partir daquele momento nos tornamos algo que até então não fomos, um protoser. O período de tempo desta fase de transição é minimal e por isso estranha, adversa, estonteante, energética, cativante e preocupante. É uma mistura de sensações que não se distinguem nem se dessolvem, simplesmente se apresentam e se vivem como um todo. Apesar de toda esta revolução, tempestade de emoções e sentimentos, o caminho continua caminhando-se com passos incertos mas o desejo de se fazer o melhor, de dar o melhor, de provocar e cativar o melhor. Muitas são as incertezas pois apesar de toda a logia e sofia sobre o papel a desenrolar, tudo é muito particular, caminhando sobre o esboço que se vai provocando. É um papel muito desgastante, muito intenso, muito vivido, mas por isso mesmo muito apaixonante, muito enriquecedor a todos os níveis sensoriais e cognitivos e que acima de tudo nos tornam mais humanos, mais puros, mais simples, mais focados no que realmente vale a pena viver, ao que realmente tem valor e siginificado. Ser pai é deixar de ser um eu para ser um nós, para se dar tudo o que se tem sem esperar nada de volta se não o desejo de que tudo o que se fez foi pelo melhor. É um papel altruísta e humilde, irreversível onde deixamos de ser quem fomos, onde vivemos claramente uma nova vida, uma nova página, um novo ser. É sem dúvida, dos melhores sentimentos da vida e que deve ser vivido como todos os momentos e prazeres da vida, intensamente, continuamente e apaixonadamente.
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