O leão é conhecido por ser um animal forte, dominador, independente e que reina no seu habitat. É um ser portador de uma grande capacidade física, que tem carisma, transparece confiança e controla e possuí uma vasta área de terra que lhe permite viver e fazer crescer a sua família, é um ser que não é muito trabalhador ou operário mas que está presente e determina os maiores momentos, os mais marcantes. Tem de tomar decisões que nem sempre são fáceis, expulsando mesmo os de seu sangue para que estes cresçam e explorem outras áreas que não a sua, está na sua génese, no seu sangue. Contudo, isto não quer dizer que o leão seja imune a tudo o que o rodeia, que não sofra, que não sinta, ou que não tenha perda, pelo contrário, estando no topo da cadeia, é muitas vezes este que se sente mais só, mais dependente, mais frágil e vais suscetível a falhar e cair. O peso da responsabilidade apesar de ser gratificante é também em si massacrante e demolidor nas suas estruturas ao longo do tempo. Mesmo perante um habitat diferente, como o zoo, o leão continua a predominar as suas características e os seus hábitos, continua a ter necessidade de se apresentar em primeiro lugar e mostrar aos visitantes a razão pela qual foram aquele espaço. Apesar de ser um ambiente controlado e manipulado, onde os perigos são menores e os meios alimentares são superiores e oferecidos, nem por isso o leão deixa de ter o seu instinto. Desta forma, o leão continua a ser leão, mas é um leão, diferente do leão da selva, apesar de parecerem idênticos na sua forma e apresentação, tanto um como o outro não conseguiriam facilmente passar de uma realidade para a outra. Não é uma questão irreversível, mas nem por isso de fácil resolução e principalmente de rápida conclusão. Os seres vão alterando-se nos seus hábitos, nos seus pensamentos, nas formas como determinam o seu futuro e agem, a génese pode estar lá, e em certos momentos recordações e vivências são saudosas e tem-se vontade de voltar a ser selvagem ou estar mais cómodo, mas nem por isso deixamos de ser o que nos tornamos, um novo leão, um novo ser dentro de um velho corpo. Nem todos compreendem a dinâmica da mutação e percebem o processo de neo-corporização, encarando o novo ser como estranho, como diferente, como oposto, mas a verdade é que continua a ser um leão, e nem por isso deixa de necessitar e ser necessitado, de ser dominador e controlador, de ter que ser o rei do seu habitat.
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