A vida dá muitas voltas, umas provocadas, outras intencionais, outras parecem completamente aleatórias. Para todas elas tentamo-nos preparar o melhor possível, não só tentando planeá-las e estruturá-las mas também construirmos em nós habilidades que potenciam as nossas capacidades de realização e análise de conteúdos e tarefas. Ser pai, mãe, apesar de toda a predisposição que se possa ter, todo o conhecimento que se possa adquirir, todas ajudas que possamos usar, é um papel para o qual não existe guia, não existe editorial, nem tão pouco pode ser observado ou vivido se não por nós. É um sentimento e um estado muito próprios, basicamente intrasmissível pois não existem significações suficientes para descrever o que decorre em nós, por dentro e por fora. Apesar das muitas vivências e situações pelas quais passamos, acaba por se apresentar um panorama totalmente novo, onde sofremos metamorfoses e mutações que nos transformam num ser diferente. Parece que a partir daquele momento nos tornamos algo que até então não fomos, um protoser. O período de tempo desta fase de transição é minimal e por isso estranha, adversa, estonteante, energética, cativante e preocupante. É uma mistura de sensações que não se distinguem nem se dessolvem, simplesmente se apresentam e se vivem como um todo. Apesar de toda esta revolução, tempestade de emoções e sentimentos, o caminho continua caminhando-se com passos incertos mas o desejo de se fazer o melhor, de dar o melhor, de provocar e cativar o melhor. Muitas são as incertezas pois apesar de toda a logia e sofia sobre o papel a desenrolar, tudo é muito particular, caminhando sobre o esboço que se vai provocando. É um papel muito desgastante, muito intenso, muito vivido, mas por isso mesmo muito apaixonante, muito enriquecedor a todos os níveis sensoriais e cognitivos e que acima de tudo nos tornam mais humanos, mais puros, mais simples, mais focados no que realmente vale a pena viver, ao que realmente tem valor e siginificado. Ser pai é deixar de ser um eu para ser um nós, para se dar tudo o que se tem sem esperar nada de volta se não o desejo de que tudo o que se fez foi pelo melhor. É um papel altruísta e humilde, irreversível onde deixamos de ser quem fomos, onde vivemos claramente uma nova vida, uma nova página, um novo ser. É sem dúvida, dos melhores sentimentos da vida e que deve ser vivido como todos os momentos e prazeres da vida, intensamente, continuamente e apaixonadamente.
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