Os dias são por vezes imensamente luminosos, brilhantes, apaixonantes, vibrantes. Cativam todos aqueles que gostam a sair e a passear, usufruindo do que lhes é dado e aproveitando para destapar um pouco mais o que é seu. Mesmo que nem sempre muito quentes, alguns arriscam em tirar algumas roupas para que os raios surtam efeito nos seus corpos e para assim também se catalogarem com algo mais que os demais ainda não possuem. Nem sempre de forma mais correcta ou consciente, as pessoas tendem a exaltar-se e a excitarem-se com esta fase, esquecendo o dia de amanhã, não pensando que existe infinitude temporal e que não devemos dessa forma usar e abusar dos raios que se dispõem pelo nosso corpo e mente. As pessoas transformam-se e alteram os seus hábitos, passeiam mais, alimentam-se nos restaurantes ou bares com esplanada, têm as suas sobremesas extra-calóricas enquanto estão acomodadas na sua espreguiçadeira à beira-mar e abrem as janelas dos carros para que o ar novo e limpo, quento e seco que as contamine e as alivie. Contudo, muitas vezes o corpo não está preparado para tal, a mente de tanta superação e excitação perde o controlo e acaba por se desligar do que é comum, do que é corrente, do que é necessário e saudável para viver e por isso acaba por ultrapassar os limites que compreendem o seu estado homeostático. Desequilibram-se ao ponto de muitas vezes caírem, quantas vezes sem retorno nem com possibilidade de orientação. É preciso compreender que nem tudo o que brilha, nem tudo que é dourado é ouro, é elementar e é necessário. É preciso pensar no dia de amanhã, precaver, medir, pensar e acima de tudo compreender o limite do nosso corpo e mente, para que não deixemos de ser nós, para que não levemos ao limite um corpo que já de si é muitas vezes frágil. Desta forma é necessário, mesmo em dias de muito sol, um guarda-chuva pois nunca se sabe até que ponto o dia não virará em tempestade, em que a cabeça fica molhada e doente, o corpo deslavado e húmido e os pés encharcados e enlameados. Estabilidade e rigor são necessários para que exista tranquilidade e equilíbrio emocional e sentimental, para que não se gastem todos os cartuchos de uma só vez, o limite UV de exposição do corpo à riqueza longa e profunda, muitas vezes maléfica, que o sol nos dá livremente, consumindo-nos o corpo e a alma.
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