Lembrar o passado, procurar lá memórias, por vezes já remetidas para o inconsciente, procurar tirar o pó a todos os objectos e conteúdos que lá estavam guardados tem várias hipóteses de consequência ou consequências pois todas podem não ter o mesmo final. Se algumas nos emitem logo um sorriso de orelha a orelha, outras levam-nos à reflexão de onde e quando aquilo afinal veio, e outras ainda afinal o que é que aquilo está lá a fazer quando devia e bem estar no lixo para ser eliminado ou quanto muito reciclado. Periodicamente, sem nenhuma regra ou precisão de tempo ou sentido, costumo ir ao meu baú, muitas vezes para apenas tirar o pó, outras vezes para apagar aquilo que de pouco importante ocupação tem, umas vezes de forma mais controlada e racional, outras nem por isso, de forma a arranjar espaço para futuras memórias outras para substituir pelas mais recentes estórias, momentos de fantasia vistos aos meus olhos e sentidas de forma sempre própria como todos os acontecimentos que são vivenciados pelo indivíduo, sempre ele único e próprio. Felizmente cada vez mais são aquelas parcelas que vão ficando e perdurando ao longo da história, não por falta de novas vivências, o ano passado foi sem dúvida o maior e mais longo de sempre nesse sentido, mas pelo baú ir aumentando na sua riqueza de tamanho e plasticidade. É cada vez menos rígido, embora cada vez mais resistente, e os resíduos que por vezes tem tendência a encrostar-se como pequenos ser hostis e sanguessugas vão sendo eliminados devido a essa plasticidade mental entre elementos cada vez mais fluídos e coniventes. Lembrar o passado e procurar vive-lo novamente é impossível, ele só é autêntico nesse mesmo momento, mas nem por isso deixa de dar um gosto especial olhar e sentir o corpo sentindo-o o e olhando-o novamente.
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