Ao longo da nossa vida muitas são as pessoas que vão passando por nós, com ideias, considerações, certezas, de como somos e o que fazemos. Muitas vezes sem nos conhecerem realmente conseguem fazer um relatório sobre nós. É típico do ser humano, principalmente aquele que pouco ou nada faz por si e para si, passear o seu tempo analisando e comentando com outros sobre os outros. Vivem a vida das pessoas e julgam-nas como se fossem juízes e marcos no caminho de cada cidadão. Não raras vezes, possuidores da verdade e certeza absoluta, baseiam-se em projecções sobre o como as pessoas podiam e deviam ser e fazer, mas sem contudo aplicar esses mesmo conhecimentos à sua vida. A procura em esconder o que realmente os move e o que os alimenta perante a ausência de vida própria e de conteúdo de felicidade nela, exploram campos que desconhecem e não raramente reunem-se para que essa ideia seja mais forte e sustentada. Mesmo as pessoas mais próximas, sem tanta intenção em fazer furor sobre os nossos actos e vivências, criam sempre expectativas e esperanças quanto à direcção e sentido dos nossos movimentos, não procurando saber o que é realmente essencial, o que é fundamental para nós, a essência para as nossas decisões e passos. Muitas vezes por não saberem fazer as perguntas mais correctas ou nos lerem pela nossa história, não compreendem porque somos o que somos e fazemos o que fazemos. Acabando várias vezes por nos cobrar e algumas vezes se afastar, não intendem os nossos sentimentos, as nossas intenções e pensamentos e assim nunca compreendem realmente o que nos inspira, o que realmente é fundamental para nós, a nossa vida, os nossos objectivos e sonhos. Esse caminho demora muito tempo, é preciso paciência para se ouvir, para se escutar com os ouvidos mas acima de tudo com o coração, em vez disso eliminam esses momentos preferindo quebrar barreiras segundo padrões sociais estabelecidos do que se deve fazer e ser, um género de call-centre de apoio ao cliente onde perante cada ponto, existem outros pontos subsequentes já pré-estabelecidos. Não existe um entendimento concorrente e congruente, existe apenas uma esperança que se alimente aquilo que elas esperam de nós perante elas. Um dos problemas da sociedade é olhar para o exterior com a esperança de ver reflectido, como um espelho, o seu interior, não permitindo, não potenciando, as individualidades e a fabulosa experiência e riqueza que essa salada nos pode trazer.
Maravilhoso texto, Pedro! Abraço!
ResponderExcluirObrigado Amigo, forte abraço
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