Existe um momento fundamental que determina a vida de um português quando sai do país, o momento em que está no aeroporto e embarca para sair da sua pátria. É um momento que marca uma pessoa e que questiona muitos pensamentos e sentimentos. Nesse momento há várias formas de espírito mas sempre uma pena de deixar para trás aqueles que nos eram todos os dias familiares. Contudo existem duas grandes divisões, aqueles que deixam o país por vontade própria pois sempre tiveram o desejo de viver fora do país e por isso vão para onde acreditam que estarão melhor e aqueles que não podendo de alguma forma realizar-se no país de origem partem para outro com vista a uma situação melhor de alguma forma. Esta divisão marca logo claramente um sentimento, um marco posicional, fundamental e determinante, uma resistência ou uma catalização enorme para o futuro. Aqueles que vão por livre vontade, com desejo de viver no estrangeiro têm uma motivação superior, um impulso para triunfar e se realizarem em pleno. Os outros, aqueles que vão porque não conseguiram de alguma forma a concretização dos desejos em casa, criam desde logo uma âncora que os prega ao território e assim vão com vontade de voltar quando puderem, ou porque as condições mudaram ou porque o exterior lhes proporcionou voltar ao interior com maior potencial de finalização. Assim a vontade não é tão forte, porque existe de alguma forma, inconscientemente quiçá, uma acomodação de que se algo correr mal existe sempre o lar, o conforto de onde estavam e isso acaba por castrar um pouco. A partir do momento que aterram no novo mundo, todos estes emigrantes têm então vários caminhos que podem percorrer e é normalmente a personalidade, como quase em tudo, que vai determinar as suas opções e trilhos. Existem aqueles que procuram melhorar o seu ser e o seu estar, acrescentando o novo ao que já era inscrito neles e abraçam o melhor que o novo hemisfério lhes dá, existem aqueles que em nada mudam e vivem tal e qual como viviam e eram na vida anterior, e por fim, existem aqueles que se transformam, mutam, e vivem uma vida que até então de alguma forma nunca lhes tinha sido proporcionada. Todas elas estão certas desde que as pessoas sejam completas, felizes, realizadas na sua forma e no seu bem estar e julgo que ninguém é capaz de criticar. Como em tudo na vida, existem exemplos que contradizem a regra e existem pessoas que vão variando a sua forma de operar mas a cadência para a padronização do comportamento é típico do ser humano, e até a forma atribulada e caótica que podem apresentar é também em si, muitas vezes, mais do que previsivel.
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