quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ajudar - dar uma mão

As bases onde fui criado sempre me educaram e sempre me potencializaram um ambiente de entreajuda e cooperação para um bem comum. A lógica do trabalho colectivo em prol de um bem comum sempre me fez ver que o crescimento era mais sustentado, mais sentido e objectivo. Para além disso a economia de energia e paciência era maior e trazia resultados e celebrações colectivas maiores e mais intensas. Para além disso, sempre me educaram que deveremos procurar ajudar os outros sempre que estes necessitem, a parte de ser meretória essa parte já não foi tão esclarecida pois só com o tempo é que realmente percebi que nem todos os que nos pedem a mão querem a nossa ajuda e o mesmo acontece com o inverso, nem todos que nos dão a mão nos querem ajudar, e nem todos merecem essa ajuda pois só se lembram de nós quando necessitam e logo logo se esvanece a memória e a lembrança. Desta forma, após uma pré-avaliação mais racional procuro sempre ajudar aqueles que posso, como posso, e quando posso, contudo por vez nem sempre isso é possível e também algumas vezes continuo a cometer o erro de ajudar quem não devia. Mesmo assim faço-o com gosto pois fiz aquilo que achei correcto no momento, muitas vezes por satisfação pessoal pelo simples acto de ajudar e não por ter algum tipo de sentimento ou ligação com as pessoas pois não raras vezes nem as conheço. Contudo ultimamente tenho me deparado com vários casos de pedido de ajuda onde as pessoas não querem realmente ajuda, mas que faça tudo por elas, que dê todos os passos por elas, é que nem querem apenas uma mão para se sentirem mais seguras ou para terem um maior equilíbrio. Querem que lhes abra as portas, que os encaminhem por elas e as feche. A questão seria se eu o posso fazer? Sim, claro, mas existem vários motivos para não o fazer, primeiro tenho uma vida para viver e que amo vivê-la, segundo após essa fase o que fariam essas pessoas caindo em situações para os quais nem lutaram? Mais acomodação, mais pedidos e mais necessidade cega e leviana de auxílio. Ou seja, na verdade não estaria a ajudar, mais a acomodar quem já está quietinho e quentinho no seu ninho. Por isso, procuro fazer aquilo que penso que sou melhor, dou concelhos, faço as pessoas pensarem e mostro-lhes portas e janelas que podem abrir, mas percorrer caminhos, esses são para os que querem ser viajantes da sua vida e não para aqueles que querem ser espectadores, para esses não tenho paciência e por mim que continuem a ver televisão sentadinhos no sofá, que eu também gosto do meu tempo relaxado e em sossego. Luto com e por lutadores, não com e por vencidos.

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