domingo, 6 de abril de 2014

Sou feliz

A vida dá-nos muitas tarefas e encaminha-nos por percursos que nem sempre compreendemos. Por vezes, só bastante tarde é que compreendemos realmente o sentido e sentimento das nossas acções e convicções em certos momentos da nossa vida. Com tempo, com calma, razão e sabedoria do calo vamos aprofundando a compreensão do que somos e do que queremos ser. Procuramos ser sempre melhores, mais eficientes e eficazes, mais capazes e sabedores de todos os momentos que construímos na nossa vida. Assim, acontece que em determinadas alturas essa demanda pela perfeição torna-se demasiado planeada e racionalizada, precavendo todos os precalços e deixando a espontaneidade de lado, o impulso e o limite para o erro ao mínimo. Com certeza que nos tornamos mais proeficientes ao ponto do mecanismo de viver ser de tal forma mecânico e robótico que deixa de ser natural, humano, trás grandes resultados em termos materiais com crescimentos substanciais, mas contudo muito residuais em termos de conteúdo substancial, realmente importante, realmente cataquelístico de sentir o coração a bombear viva e intensamente. Desta forma tenho procurado ao longo dos últimos tempos afastar-me daquilo que por vezes me movia, aquilo que me consumia intrinsecamente, procurando viver mais e mais vivamente com aqueles que realmente fazem sentido na minha vida, aqueles que realmente amo e que no fim dos meus dias vão estar comigo e me vão preencher a mente e o coração com emoção e memórias reconfortantes. É um processo complicado pois muitas vezes acumulamos demasiadas resistências e poeiras na nossa vida, vícios que nos vencem e nos fazem duvidar dos nossos princípios e valores. Leva tempo e por vezes nem todos compreendem mas como em todo o tipo de actividades, nem todos apreciam ou contemplam o esforço que se faz. Um caminho que nem sempre caminha em frente de forma determinada e segura, que por vezes nos deixa em baixo e nos manda ao chão, que nos enfraquece, desafia a nossa resistência em todas as estruturas mas que acaba também por revelar mais o quanto valemos e o quanto somos. Desperta-nos para nós e para a nossa realidade, para a percepção do quanto os momentos e vidas por vezes são tão simples e com tantas variáveis que certezas e a procura em as obter passa a ser ridícula e vaga. Assim caminho comigo os sentimentos, experiências e memórias que me fazem apreciar as pessoas que me rodeiam e me fazem compreender a inutilidade de certos e determinados momentos ou experiências que são acima de tudo residuais em toda a sua forma. Ser feliz é acima de tudo compreender o que se é, o que se quer ser e qual o caminho que temos de percorrer enquanto andamos por cá. Dentro desse halo, viver o máximo dos seus limites e substâncias. Ser feliz é ser feliz à sua maneira e forma, independetemente do "corpo" que somos e nos sustenta.

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