domingo, 13 de abril de 2014

Poder e influência ou vulnerabilidade e dependência

A sociedade e media mostram actualmente várias figuras e colectividades recorrentemente como se fossem exemplos a seguir, como se fossem ídolos e heróis que pelos seus feitos devessem ser seguidos por multidões. Criam-lhes uma máscara e apresentam-nos através das lentes, dissecando grande parte da sua vida passada e pessoal e comandam cada passo que vão caminhando no dia-a-dia. Não os deixando respirar e tapando-lhes a boca com palavras que não são suas, que não são intrínsecas, mas que são filtradas e processadas por orgãos comunicacionais. Guiam e movem montanhas multidões que acorrentadas ao estímulo de pertença, querem sentir que são como eles, que estão com eles e vivem com e como eles. Mesmo em mercados mais reprodutores e que geram mais economia e finanças, a influência da palavra ultrapassa claramente a do poder financeiro, a comunicação e publicidade são fundamentais e devem ser planeados e delineados até ao mínimo detalhe para que possam ser actos e momentos de grande sucesso. São essas fantasias e ilusões que comandam grande parte das pessoas que ambicionam ser as mais poderosas e ricas identidades humanas neste mundo. Vivem e consomem-se para atingirem essas metas e ultrapassam e calcam qualquer obstáculo que surja em frente deles, seja ele humano ou não. Alguns actuando como típicas marionetas de um sistema já há muito montado e construído que labora em todos os campos da sociedade. Mas até que ponto são estas pessoas realmente poderosas e influentes se não conseguem dar um passo ou emitir um pensamento ou sentimento único, puro, simples, próprio? Como se pode ser a pessoa mais poderosa e influenciadora do mundo se não dormimos na nossa cama e não comemos com a nossa boca? Afinal a vida é tão curta para não viver a nossa vida, para não guardarmos conosco as nossas memórias e experiências, os nossos sentimentos e conforto sobre o poder real das nossas acções. Prefirir ganhar todos os dias o carinho e reconhecimento dos poucos que nos circundam e para quem realmente se é influente e importante, dar ao mundo o que se tem sem ter que se tirar a vida de ninguém, parece-me o caminho a seguir, se todos dessem mais um pouco ao próximo, sem rodeios, sem condições, sem esperar algo em troca, acredito que todos ganhariam muito mais mas por vezes o prazer carnal, o verdadeiro prazer de consumir a carne e sangue do próximo acaba por levar o ser humano à sua condição irracional. Poderoso, influente é aquele que caminha com os seus próprios pés pelos caminhos que contrói conjuntamente com outros, aquele que vive independentemente de influências de pensamento ou julgamento e que fica na história de muitos pelo quanto deu e tirou de si para que todos fossem mais felizes e capazes. Qualquer quantidade de poder estará sempre na transformação do que se é capaz de fazer ou reproduzir e nunca na alienação de seres ou estares.

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