A cobra apesar de ser um animal inicialmente repugnante para a maioria das pessoas, não deixa de ser também misteriosa e que desperta o interesse de saber mais sobre si. Sobre ela já muito se conhece e este espaço será porventura um dos menos indicados para acrescentar crescimento ou capitular o ser. Contudo não devemos deixar de lembrar o quão curioso é o seu estado, move-se rapidamente em qualquer direcção, a sua locomoção pode ser feita em vários meios e não tem grande dificuldade em trepar a patamares que lhe são mais elevados. Reage mal perante mudanças súbitas de temperatura e deixa a sua pele para trás ao fim de vários períodos. Apesar desta ser frágil numa fase inicial, não deixa de ser por isso menos bela, pois é mais brilhante, lisa, e ilusória. Com o tempo vai ganhando as marcas do seu arrastamento e das batalhas que vai travando para a sua sobrevivência. Esconde-se normalmente entre os arbustos e só perante perigo iminente, normalmente por exposição total ao perigo, defende-se. Nesses momentos apresenta uma corporização que não é própria, tem tendência para a exposição exacerbada do seu ser, ameaçando rapidamente e facilmente o veneno que normalmente chega para afastar os predadores mais temerosos. De difícil socialização e como marcador evidente o procurar sempre expandir e reforçar o seu território, sem muitas vezes perceber o quanto ele é apenas bidimensional e assim sujeito a perigos que venham de cima ou de baixo. Letal no tratamento das suas presas, finge-se muitas vezes morta perante o predador e se for atacada reage então até às últimas consequências. Preguiçosa, gosta do sol para se aquecer e espera muitas vezes pela sua presa, tal como uma armadilha. Mascara-se de natureza, apresentando-se parte dela, pura e acessível. A cobra é um ser fascinante, mas ainda não é o rei da selva...
Reunidas essas propriedades todas, é um animal muito próprio, de facto. Gostei.
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