Questiono-me se o erro estará em mim, se é a lua que não reflecte a luz ou se é o sol que já não a emana. Vejo valores serem atirados ao chão e não reconhecidos por ninguém como alguém os tivesse perdido entretanto. Observo a vida, as pessoas, os parques e rios, e parecem por vezes perderem o seu fogo, a sua aura, a sua energia e cor. Cativa-me os locais perdidos no tempo e no espaço, ansiosos por serem apreciados mas contudo sem quererem ser incomodados. A procura de reconhecimento surge em espaços de confusão e desorganização onde o pó anda no ar e a visibilidade fica fosca. Carecem os seres transeuntes por algo mais do que a água vital que faz percorrer o essencial dentro dos corpos. Fecho os olhos e vejo o caminho, sem pedras nem calçadas, limpo como um lago, onde só alcança caminhar o ser sem medo nem receio dos seus apoios, são firmes e calmos, muitas vezes quem sabe, a caminho do abismo. As nuvens passam e fica a certeza que o cheiro do perfume é intenso e desperta desejo. As ideias borbulham tal e qual como numa panela bem quente, outras surgem à superfície, outras mais pequenas e duradouras permanecem sobre o fundo, sempre presentes, sempre visíveis, aquecendo o que as rodeia, contagiando. A tinta escorre para o teclado, tal como o oxigénio alimenta tudo por onde vai passando, em demasia pode ser tenebroso, mas acima de tudo, dá vida e quando provoca o contrário é com vista à regeneração. Os copos são servidos sem licor, apenas o doce mel que alimenta as gargantas dos mais sábios, aqueles que compreendem que o mais simples é o que lhes dá fulgor de viver, que compreendem a sua ignorância, e porque não, muitas vezes a sua estupidez. Cego é aquele que não quer ver ou que não percebe o que está diante de si. A vitória e a derrota caminham vertiginosamente lado a lado, em caminhos tumultuosos, sempre pondo à prova a paciência do coitado que com ele carrega a carga da consciência. Penso assim, penso porque quero pensar, acima de tudo penso porque mais ninguém o fará por mim...
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