No outro dia, numa série de televisão, perguntava uma criança aos pais o que era o paraíso e onde estava. A resposta foi a mais pura e verdadeira que pode existir julgo. O paraíso está aqui mesmo, entre nós, naquilo que fazemos e no que vivemos. Quando temos um almoço ou jantar familiar, quando estamos com os nossos melhores amigos, quando comemos aquele prato que tanto gostamos e que nos faz sentir nas nuvens, quando beijamos os lábios de uma mulher, quando estamos a ver o pôr do sol à beira-mar, quando acima de tudo fazemos aquilo que mais gostamos de sentir e viver. No paraíso moram todas as substâncias e essências, mora o que nós queremos que lá more, depende acima de tudo do desejo e vontade de cada um. Quase sempre gostaríamos de lá estar, e criámos esse espaço como um espaço utópico, cheio de objectos e matérias que muitas vezes nunca visualizamos ou experimentamos, acreditando que são fabulosos e que nos trarão um prazer enorme. Contudo, muitas vezes a ilusão é tão grande que nem nos apercebemos do quanto irreal é esse mesmo mundo. Não damos devido valor ao que temos em mãos, ao que nos é belo e desejamos o que vemos outros publicitarem. A verdade é que esses, os do outro lado do ecrã ou da vitrina estão na mesma situação que nós, a desejar a simplicidade e pureza que temos em nós e em nosso redor. O paraíso é o que nós queremos ter todos os dias, por isso há que vive-lo e senti-lo, sair com os amigos o máximo possível, estar com a família, fazer tudo aquilo que tanto gostamos e sentir que isso sim, é o que nos trás boas memórias, calor e segurança que nos acompanha pela vida fora. Todo o resto, mais do que utópico é isso mesmo, um resto, um pouco ou nada que não nos alimentará de forma alguma e que só consumirá tudo o que temos e a nossa disposição para lhe darmos valor.
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