A queima das fitas é um momento único do ano, principalmente para estudantes, torna-se no momento mais importante, mais do que o final de aulas, passagem de ano, o seu aniversário, etc. Por ser de um período maior e por ser contínuo a queima permite um estado de exaltação pessoal prolongada. Nela podemos fazer quase tudo, ver concertos, estar com amigos, estar dentro de discotecas, comer, beber, fumar, namorar, conhecer novas substâncias e pessoas, sem cuidado ir conhecer os enfermeiros do inem, dá para tudo basicamente. Dependendo de cada pessoa e da sua forma de ser, a queima pode ser encarada de muitas formas, como momento de salvação, de reconciliação, pura diversão, de convívio, de loucura, de libertação, de perda de sentidos, de vergonha, etc. Estranhamente, ou talvez não, o maior catalisador de todo este processo de acontecimentos é o álcool. Consumidos umas boas centenas de litros de álcool em cada uma das semanas, o álcool acelera e destabiliza o sujeito, por culpa do próprio e não do químico em si, no sentido que este mais inconscientemente o deseja. A culpa não é nem nunca foi do álcool, mas sim de quem dele faz e agradece como melhor amigo numa noite. Com ele, o álcool, as pessoas dizem-se mais alegres, mais soltas, tudo se torna em grandes amigos, os namorados voltam a ser grandes e queridos, deixa de existir problemas no mundo e acima de tudo na nossa vida, tudo parece mais vivo e colorido. Com ele, essas pessoas, são mais altas e mais fortes, vencem o mundo só com as suas mãos e conseguem conquistar tudo. Infelizmente para todos eles, a realidade acaba normalmente ao fim de uma semana, no máximo um mês, se andarem de queima em queima, queimando-se. Pena tenho dos outros onze meses, e acima de tudo em quem perto deles convive, mas acima de tudo, também só se acredita no pai natal se se quiser. Um bem haja à queima e ao álcool, às semanas académicas, aos concertos e a todos os que permitem que isso aconteça, felizmente pude viver mais de dez momentos desses em tão poucos anos de vida. Cresçam e aprendam àqueles que são homens e mulheres agora que saem do rabo de saias das mães e se julgam homens e mulheres porque foram "altamente" na queima e vivem frustrados todo o resto do ano. Acordem e percebam que, como em qualquer sonho e fantasia, tudo termina quando abrimos os olhos e percebemos o que somos.
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