segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sonhos e memórias

Nos últimos tempos tenho pensado sobre o valor que atribuímos a tudo. Sendo que o ser humano tem como prática mais comum o julgamento e avaliação do que o rodeia, dando-lhe um valor significativo para si de alguma forma, até que ponto essa avaliação é realmente real e medida? Carece, acima de tudo julgo, da consciência dessa mesma avaliação, do raciocínio e razão, conhecimento através da maior obtenção de informação possível, dessa mesma substância. Foi deambulando nesse mesmo julgamento sobre julgamentos que me questionei afinal o que terá mais valor, a recuperação de uma memória e a procura da sua vivência de alguma forma ou o entendimento de um sonho, do seu significado na mente e na vida. Apesar de serem ambos de esferas diferentes da consciência humana, o julgamento do seu valor é possível e poderá de certa forma até orientar o pensamento do sujeito. As memórias tem uma característica fundamental que os sonhos normalmente não têm, arbitrariedade do sujeito, uma classificação e análise interior que faz com que essa memória seja colocada em estantes mais proximais ou distais. Se por um lado umas são facilmente recuperáveis, outras por carência de importância ou por recalcamento psicológico são jogadas bem lá para o canto do labirinto. Mesmo quando acomodadas nos vários ficheiros, as memórias tem tendência a serem seladas com um carimbo que é pouco imparcial, as memórias más poderão ser vistas de forma mais agravada do que na verdade foram vividas e sentidas, ou por outro lado, fechadas com um bom pano quente sobre as costas, amortizando a dor a que elas estava associada. Depende acima de tudo também das vivências futuras sobre o mesmo tema ou a forma como as reflectimos. Ou seja, o nosso bibliotecário é pouco equitativo e recto na sua organização mental. Por sua vez, os sonhos, por muito estranhos que possam parecer, completamente fora da realidade existente e do possível, apesar de poderem e serem muitas vezes controlados por nós, são mais directos e estreitos ao sub-consciente, ao que não é julgado e documentado por um bibliotecário. Talvez por isso mesmo sejam por vezes tão desorientados e difusos, dependendo acima de tudo da análise de cada um, introspectiva e do exterior, sendo que ambas acabam por ser sempre retrospectivas. Não raras vezes, é este mesmo campo que nos alerta e desperta para o que se passa verdadeiramente no exterior, fornecendo-nos informação que por falta de atenção ou capacidade de retenção não absorvemos. Assim talvez não seja de mau tom começar a dar mais valor a esse meio e contestar mais e reanalisar com mais conteúdo e sentido o meio anterior, das memórias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário