segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sai da tua mente

A música para além de nos permitir voar e flutuar por ares que nunca testamos alcançar, para além de nos fazer por vezes imergir em águas profundas e frias onde muitas vezes nem um pequeno raiar de luz atinge a sua superfície, permite-nos também sair de nós mesmos, sermos algo mais, superiores, transcendentes, melhores. Conduz dentro de nós impulsos que nos encaminham para uma performance melhor, seja ela de aprendizagem ou de rendimento puro, a música é a alma do corpo. É também baseado numa música que este título surge, uma música forte que te exige o máximo, um grito a uma libertação mental e física, de energia pura e na procura do ser autêntico. Acredito que é necessário uma concentração máxima para se atingir estes estádios, são momentos que se atingem apenas com muito treino e meditação, apesar de serem momentos de explosão e derrube de barreiras, são baseados em longos períodos de introspecção e onde apesar do caos aparente a homeostase está terminada. O perfeito equilíbrio do corpo, homeostático, é um estado de consagração pessoal momentânea, existem sempre novas metas, novas barreiras a quebrar, não fosse o objectivo ser ainda mais e melhor, e não fosse a compreensão desse estado ainda mais consciente quanto mais perto se está dele sem nunca se estar verdadeiramente. São apenas etapas, consolidações do ser e do estar num tempo e espaço muito próprios. A nível psicológico, e divido apenas em níveis os vários campos físicos e meta-físicos para uma compreensão mais natural do leitor, a minha perspectiva já apresentada há muitos posts atrás é completamente diferente, só quando saímos verdadeiramente de nós é que sabemos o que somos, o que queremos e para onde vamos. A contemplação pessoal tal e qual como uma objectiva exterior ao ser, é que está a salvo da margem de erro sempre típica da análise interior. Assim, resta-nos fazer o esforço de olhar cada vez menos para o umbigo e ver o reflexo de nós nos olhos de outrem. 

3 comentários:

  1. Todas as formas de arte, sejam elas pela leitura, escuta, contemplação, ação física, etc, são fontes invasoras do mosteiro austero que tantas vezes parecemos ser, e quebra essas muralhas graníticas que fazem de nós gente convencida, destoada de um eixo verdadeiramente harmonioso e universal aplicável a qualquer ser humano.

    A música, em particular, pela forma preferencial com que chega às pessoas, pode desempenhar um papel libertador da mente, que permitirá deslocar e realinhar forças internas que podem estar adormecidas, sobreagitadas ou em insustentável conformação.

    Pessoalmente, preciso da música bem perto de mim, se possível a tempo inteiro.

    Um abraço,

    Marcelo

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  2. Olá amigo, e para além da música, que consideras da verdadeira superação do ser quando se transcende para o seu exterior e se contempla? Abraço

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  3. Estar consciente pode ser visto como um ato de superação porque não é um estado absoluto. Diferentes pessoas podem dizer-se conscientes numa mesma situação sem que contudo estejam em idênticos patamares de consciência. A consciência é a unidade de medida da nossa limitação mental num dado ponto da nossa vida. Por isso é necessária superação para que essa limitação seja transposta, porque expandir a consciência é como quebrar uma carapaça mental que até ao momento nos limitava. Um abraço

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