Engraçado, se não mesmo caricato, como o ser humano reage à divulgação de um produto. A forma como é apresentado o produto e a credibilização que lhe é dada baseada através da apresentação de estudos ou factos são determinantes. A história tem nos apresentado vários casos de produtos que sendo de base muito semelhante, mas por terem sido apresentados em tempos diferentes ou por uma companhia diferente de marketing, tiveram resultados diametralmente opostos. Lembro-me de um dos desenhos animados que foi apresentado em cinema pela primeira vez ter um enorme sucesso mundial, ser muito semelhante a um de autoria asiática produzido quase duas décadas antes e no entanto praticamente ninguém o conhecer no mundo ocidental. Ou de uma tablet que uma década antes de ser agora tão bombástica foi apresentada com carácter exploratório e nessa altura basicamente só ser referenciada em revistas da área. Engraçado como o marketing e a gestão deste funcionam. Acima de tudo é mexer com o básico da necessidade humana, se apresentarmos uma ideia como "olha e isto que tal, talvez dê jeito ou seja de qualidade" ou se a apresentarmos como "isto é realmente muito bom, indispensável" tem resultados completamente diferentes. Mais do que esclarecer aqui se os produtos tem ou não qualidade, isso interessa ao consumidor atento e que não queira desperdiçar tempo e dinheiro, é interessante como pintando um pouco ou quadro ou dando-lhe umas lufadas de ar podemos obter resultados tão impressionantes. Outro caso que me lembro bem, pois é bem mais recente, é de um filme que é no seu processo e substância tal e qual o de outro mas com mais efeitos e milhares de horas de digitalização e teve um rendimento de várias centenas de milhões de dólares de diferença. Tal e qual como apresentar água com um copo de vidro ou numa caneca de metal. Felizmente, hoje a divulgação da informação permite-nos rapidamente reparar nestas farsas, mas nem por isso a maioria dos consumidores continua a deixar de se enganar, por vezes até pelo mesmo produtor. O caso mais berrante talvez seja o de dois filmes que apresentam exactamente a mesma sequência cinematográfica durante um período de cerca de cinco minutos, mas que no entanto foram produzidos com alguns anos de diferença. Será que já não existe sequer preocupação em tentar não enganar o cliente, ou será que por outro lado até já se aproveitam da sua cegueira? Parece-me claro que acima de tudo, todos eles sabem que o mais importante é "vender" o produto através dos meios de comunicação, o mais importante é ter fogo de artifício por detrás de um produto que não tem qualquer brilho.
Olá, Pedro,
ResponderExcluirSobre este post, acrescento o seguinte:
1. Em praticamente tudo o que anda em torno do Homem, e especificamente no comércio, o Meio (quando, como, quanto, onde) conta tanto ou mais que o Fim (produto), daí sucederem-se casos de inesperados flops infundados e repletos de ignorância do mercado, e, na vertente oposta, as pseudonovidades estonteantes.
2. O Homem de hoje tem cada vez mais dificuldade em perceber o que quer da vida, tampouco o que quer ou deixa de querer no âmbito de processos de compra. O consumidor de hoje é então, regra geral, um sequisoso à espera que lhe vendam uma tal banha da cobra que supra determinadas fraquezas de espírito.
Um abraço.
Marcelo
Obrigado amigo, nem mais, concordo perfeitamente com o que dizes. Só estranho é que com tanto site de comparação de preços, análise e avaliação do produto, para além de revistas especializadas, o ser humano cometa cada vez mais erros e se veja cada vez mais cego por tantos holofotes.
ResponderExcluirAbraço