Há cerca de 2 anos decidi definitivamente em sair de Portugal, apesar de na altura ainda estar num período lectivo e de ter imenso trabalho na faculdade, apesar da minha mente já estar mais do que ocupada com material para a constituição de uma tese e de trabalho para construir e resolver na escola, só pensava em sair do país o mais cedo possível. Não que não aprecie aspectos nele, pelo contrário há locais e pessoas que me encantam e acredito que irei ter esse sentimento eternamente, mas o sentimento geral era o oposto em relação a todas as demais substâncias. Mais do que as questões de ordem financeira que não permitem ao sujeito encarar a vida se não para um plano momentâneo e normalmente só de cumprimento de deveres, foi o âmbito social que me deixava cada vez mais perturbado. A pequenez da vida das pessoas e da sua forma de ser e estar na vida, encarando a vida sempre com raiva e inveja, sem educação e sentido, procurando sempre publicitar o que têm e o que não têm, a procura em defender o seu posto quando ninguém sequer lhes tenta tirar isso, a falta de partilha de princípios e de informação que levassem a uma maior coligação e força entre todos e em cada um. A selva cada vez parecia mais densa e alta. Na altura, vários foram os que consideraram má ideia a partida para fora, irresponsável, sonhadora, que afinal a situação do país não era assim tão má e que iria inverter num sentido melhor. Que as propostas que chegavam, alguns por mérito próprio outros por oferta sem pudor, eram encaradas por alguns como o sonho de uma vida e o caminho a seguir sem qualquer reflexão ou consciencialização. A inactividade e passividade dos sujeitos era por vezes tal que me dava vontade de os despertar com mais do que água fria, não só pelo sentimento em os querer ajudar porque sentia carinho e amizade por essas pessoas mas também para que elas não me dessem motivos futuros de decepção e tristeza. Passados cerca de dois anos, acredito que o país está ainda pior, não por culpa daqueles que tem os holofotes sobre eles, mas dos que agora se queixam que deviam ter ido para fora, daqueles que se vendem ainda mais, dos que se defendem com tudo pelo seu posto quando ninguém lhes quer tirar nada, por todos aqueles que ouvem e deixam andar toda a situação social e económica, por todos aqueles que acima de tudo, gostam de sofrer e de se fazer de coitados e perante uma ajuda ou uma procura de partilha de informação se sentem atacados. Todo o ser humano tem direito ao seu caminho, só tenho pena que julguem quem de forma mais correcta ou não tão certa quer e procura ajudar. Também aprendemos com quem diz asneiras e toma sentidos errados, mas devemos procurar ouvir e entender todos. No meio de tudo alguém terá sempre um pouquinho de verdade e de certeza no seu juízo. O conhecimento pode assustar, mas a estupidez assusta claramente mais.
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