Enquanto ser pertencente ao conjunto de outros seres, de uma forma mais ou menos simbiótica, o ser humano vai criando laços de conhecimento, sentimento, sentido e pensamento conjunto que o faz sentir e ser absorvido por esse mesmo conjunto que o circunda e o encrosta. Cria em ambos os sentidos um compromisso de enriquecimento cultural conjunto evolutivo e reprodutivo. Contudo, para que por vezes este crescimento, provavelmente o de ambas as partes, seja mais vitaminado é necessário sair da própria caixa que os acomoda e aconchega, arrancando raízes para que ambos sejam mais livres e para que se lancem novas raízes com vista a uma fortificação e expansão maiores. Dessa forma, provavelmente, a falta de substância primária irá criar cede no respectivo sujeito e despoletar um sentimento de afirmação do erro, do risco e da aventura inevitáveis para um novo sucesso. De outra forma, possivelmente também, a probabilidade de ser consumido pelo próprio meio até ao ponto de falta de interesse e desejo em crescer torna-se inevitável e fatalista. Lembra o caracol, que por tanta vontade em se querer defender e se acomodar carrega consigo a sua casa, sem compreender com clarividência o quanto isso o atrasa e o quanto a sua casa é frágil perante qualquer intempérie. Não quero com isto dizer que se lancem de pescoço bem alto como as girafas em busca dos ramos mais altos e verdes, isso acaba por provocar desequilíbrio, fraca e lenta locomoção e acima de tudo vertigens. Sejamos ponderados e compreendamos que as nossas asas só são extensíveis à medida da nossa capacidade e imaginação.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Poder de decisão, independência e consciência, os verdadeiros três mosqueteiros...
Só existe um problema se existir uma solução, esta é uma das poucas leis da vida, mesmo que essa solução seja impossível, indeterminável no momento por falta de conhecimento ou por ter uma solução múltipla. O ser humano quanto mais inteligente for, quanto maior for a sua percepção da realidade, o seu mecanismo de raciocínio e a sua segurança e confiança na tomada de decisão, maior independência terá. A sua consciência é determinante em todo este processo, e por estranho que pareça, a consciência acima de tudo sobre um sentimento de si, mas de si no mundo e do mundo sem o si. Acreditar que as nossas acções podem realmente ter efeito sobre o mundo, mesmo sobre o nosso micro-mundo, é dar demasiada relevância em muitas dos casos. O mundo, constituído cada vez mais por pessoas, e moldado por estas, segue desta forma padrões de comportamento padronizados, normalmente cíclicos e com tendência para uma ondulação crescente e depois decrescente de intensidade. As nossas acções e estados de espírito normalmente só desfocam o sentimento que temos sobre o mundo e nunca do mundo sobre nós, ele vai passando na nossa janela, resta saber se estando nós em movimento ou ele, mas isso também depende do conforto e desejo de cada um. Assim, o poder de decisão, independência e consciência são provavelmente os nossos maiores defensores, aqueles que estarão a nosso lado para toda a vida, depende acima de tudo de nós alimentarmos esses seres para que a ligação seja cada vez mais forte, viva e impenetrável. Fica então por saber se damos o papel principal ao mundo ou ao próprio, tendo consciência que este próprio pouca importância tem normalmente no decorrer da história. A nossa significância depende acima de tudo em acreditar na sua significância.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Remexer o baú
Lembrar o passado, procurar lá memórias, por vezes já remetidas para o inconsciente, procurar tirar o pó a todos os objectos e conteúdos que lá estavam guardados tem várias hipóteses de consequência ou consequências pois todas podem não ter o mesmo final. Se algumas nos emitem logo um sorriso de orelha a orelha, outras levam-nos à reflexão de onde e quando aquilo afinal veio, e outras ainda afinal o que é que aquilo está lá a fazer quando devia e bem estar no lixo para ser eliminado ou quanto muito reciclado. Periodicamente, sem nenhuma regra ou precisão de tempo ou sentido, costumo ir ao meu baú, muitas vezes para apenas tirar o pó, outras vezes para apagar aquilo que de pouco importante ocupação tem, umas vezes de forma mais controlada e racional, outras nem por isso, de forma a arranjar espaço para futuras memórias outras para substituir pelas mais recentes estórias, momentos de fantasia vistos aos meus olhos e sentidas de forma sempre própria como todos os acontecimentos que são vivenciados pelo indivíduo, sempre ele único e próprio. Felizmente cada vez mais são aquelas parcelas que vão ficando e perdurando ao longo da história, não por falta de novas vivências, o ano passado foi sem dúvida o maior e mais longo de sempre nesse sentido, mas pelo baú ir aumentando na sua riqueza de tamanho e plasticidade. É cada vez menos rígido, embora cada vez mais resistente, e os resíduos que por vezes tem tendência a encrostar-se como pequenos ser hostis e sanguessugas vão sendo eliminados devido a essa plasticidade mental entre elementos cada vez mais fluídos e coniventes. Lembrar o passado e procurar vive-lo novamente é impossível, ele só é autêntico nesse mesmo momento, mas nem por isso deixa de dar um gosto especial olhar e sentir o corpo sentindo-o o e olhando-o novamente.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Natal e Passagem de Ano Novo
Interessante observar o ser humano nesta altura do ano, nomeadamente o seu pensamento e comportamento. Fica denotado como é influenciável, sem o querer, pela sociedade. Isto não significa que o seja no mau sentido, pelo contrário, o espírito de partilha, entrega, compaixão, alegria e ajuda tornam-se muito mais presentes e visíveis. Tal como por vezes o excesso de consumo, seja ele de produtos consumíveis pelo corpo ou não, o gasto de dinheiro é por vezes descontrolado e irreflectido. A falta de paciência e o stress torna-se por vezes demasiado elevado, tudo para que se possam cumprir os desejos de alguns. Contudo esse desejo em cumprir o desejo dos outros é muitas vezes momentâneo e simplesmente material. Pois após, ou mesmo durante o natal, tudo fica como estava antes se não pior. Tudo para que a aparência perante os próximos ou mesmo dos mais distantes seja reconhecida de uma forma tantas vezes ilusória. Por outro lado, felizmente positivo, é nestas alturas que as pessoas estão mais receptivas a cooperarem, em voluntariado, mais despertas para ajudarem o próximo, mesmo que tal seja desconhecido. Por isso cave basicamente ao ser humano a orientação a tomar, normalmente os extremos extremam-se ainda mais nesta altura. Outra momento interessante e que em nada foge ao anterior, é passagem de ano, onde os desejos e loucuras são mais que em demasia. Lembra um pouco as crianças que quando se aproxima o natal tornam-se anjos para que sejam considerados bons meninos e meninas ao olhar e avaliação do Pai Natal. Na cabeça da maioria dos adultos o princípio é o mesmo para o virar da página, prometem, muitas vezes iludem-se, que no próximo ano vão ser diferentes, tudo o que é mau vai ser posto de lado, tudo o que é bom vai ser ainda melhor. Curiosamente, e tal como as crianças logo após o natal, não fazem nada para alterar o seu pensamento ou comportamento, normalmente com tendência para agravarem ainda mais as suas características. Isto deve-se principalmente a um esquecimento rápido e total de tudo isso. Felizmente as crianças são mais espertas e por isso desenvolvem mecanismos para se controlarem e adulterarem o seu comportamento e instinto, já o adulto torna-se igual ao que era anteriormente não por falta de mecanismos, pois nem os cria, mas sim por acomodação. Por uma razão ou outra encontram sempre razões para o sucedido, e todas elas raramente são responsáveis pelo próprio. Talvez tanto no caso das crianças como dos adultos o problema esteja na mudança para as zero horas, uns recebem prendas e tudo o que queriam e por isso já está o trabalho feito, outros porque depois álcool e demais fazem esquecer as promessas que ficaram retidas no ano anterior. Autenticidade e constância são acima de tudo o que definem o carácter de uma pessoa, seja ela criança ou ligeiramente mais adulta.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Live for today, hope for tomorrow, learn from yesterday
Li num rótulo de uma lata de bolachas este título e que pode-se traduzir para por português como: "Vive para hoje, espera/confia para amanhã, aprende por ontem". Apesar de simples e badalada a frase, semelhante a muitas outras de guia de inspiração e orientação moral a percepção que obtive sobre esta é ligeiramente mais oportuna e fulcral para o que deve ser a formação intelectual e vivencial do indivíduo. O viver para hoje, tão aclamado pelo carpe diem, é naturalmente uma assunção ao viver o momento, dar valor ao processo, compreender que a vivência por si só, só tem sentido e sentimento no momento, por ser verdadeira, autêntica e única. Contudo as outras duas partes da frase, adquirem e contribuem para um sentido muito mais robusto e enriquecedor. Não foi por acaso que coloquei "espera/confia", isto porque uns esperam e outros confiam no amanhã, uns porque acomodam-se e aguardam calmamente o desenlace do amanhã, outros porque confiam, confiam no que fizeram já hoje para que o amanhã fosse melhor, porque compreendem que tudo fizeram para que esse dia seguinte fosse o melhor possível e porque sabem, tem noção, de que mais nada podem ou podiam ter feito para que esse amanhã fosse mais brilhante e durad(ouro). Mas a verdadeira riqueza e genialidade está acima de tudo não no processo, não na construção deste, mas sim na obtenção de uma análise pura, clara, construtiva e objectiva do que se sucedeu até então. Uma significação mais congruente sobre o sujeito e sobre o seu encadeamento com o processo é sem dúvidas o santo graal para uma vida sustentada, compreensiva e compreendida, construtiva e produtiva.
A lógica nem sempre é lógica ou tem logia
O que é afinal lógico? É o que segue determinado protocolo? O que é justo? O que está certo? O verdadeiro? Baseado em quem e no quê? Quando e de que forma? Onde e em que sentido?
Todos os processos que oriento, sou orientado e vou observando enquanto decorrem sem minha participação directa ou indirecta são alvo da minha análise constante com vista à compreensão do seu conteúdo e da sua envolvente de forma a maximizar se possível todos eles por si e no seu conjunto. Compreender todas as suas variáveis e invariáveis é basicamente impossível humanamente, mas a procura da sua compreensão deve ser sim humana e encorajadora. Só assim podemos rentabilizar todos os processos actuais e futuros. Deste modo várias têm sido as interrogações como se pode ler inicialmente. Nomeadamente em processos humanos e de construção essencialmente social, as máquinas e sistemas informáticos seguem padrões bem mais estandardizados mas mesmo eles com desvios de comportamento e de actuação por vezes inexplicáveis para já ao conhecimento do ser, as variáveis são por vezes tão inadequadas com as padronizações de comportamento do sujeito que se teme a sanidade mental deste. Por vezes o seguimento do padrão cultural encarneirado e enfileirado também assusta. Assim surge a questão, o que está afinal correcto? O padrão, o aleatório, o inverso, o fragmentado, ou simplesmente o cataclismo e a alienação? Considero cada vez mais que todos eles, em momentos diferentes e perante plataformas de entendimento e conjugação desiguais, estão correctos e são os mais assertivos. Para isso a panóplia de instrumentos e ferramentas que dispomos deve estar bem fortalecida e baseado em conhecimentos e aplicações que tenham sido devidamente congruentes e satisfatórios.
Ausência e efeito de substituição
Ao longo destes meses de ausência, felizmente o trabalho tem sido mais que muito e a responsabilidade também, para além de uma mudança grande para um compromisso maior em termos habitacionais e de toda a preparação para um natal e férias felizes, a maturação e perspectiva do conhecimento tem aumentado imenso. O conceito de sucesso e realização vai tornando-se mais claro e a compreensão do que é realmente fundamental compreende cada vez mais os objectivos e acções diárias. Estarei por certo ainda a anos-luz do que devia realmente ser e fazer mas sinto-me mais preparado e mais focado no que pretendo, no que mereço e no que desejo. A vida está longe de ser perfeita, nunca o será, mas nota-se um claro ascendente nos últimos anos e isso faz sentir-me orgulhoso e meta-realizado. Tudo isto porque compreendo cada vez mais a importância da obtenção e retenção do que é importante, estranhamente isto deve-se à ausência momentânea de que por vezes temos do que nos é amado e querido. Como diz o sábio, só se sente falta do que não se tem. A verdade não está muito longe disso, simplesmente devemos considerar do que não se tem e se teve ou do que se tem e não se dá devido valor, por isso quando nos vemos sem algo que nos é importante mas que por vezes não é relevante na nossa consciência sentimos falta e damos mais valor ao que até então era tido como adquirido. A faca e garfo estão sempre postos em redor do prato e só quando não temos algum deles é que realmente compreendemos qual a sua importância e complementaridade. Podemos tentar usar o pão para tentar substituir ambos mas como facilmente se compreende o pão não tem essa função e procurá-lo dar mais valor do que o que já tem é desconsiderá-lo. A mente humana tem essa tendência, satisfazer-nos com genéricos para que nunca nos sintamos mal, ilude-nos vendendo-nos a ideia que mesmo sem rótulo o produto que nos é apresentado é tal e qual como anterior. Por vezes essa demonstração sensorial e sentimental até é melhor, mais satisfatória que a anterior, mas não raras vezes o ser humano apenas viverá iludido em felicidade sintética durante um período de tempo curto. Como diz a palavra, substituir é tentar impingir algo que não era favorito, de outra forma teria sido prioritário e autêntico. Despertar e valorizar são com certeza os princípios aos quais devemos estar atentos.
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