Ao longo da nossa vida muitas são as pessoas que vão passando por nós, com ideias, considerações, certezas, de como somos e o que fazemos. Muitas vezes sem nos conhecerem realmente conseguem fazer um relatório sobre nós. É típico do ser humano, principalmente aquele que pouco ou nada faz por si e para si, passear o seu tempo analisando e comentando com outros sobre os outros. Vivem a vida das pessoas e julgam-nas como se fossem juízes e marcos no caminho de cada cidadão. Não raras vezes, possuidores da verdade e certeza absoluta, baseiam-se em projecções sobre o como as pessoas podiam e deviam ser e fazer, mas sem contudo aplicar esses mesmo conhecimentos à sua vida. A procura em esconder o que realmente os move e o que os alimenta perante a ausência de vida própria e de conteúdo de felicidade nela, exploram campos que desconhecem e não raramente reunem-se para que essa ideia seja mais forte e sustentada. Mesmo as pessoas mais próximas, sem tanta intenção em fazer furor sobre os nossos actos e vivências, criam sempre expectativas e esperanças quanto à direcção e sentido dos nossos movimentos, não procurando saber o que é realmente essencial, o que é fundamental para nós, a essência para as nossas decisões e passos. Muitas vezes por não saberem fazer as perguntas mais correctas ou nos lerem pela nossa história, não compreendem porque somos o que somos e fazemos o que fazemos. Acabando várias vezes por nos cobrar e algumas vezes se afastar, não intendem os nossos sentimentos, as nossas intenções e pensamentos e assim nunca compreendem realmente o que nos inspira, o que realmente é fundamental para nós, a nossa vida, os nossos objectivos e sonhos. Esse caminho demora muito tempo, é preciso paciência para se ouvir, para se escutar com os ouvidos mas acima de tudo com o coração, em vez disso eliminam esses momentos preferindo quebrar barreiras segundo padrões sociais estabelecidos do que se deve fazer e ser, um género de call-centre de apoio ao cliente onde perante cada ponto, existem outros pontos subsequentes já pré-estabelecidos. Não existe um entendimento concorrente e congruente, existe apenas uma esperança que se alimente aquilo que elas esperam de nós perante elas. Um dos problemas da sociedade é olhar para o exterior com a esperança de ver reflectido, como um espelho, o seu interior, não permitindo, não potenciando, as individualidades e a fabulosa experiência e riqueza que essa salada nos pode trazer.
domingo, 20 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Poder e influência ou vulnerabilidade e dependência
A sociedade e media mostram actualmente várias figuras e colectividades recorrentemente como se fossem exemplos a seguir, como se fossem ídolos e heróis que pelos seus feitos devessem ser seguidos por multidões. Criam-lhes uma máscara e apresentam-nos através das lentes, dissecando grande parte da sua vida passada e pessoal e comandam cada passo que vão caminhando no dia-a-dia. Não os deixando respirar e tapando-lhes a boca com palavras que não são suas, que não são intrínsecas, mas que são filtradas e processadas por orgãos comunicacionais. Guiam e movem montanhas multidões que acorrentadas ao estímulo de pertença, querem sentir que são como eles, que estão com eles e vivem com e como eles. Mesmo em mercados mais reprodutores e que geram mais economia e finanças, a influência da palavra ultrapassa claramente a do poder financeiro, a comunicação e publicidade são fundamentais e devem ser planeados e delineados até ao mínimo detalhe para que possam ser actos e momentos de grande sucesso. São essas fantasias e ilusões que comandam grande parte das pessoas que ambicionam ser as mais poderosas e ricas identidades humanas neste mundo. Vivem e consomem-se para atingirem essas metas e ultrapassam e calcam qualquer obstáculo que surja em frente deles, seja ele humano ou não. Alguns actuando como típicas marionetas de um sistema já há muito montado e construído que labora em todos os campos da sociedade. Mas até que ponto são estas pessoas realmente poderosas e influentes se não conseguem dar um passo ou emitir um pensamento ou sentimento único, puro, simples, próprio? Como se pode ser a pessoa mais poderosa e influenciadora do mundo se não dormimos na nossa cama e não comemos com a nossa boca? Afinal a vida é tão curta para não viver a nossa vida, para não guardarmos conosco as nossas memórias e experiências, os nossos sentimentos e conforto sobre o poder real das nossas acções. Prefirir ganhar todos os dias o carinho e reconhecimento dos poucos que nos circundam e para quem realmente se é influente e importante, dar ao mundo o que se tem sem ter que se tirar a vida de ninguém, parece-me o caminho a seguir, se todos dessem mais um pouco ao próximo, sem rodeios, sem condições, sem esperar algo em troca, acredito que todos ganhariam muito mais mas por vezes o prazer carnal, o verdadeiro prazer de consumir a carne e sangue do próximo acaba por levar o ser humano à sua condição irracional. Poderoso, influente é aquele que caminha com os seus próprios pés pelos caminhos que contrói conjuntamente com outros, aquele que vive independentemente de influências de pensamento ou julgamento e que fica na história de muitos pelo quanto deu e tirou de si para que todos fossem mais felizes e capazes. Qualquer quantidade de poder estará sempre na transformação do que se é capaz de fazer ou reproduzir e nunca na alienação de seres ou estares.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Ajudar - dar uma mão
As bases onde fui criado sempre me educaram e sempre me potencializaram um ambiente de entreajuda e cooperação para um bem comum. A lógica do trabalho colectivo em prol de um bem comum sempre me fez ver que o crescimento era mais sustentado, mais sentido e objectivo. Para além disso a economia de energia e paciência era maior e trazia resultados e celebrações colectivas maiores e mais intensas. Para além disso, sempre me educaram que deveremos procurar ajudar os outros sempre que estes necessitem, a parte de ser meretória essa parte já não foi tão esclarecida pois só com o tempo é que realmente percebi que nem todos os que nos pedem a mão querem a nossa ajuda e o mesmo acontece com o inverso, nem todos que nos dão a mão nos querem ajudar, e nem todos merecem essa ajuda pois só se lembram de nós quando necessitam e logo logo se esvanece a memória e a lembrança. Desta forma, após uma pré-avaliação mais racional procuro sempre ajudar aqueles que posso, como posso, e quando posso, contudo por vez nem sempre isso é possível e também algumas vezes continuo a cometer o erro de ajudar quem não devia. Mesmo assim faço-o com gosto pois fiz aquilo que achei correcto no momento, muitas vezes por satisfação pessoal pelo simples acto de ajudar e não por ter algum tipo de sentimento ou ligação com as pessoas pois não raras vezes nem as conheço. Contudo ultimamente tenho me deparado com vários casos de pedido de ajuda onde as pessoas não querem realmente ajuda, mas que faça tudo por elas, que dê todos os passos por elas, é que nem querem apenas uma mão para se sentirem mais seguras ou para terem um maior equilíbrio. Querem que lhes abra as portas, que os encaminhem por elas e as feche. A questão seria se eu o posso fazer? Sim, claro, mas existem vários motivos para não o fazer, primeiro tenho uma vida para viver e que amo vivê-la, segundo após essa fase o que fariam essas pessoas caindo em situações para os quais nem lutaram? Mais acomodação, mais pedidos e mais necessidade cega e leviana de auxílio. Ou seja, na verdade não estaria a ajudar, mais a acomodar quem já está quietinho e quentinho no seu ninho. Por isso, procuro fazer aquilo que penso que sou melhor, dou concelhos, faço as pessoas pensarem e mostro-lhes portas e janelas que podem abrir, mas percorrer caminhos, esses são para os que querem ser viajantes da sua vida e não para aqueles que querem ser espectadores, para esses não tenho paciência e por mim que continuem a ver televisão sentadinhos no sofá, que eu também gosto do meu tempo relaxado e em sossego. Luto com e por lutadores, não com e por vencidos.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Tipos de emigrante
Existe um momento fundamental que determina a vida de um português quando sai do país, o momento em que está no aeroporto e embarca para sair da sua pátria. É um momento que marca uma pessoa e que questiona muitos pensamentos e sentimentos. Nesse momento há várias formas de espírito mas sempre uma pena de deixar para trás aqueles que nos eram todos os dias familiares. Contudo existem duas grandes divisões, aqueles que deixam o país por vontade própria pois sempre tiveram o desejo de viver fora do país e por isso vão para onde acreditam que estarão melhor e aqueles que não podendo de alguma forma realizar-se no país de origem partem para outro com vista a uma situação melhor de alguma forma. Esta divisão marca logo claramente um sentimento, um marco posicional, fundamental e determinante, uma resistência ou uma catalização enorme para o futuro. Aqueles que vão por livre vontade, com desejo de viver no estrangeiro têm uma motivação superior, um impulso para triunfar e se realizarem em pleno. Os outros, aqueles que vão porque não conseguiram de alguma forma a concretização dos desejos em casa, criam desde logo uma âncora que os prega ao território e assim vão com vontade de voltar quando puderem, ou porque as condições mudaram ou porque o exterior lhes proporcionou voltar ao interior com maior potencial de finalização. Assim a vontade não é tão forte, porque existe de alguma forma, inconscientemente quiçá, uma acomodação de que se algo correr mal existe sempre o lar, o conforto de onde estavam e isso acaba por castrar um pouco. A partir do momento que aterram no novo mundo, todos estes emigrantes têm então vários caminhos que podem percorrer e é normalmente a personalidade, como quase em tudo, que vai determinar as suas opções e trilhos. Existem aqueles que procuram melhorar o seu ser e o seu estar, acrescentando o novo ao que já era inscrito neles e abraçam o melhor que o novo hemisfério lhes dá, existem aqueles que em nada mudam e vivem tal e qual como viviam e eram na vida anterior, e por fim, existem aqueles que se transformam, mutam, e vivem uma vida que até então de alguma forma nunca lhes tinha sido proporcionada. Todas elas estão certas desde que as pessoas sejam completas, felizes, realizadas na sua forma e no seu bem estar e julgo que ninguém é capaz de criticar. Como em tudo na vida, existem exemplos que contradizem a regra e existem pessoas que vão variando a sua forma de operar mas a cadência para a padronização do comportamento é típico do ser humano, e até a forma atribulada e caótica que podem apresentar é também em si, muitas vezes, mais do que previsivel.
domingo, 6 de abril de 2014
Sou feliz
A vida dá-nos muitas tarefas e encaminha-nos por percursos que nem sempre compreendemos. Por vezes, só bastante tarde é que compreendemos realmente o sentido e sentimento das nossas acções e convicções em certos momentos da nossa vida. Com tempo, com calma, razão e sabedoria do calo vamos aprofundando a compreensão do que somos e do que queremos ser. Procuramos ser sempre melhores, mais eficientes e eficazes, mais capazes e sabedores de todos os momentos que construímos na nossa vida. Assim, acontece que em determinadas alturas essa demanda pela perfeição torna-se demasiado planeada e racionalizada, precavendo todos os precalços e deixando a espontaneidade de lado, o impulso e o limite para o erro ao mínimo. Com certeza que nos tornamos mais proeficientes ao ponto do mecanismo de viver ser de tal forma mecânico e robótico que deixa de ser natural, humano, trás grandes resultados em termos materiais com crescimentos substanciais, mas contudo muito residuais em termos de conteúdo substancial, realmente importante, realmente cataquelístico de sentir o coração a bombear viva e intensamente. Desta forma tenho procurado ao longo dos últimos tempos afastar-me daquilo que por vezes me movia, aquilo que me consumia intrinsecamente, procurando viver mais e mais vivamente com aqueles que realmente fazem sentido na minha vida, aqueles que realmente amo e que no fim dos meus dias vão estar comigo e me vão preencher a mente e o coração com emoção e memórias reconfortantes. É um processo complicado pois muitas vezes acumulamos demasiadas resistências e poeiras na nossa vida, vícios que nos vencem e nos fazem duvidar dos nossos princípios e valores. Leva tempo e por vezes nem todos compreendem mas como em todo o tipo de actividades, nem todos apreciam ou contemplam o esforço que se faz. Um caminho que nem sempre caminha em frente de forma determinada e segura, que por vezes nos deixa em baixo e nos manda ao chão, que nos enfraquece, desafia a nossa resistência em todas as estruturas mas que acaba também por revelar mais o quanto valemos e o quanto somos. Desperta-nos para nós e para a nossa realidade, para a percepção do quanto os momentos e vidas por vezes são tão simples e com tantas variáveis que certezas e a procura em as obter passa a ser ridícula e vaga. Assim caminho comigo os sentimentos, experiências e memórias que me fazem apreciar as pessoas que me rodeiam e me fazem compreender a inutilidade de certos e determinados momentos ou experiências que são acima de tudo residuais em toda a sua forma. Ser feliz é acima de tudo compreender o que se é, o que se quer ser e qual o caminho que temos de percorrer enquanto andamos por cá. Dentro desse halo, viver o máximo dos seus limites e substâncias. Ser feliz é ser feliz à sua maneira e forma, independetemente do "corpo" que somos e nos sustenta.
Assinar:
Comentários (Atom)