Caminhas para mim sempre com um sorriso nos lábios, abres-te e esperas que te abrace para além do que os meus braços conseguem alcançar, procuras na linha por mim e apercebes-te do quanto estás perto de mim e do quanto também estou feliz por te ver. Apesar de rodeado por milhares, nada mais existe se não o caminho que nos falta percorrer. Olhamos tímidos e desconcertados procurando encontrar a melhor linha para dizer sem demonstrar esse mesma imperfeição de estado e sentimento. Ao longo da viagem vamos encontrando os pontos que nos aconchegam e nos acomodam para que seja mais natural e corajoso o respirar de cada um. Trocam-se olhares e as palavras que são proferidas mais não são que ruído para os sentimentos que exprimimos e expomos de forma tão gritantemente silenciosa. Continuamos no nosso percurso e o caminho que nos apresenta é caótico, rítmico, alucinante, mas mesmo assim tudo parece tão calmo, tão silencioso, tão nosso que parece que estamos sós. Escadas sobem-se e descem-se e as mentes continuam muito acima do que os corpos transportam. Vamos apoiando o sorriso e riso de cada um e projectamos o que será um excelente luar. Não existe lógica ou planeamento para o que se segue, nunca houve, apenas o deslize dos passos pelas ruas e pelas pontes, pelos rios e pelos barcos, a comunicação nunca expira e inspira-se constantemente com novos assuntos e ideias. As belezas que se apresentam no horizonte apesar de fabulosas e roçarem a perfeição arquitectónica nada são, comparadas perante a beleza que os teus olhos apresentam em cada movimento que possuem, tão profundo, tão sincero, tão manipuladores mesmo não usando qualquer força intensa sobre os meus, encantam e enfeitiçam sem qualquer esforço. Mais apaixonante trata-se do facto de tudo isso ser natural em ti, de nem teres consciência disso e de simplesmente espalhares essa beleza e subtileza sem esforço ou intenção. Partimos para outras plataformas, para espaços mais utilizados e ocupados, satisfazemos a necessidade corporal alimentar mas isso pouco ou nada nos satisfaz pelo sabor, pois o que realmente nos alimenta e contamina as veias é o simples sentimento de nos sentirmos em casa, de nos sentirmos familiares, de nos acomodarmos a um espaço comum que é só nosso, o nosso ninho espacial sem nenhum mobiliário mas com um conforto e calor que nem o mais belo lar pode proporcionar. Perante a noite fria, o vento que nos bate, o sentido é em frente, para o fim, e apesar de caminharmos para ele sem noção ou intenção lá estaremos na nossa meta desejando que o tempo parasse um pouco mais, que abrandasse e que não se partisse, que não se acabasse, que não se findasse o que até então tinha sido perfeito. Fica a última memória de te ter visto grande e radiante pela objectiva e de ter ajoelhado perante a tua leveza e beleza sem conseguir resistir se não absorver toda essa pureza de espírito e coração, que transformam o mundo e que o fazem rodar sobre ti. Curvaste-te ao longo da moldura, mas quem se debruçou sem forças nem resistência fui eu. Tiraste-me o equilíbrio como se fosses uma bengala, a mais forte e resistente, mais esbelta e brilhante que vi.
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