A cobra apesar de ser um animal inicialmente repugnante para a maioria das pessoas, não deixa de ser também misteriosa e que desperta o interesse de saber mais sobre si. Sobre ela já muito se conhece e este espaço será porventura um dos menos indicados para acrescentar crescimento ou capitular o ser. Contudo não devemos deixar de lembrar o quão curioso é o seu estado, move-se rapidamente em qualquer direcção, a sua locomoção pode ser feita em vários meios e não tem grande dificuldade em trepar a patamares que lhe são mais elevados. Reage mal perante mudanças súbitas de temperatura e deixa a sua pele para trás ao fim de vários períodos. Apesar desta ser frágil numa fase inicial, não deixa de ser por isso menos bela, pois é mais brilhante, lisa, e ilusória. Com o tempo vai ganhando as marcas do seu arrastamento e das batalhas que vai travando para a sua sobrevivência. Esconde-se normalmente entre os arbustos e só perante perigo iminente, normalmente por exposição total ao perigo, defende-se. Nesses momentos apresenta uma corporização que não é própria, tem tendência para a exposição exacerbada do seu ser, ameaçando rapidamente e facilmente o veneno que normalmente chega para afastar os predadores mais temerosos. De difícil socialização e como marcador evidente o procurar sempre expandir e reforçar o seu território, sem muitas vezes perceber o quanto ele é apenas bidimensional e assim sujeito a perigos que venham de cima ou de baixo. Letal no tratamento das suas presas, finge-se muitas vezes morta perante o predador e se for atacada reage então até às últimas consequências. Preguiçosa, gosta do sol para se aquecer e espera muitas vezes pela sua presa, tal como uma armadilha. Mascara-se de natureza, apresentando-se parte dela, pura e acessível. A cobra é um ser fascinante, mas ainda não é o rei da selva...
terça-feira, 29 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Home is where my heart is
Lar, é onde o meu coração está. Mais de que uma declaração que se possa fazer a quem vive dentro de cada lar, o que interessa mais realçar são a importância do espaço e acomodação que temos dentro dele. O aconchego e protecção que obtemos através de tudo que rodeia este espaço tão fundamental e essencial, é algo que nos é totalmente familiar e assim próprio. Deve ser um espaço de paz e calma, de amor e amizade, de mimo e afeição. Mais do que uma casa, dum espaço físico e material, é um tecto, uma protecção em todas as suas dimensões, de forma extensa e profunda. É onde a história da nossa vida é vivida e partilhada, é onde juntamos a nossa família, onde criámos os nossos laços, onde recebemos os nossos amigos. Onde deixámos o mundo lá fora, onde crescemos e fazemos crescer, onde mostramos aquilo que realmente somos. Onde as páginas da vida vão rolando enquanto vamos acumulando os vários volumes na prateleira para mais tarde as revermos. Onde as paredes vão ouvindo os nossos dizeres, onde os móveis vão acumulando os cheiros de almoços e jantares eternos, sabores que nos enriquecem a mente e o espírito. Onde a cama aceita, recebe o corpo e projecta os sonhos, onde os quadros e espelhos seguem com interesse cada passo e corrida que damos no dia-a-dia. É acima de tudo um espaço que deve ser apaixonado e que deve apaixonar. É a nossa toca e por isso devemos tratar bem dela e para isso é preciso dar o valor que ela tem, o quanto significa para nós, mesmo que estejamos nela todos os dias.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Sacrifícios
Existem momentos e fases na vida onde somos postos à prova, onde os limites nos são impostos e muitas vezes os temos de ultrapassar para sobreviver, para subir de nível, para crescemos, para conseguirmos, mais do que tudo, permanecer minimamente bem com a vida. São fases de muito stress, normalmente físico, mas especialmente mental, onde o número de choques entre electrões na nossa cabeça passa para lá dos triliões por segundo. Fases de desequilíbrio, que nem por isso tem de ser negativas, a procura da superação e da transcendência têm em vista um sentido comum e positivo, sem por isso deixar de alterar o estado homeostático. São talvez nestes momentos que conhecemos realmente o ser que somos, o que queremos, para onde queremos ir, quais as nossas bases e acima de tudo quais os nossos fundamentos. Para conseguirmos ultrapassar estas fases ou momentos agarramo-nos a duas possibilidades normalmente, a meta, o sonho, o objectivo, o prémio, o futuro basicamente, ou ao que temos, ao que nos é próprio, aquilo pelo qual lutamos, ao que queremos manter e preservar. Depende acima de tudo do sentido de perda ou ganho de substância e do quanto isso interfere nos nossos sentidos e sentimentos diários. Há momentos em que tudo parece mais longe, estranhamente quando normalmente está tudo mais perto, e vice-versa, principalmente no início do processo, onde a fantasia e principalmente as hormonas iludem o sentimento de si e do ser e estar em si e no halo. Algumas pessoas nunca passam por este processo, é-lhes oferecida uma panóplia de oportunidades e brindes que as acomoda e encaminha, tal berço de ouro, ao longo da vida. Outros vivem este processo como algo intrínseco e contínuo, e infelizmente, pois coitados, acabam a sua vida ainda neste desprezo. Acredito que são fases essenciais na vida, os verdadeiros momentos que nos marcam o carácter e nos fazem mais tarde relembrar com orgulho a vida, mas até lá, só nós sabemos o quanto custou cada segundo vivido em sacrifícios.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Apontar o dedo
A consciência do sujeito é, por vezes, muito direccionada. Tem tendência a uma focalização no próprio sem contudo evidenciar o que destabiliza ou o caracteriza de forma mais negativa. Tem tendência a ser alimentada pela sua forma de ser e estar no mundo e acima de tudo pela sua linguagem. A avaliação e julgamento do que o rodeia dependem acima de tudo da capacidade de mapeamento mental que este sujeito elabora e compreende na sua mente, contudo tal como a sua consciência sobre tal e sobre o que visiona, ou sente de alguma forma, através dos mais variados sentidos, é facilmente deturpada e muito própria. Tal como a mão do ser humano, que ao longo do tempo vai-se tornando cada vez mais eficiente até à sua meia-idade, contudo mais imperfeita e característica, a consciência da sua utilização tende para a inconsciência do sentido e direcção. Quando apontamos o dedo para algo mas especialmente para alguém, ou a alguém mais propriamente, devemos compreender várias coisas, apenas um dedo está a apontar, ou seja será que temos consciência para onde apontam os outros quatro? Será que ao apontarmos não estaremos acima de tudo a julgar-nos e a questionar também uma supervisão de alguém que está bem acima de todos? Como dizia e bem, alguém que me ensinou bastante pelo erro, mas que também teve alguns momentos de inspiração, quando apontas o dedo a alguém, estás a apontar um dedo para essa pessoa, um para deus e os outros três estão para ti, por isso pensa bem se realmente queres apontar o dedo a alguém. Acima de tudo devemos compreender que todos temos telhados de vidro, uns com mais envergadura, outros com mais transparência, etc, mas no fim, a todos é possível verificar as suas falhas mesmo que através de brechas mais ou menos bem reparadas. A crítica deve procurar ser acima de tudo sempre construtiva, para o sujeito que a ouve e porque não também para quem o menciona, aprender não ocupa lugar.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Queima - O poder do álcool
A queima das fitas é um momento único do ano, principalmente para estudantes, torna-se no momento mais importante, mais do que o final de aulas, passagem de ano, o seu aniversário, etc. Por ser de um período maior e por ser contínuo a queima permite um estado de exaltação pessoal prolongada. Nela podemos fazer quase tudo, ver concertos, estar com amigos, estar dentro de discotecas, comer, beber, fumar, namorar, conhecer novas substâncias e pessoas, sem cuidado ir conhecer os enfermeiros do inem, dá para tudo basicamente. Dependendo de cada pessoa e da sua forma de ser, a queima pode ser encarada de muitas formas, como momento de salvação, de reconciliação, pura diversão, de convívio, de loucura, de libertação, de perda de sentidos, de vergonha, etc. Estranhamente, ou talvez não, o maior catalisador de todo este processo de acontecimentos é o álcool. Consumidos umas boas centenas de litros de álcool em cada uma das semanas, o álcool acelera e destabiliza o sujeito, por culpa do próprio e não do químico em si, no sentido que este mais inconscientemente o deseja. A culpa não é nem nunca foi do álcool, mas sim de quem dele faz e agradece como melhor amigo numa noite. Com ele, o álcool, as pessoas dizem-se mais alegres, mais soltas, tudo se torna em grandes amigos, os namorados voltam a ser grandes e queridos, deixa de existir problemas no mundo e acima de tudo na nossa vida, tudo parece mais vivo e colorido. Com ele, essas pessoas, são mais altas e mais fortes, vencem o mundo só com as suas mãos e conseguem conquistar tudo. Infelizmente para todos eles, a realidade acaba normalmente ao fim de uma semana, no máximo um mês, se andarem de queima em queima, queimando-se. Pena tenho dos outros onze meses, e acima de tudo em quem perto deles convive, mas acima de tudo, também só se acredita no pai natal se se quiser. Um bem haja à queima e ao álcool, às semanas académicas, aos concertos e a todos os que permitem que isso aconteça, felizmente pude viver mais de dez momentos desses em tão poucos anos de vida. Cresçam e aprendam àqueles que são homens e mulheres agora que saem do rabo de saias das mães e se julgam homens e mulheres porque foram "altamente" na queima e vivem frustrados todo o resto do ano. Acordem e percebam que, como em qualquer sonho e fantasia, tudo termina quando abrimos os olhos e percebemos o que somos.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Latitudes
Questiono-me se o erro estará em mim, se é a lua que não reflecte a luz ou se é o sol que já não a emana. Vejo valores serem atirados ao chão e não reconhecidos por ninguém como alguém os tivesse perdido entretanto. Observo a vida, as pessoas, os parques e rios, e parecem por vezes perderem o seu fogo, a sua aura, a sua energia e cor. Cativa-me os locais perdidos no tempo e no espaço, ansiosos por serem apreciados mas contudo sem quererem ser incomodados. A procura de reconhecimento surge em espaços de confusão e desorganização onde o pó anda no ar e a visibilidade fica fosca. Carecem os seres transeuntes por algo mais do que a água vital que faz percorrer o essencial dentro dos corpos. Fecho os olhos e vejo o caminho, sem pedras nem calçadas, limpo como um lago, onde só alcança caminhar o ser sem medo nem receio dos seus apoios, são firmes e calmos, muitas vezes quem sabe, a caminho do abismo. As nuvens passam e fica a certeza que o cheiro do perfume é intenso e desperta desejo. As ideias borbulham tal e qual como numa panela bem quente, outras surgem à superfície, outras mais pequenas e duradouras permanecem sobre o fundo, sempre presentes, sempre visíveis, aquecendo o que as rodeia, contagiando. A tinta escorre para o teclado, tal como o oxigénio alimenta tudo por onde vai passando, em demasia pode ser tenebroso, mas acima de tudo, dá vida e quando provoca o contrário é com vista à regeneração. Os copos são servidos sem licor, apenas o doce mel que alimenta as gargantas dos mais sábios, aqueles que compreendem que o mais simples é o que lhes dá fulgor de viver, que compreendem a sua ignorância, e porque não, muitas vezes a sua estupidez. Cego é aquele que não quer ver ou que não percebe o que está diante de si. A vitória e a derrota caminham vertiginosamente lado a lado, em caminhos tumultuosos, sempre pondo à prova a paciência do coitado que com ele carrega a carga da consciência. Penso assim, penso porque quero pensar, acima de tudo penso porque mais ninguém o fará por mim...
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A pessoa que queremos ser amanhã
Não raras vezes ficamos pensativos e procuramos elaborar planos para o nosso futuro, pensando o que pudemos melhorar e o que podemos eliminar de menos bom na nossa forma de ser e estar no mundo. Os planos são muitos e surgem principalmente na passagem do ano ou quando é o nosso aniversário. São momentos que por serem de alguma forma marcantes fazem-nos reflectir e acreditar que podemos ser mais e melhores a partir do dia seguinte. O mal está muitas vezes em definir o dia seguinte para ser melhor, o "a partir de amanhã é que é", pois o dia de amanhã nunca vem, pois nesse dia há novamente o dia seguinte e assim mais uma desculpa para dispensar tudo para o dia seguinte. O dia seguinte começa hoje, e começa essencialmente com uma mudança de atitude, um planeamento medido e real com muitas metas e para-metas para que cada passo esteja acessível e satisfaça o próprio e o faça sentir que está mais perto da concretização desses grandes planos. Mais do que um plano, é fundamental que existam vários, um primário e outros que funcionem como de urgência para o caso do essencial não ser possível de realizar de alguma forma. Assim a preparação para cada situação fora do comum, fora do planeado, está devidamente acautelada. Acima de tudo, devemos compreender que o ser do futuro passa acima de tudo por estar mais preparado, mais consciente e formado para poder resolver os problemas que possam surgir e para rentabilizar da melhor forma todo o ambiente circundante. Outra questão importantíssima é ter consciência dessa pessoa que queremos ser, será que realmente queremos ser assim, carregar tudo o que isso implica na nossa vida, será que essa pessoa e vida não será apenas uma fase pela qual gostávamos de passar? A maratona é bela, mas para além da preparação fundamental, a passada não é para todos e não dá para abandonar a meio da prova. Ter consciência das nossas capacidades e potencial, tal como numa equipa, é o princípio para sermos mais fortes e concretizados, sem essa consciência o mais provável, é a derrota, que nasce acima de tudo da irrealidade da imagem do ser.
Paraíso
No outro dia, numa série de televisão, perguntava uma criança aos pais o que era o paraíso e onde estava. A resposta foi a mais pura e verdadeira que pode existir julgo. O paraíso está aqui mesmo, entre nós, naquilo que fazemos e no que vivemos. Quando temos um almoço ou jantar familiar, quando estamos com os nossos melhores amigos, quando comemos aquele prato que tanto gostamos e que nos faz sentir nas nuvens, quando beijamos os lábios de uma mulher, quando estamos a ver o pôr do sol à beira-mar, quando acima de tudo fazemos aquilo que mais gostamos de sentir e viver. No paraíso moram todas as substâncias e essências, mora o que nós queremos que lá more, depende acima de tudo do desejo e vontade de cada um. Quase sempre gostaríamos de lá estar, e criámos esse espaço como um espaço utópico, cheio de objectos e matérias que muitas vezes nunca visualizamos ou experimentamos, acreditando que são fabulosos e que nos trarão um prazer enorme. Contudo, muitas vezes a ilusão é tão grande que nem nos apercebemos do quanto irreal é esse mesmo mundo. Não damos devido valor ao que temos em mãos, ao que nos é belo e desejamos o que vemos outros publicitarem. A verdade é que esses, os do outro lado do ecrã ou da vitrina estão na mesma situação que nós, a desejar a simplicidade e pureza que temos em nós e em nosso redor. O paraíso é o que nós queremos ter todos os dias, por isso há que vive-lo e senti-lo, sair com os amigos o máximo possível, estar com a família, fazer tudo aquilo que tanto gostamos e sentir que isso sim, é o que nos trás boas memórias, calor e segurança que nos acompanha pela vida fora. Todo o resto, mais do que utópico é isso mesmo, um resto, um pouco ou nada que não nos alimentará de forma alguma e que só consumirá tudo o que temos e a nossa disposição para lhe darmos valor.
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