sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Londres vs Porto

Primeiramente devo dizer que amo ambas e por isso não quero perante isto depreciar o Porto, é só para que alguns dos leitores tenham a noção de algumas diferenças. Comecemos por números que são normalmente os mais esclarecedores. 

População: 14 milhões vs 1,2 milhões.
Extensão: 1600km2 vs 42km2
Metro: Ano 1863 (2º maior do mundo também) vs 2002
Aeroportos: 5 vs 1
Economia: Cidade no mundo onde se gasta mais dinheiro (maior shopping da europa) vs salve-se quem puder

O Porto é uma cidade muito atípica, dificilmente se encontra características como as suas e por isso tem uma beleza ímpar. Já agora, todos os que visitaram o Porto que eu conheço aqui só me dizem muito bem o que me deixa cheio de orgulho. Tem espaços que guardo com carinho muito especial e que me relembram momentos fabulosos da minha vida. Contudo quando se vive em Londres, compreende-se que existe nela um cantinho especial para cada pessoa, para cada estilo, para cada ser. Todas as pessoas sabem disso e a multicultura é tal que nada é anormal ou extravagante, ou mesmo comum. Vive-se com muita qualidade, pois ganha-se bem e o tempo é sempre bem ocupado, haja vontade para tal. A cultura está espalhada por todo o lado e é muitas vezes grátis! Sim, imagine-se para quem vem de Portugal e de repente pode ver museus e espectáculos grandiosos de borla. Até parece mentira. A saúde é igual, para além de não se pagar absolutamente nada, zero, o próprio médico ainda liga para a pessoa quando está em casa a perguntar se está tudo bem e quais os resultados dos vários testes. Parques são gigantes alguns deles, imagine-se que existe um parque que é quase do tamanho do Porto. O ambiente em que as pessoas trabalham e as condições de trabalho que têm são de sonho comparadas com as portuguesas. Os gastos não são por aí além e o que se ganha dá para ter uma vida mais que folgada. Viajar é mais que barato e ter esse hábito é fácil. O facto de se trabalhar com pessoas de diferentes culturas permite enriquecer muito mais o conhecimento, pois todos trazem formações e formas de pensamento diferentes. Muda-se de trabalho de uma semana para a outra, facilmente, sem ter de andar com grandes chatices. A imagem pouco ou nada representa na maioria dos casos para as entrevistas. O curriculum também não, interessa sim, saber fazer. Não é fácil como tudo pode parecer, mas no fim, continuo a achar que é tudo maravilhoso...

Knowledge takes you far, Know-how takes you further

Só de forma a que todos percebam, o título significa algo muito semelhante a "o conhecimento leva-te longe, o saber como fazer leva-te mais além", julgo que esta será a melhor tradução. Possuir conhecimento é fabuloso, faz-nos sentir mais úteis e capazes, mais inteligentes e potenciados. Permite-nos debater vários temas e apresentar as ideias que outros tiveram e que nós através do estudo, ou por ouvirmos o relato de outrem podemos descrever com mais ou menos exactidão. Contudo, em si, apenas como conteúdo, serve de pouco. Não quer dizer que este pouco seja algo pouco substancial, muitas pessoas vivem a sua vida apenas e graças ao conhecimento que possuem. São úteis dessa forma, pois têm capacidade de explanar o seu conhecimento que porventura será amplo. Para além disso, iludem muito facilmente quem normalmente não o tem e fica fascinado com tamanha capacidade. Só assim se compreende, como a maior parte das pessoas se deixam enganar e levar por estes papagaios falantes. Ou melhor, papagaios, que tal como os papagaios não falam, eles repetem com maior qualidade ou não aquilo que ouvem e até acham engraçado de dizer, papagaiam. No entanto, o ser humano que consegue transferir esse conhecimento para o campo da realização multidimensional e multidisciplinar, aquele que sabe o que fazer com o que lhe é dado e apresentado, esse sim é um ser superior. Nem sempre tão apresentável e carinhoso como o papagaio, mais pragmático e simples, o ser humano empregador do seu conhecimento é aquele que realmente faz girar o mundo, nem que seja apenas o dele, para um futuro melhor. Seja no trabalho, seja no mundo social ou mesmo num mundo de introspecção o senhor know-how é aquele que ultimamente triunfará sem contudo precisar de tantos holofotes como o senhor possuidor do conhecimento per si.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Falta de veracidade

Ao longo da minha jornada tenho questionado ainda sem grande certeza na resposta que procuro o porquê da falta de veracidade nas pessoas em dizer que sim e não. É das respostas mais simples, curtas e fáceis de pronunciar. Não envolve grande musculação da língua nem controlo da respiração. Não consome nem exige grande energia na elaboração de uma resposta mais composta. A sua explicação parte muitas vezes pelo facto de o sim ser sim e o não ser não. No entanto, talvez devido à sua simplicidade, a resposta é dada de forma pouco verossímil e sem veracidade. Dizemos sim quando pensamos ou sentimos não e vice-versa. Realizámos esse acto por incapacidade de lidar com a verdade, por tentar dizer ao cérebro o que na verdade ele não pensa ou quer, ou por simples aceitação social. Com isto não quero dizer que devamos ser um Yes man! nem dizer não a tudo. Devemos sim, dizer sim a tudo o que sentimos e pensamos, seja esse um sim-sim ou um sim-não. Até porque se repararem o sim ou não chamemos-lhe falso, enganador ou dissimulador para o próprio, é sempre dito após uma micro-expressão corporal notória. Por vezes notória para todos os seres humanos e aí todos dizem que estão a mentir, outras vezes um pequeno comportamento só compreensível para quem tem conhecimento aprofundado da matéria ou do sujeito. Acredito que o pior não estará na procura em enganar o outro pólo, o receptor, mas sim na falta de consciencialização do trair o pólo emissor. Acredito que deve promover um sentimento de frustração enorme e por isso nos revoltamos muitas vezes não connosco, que é quem está a provocar o erro exclusivamente, mas com o receptor. Perdemos dessa forma tudo, a nossa verdade, a verdade intermediária e a verdade do nosso receptor. São demasiadas verdades para se arriscar a dizer aquilo que não se sente ou pensa.

Poder do (des)amor

Amor, palavra forte e imensa, intensa e carismática. Amor é a razão pela qual todos vivemos, seja o amor por outra pessoa, seja pelo próprio numa visão muitas vezes essencialmente egocêntrica e doente. Amor tem o poder de mover o mundo, de transformar a visão e o sentimento por aquilo que nos rodeia. Ilude-nos, torna tudo fabuloso e maravilhoso, torna possível o que muitas vezes é impossível. Alimenta-nos, fascina-nos, transcende-nos, envolve-nos por dentro e por fora, irradia-nos e ilumina-nos, dá-nos força e coragem. Amor é tudo isto e muito mais, mas é tal como a escrita, impulsiva, alimentada por uma energia paranormal que nos faz mover montanhas. Contudo, se todo este poder de construção e exponenciação é nos dado pelo amor, é o desamor o provocador de todas as grandes obras e revoluções que se sucederam ao longo da história. Foi acima de tudo por desencontros, amores não correspondidos, ou quanto muito a luta por um amor comum, que fez do Homem e da Mulher o que são hoje. Estranho não? Afinal é no mal que está o poder criador das grandes obras de arte, das mais variadas formas, tamanhos e dimensões. Foi e tem sido até ao momento, a luta constante por obter correspondência que tem feito com que a cultura evolua, com que o conhecimento avance e só perante o erro, a falha, a rejeição, é que o ser humano tem encontrado forças para se transcender e ir mais longe, por vezes de forma fatal. Viva ao amor, mas viva sobretudo ao desamor. Vindo de um romântico pode parecer estranho, mas a dor do amor é, infelizmente para muitos, aquilo que os move. O ser humano adora viver a vida penosa de estar perante a felicidade e nunca a agarrar com profundidade. O real valor do sentimento tende sempre para a negatividade vá-se lá compreender o porquê.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Clarividência

Clarividência pode ter múltiplos significados, como praticamente tudo o que conhecemos. Depende essencialmente do sujeito que evidencia o conceito. Para mim, clarividência trata-se acima de tudo de um estado de análise superior. Não remeto isso para o campo do espiritualismo ou da parapsicologia, o meu conhecimento dessas áreas é extremamente reduzido e também de pouca observação ou atenção, mas para o sentido de compreender claramente e com evidência qual é a melhor solução quando se constata determinada situação ou quando se observa determinado objecto. É essencialmente um exercício complexo que requer paciência, racionalização e perspicácia para compreender as várias dimensões do que observamos e reflectimos. Normalmente, e acredito eu de forma basilar, só com uma maturação e experienciação vastas e de uma riqueza de alto quilate é que é possível perceber até que ponto a bonificação da observação, análise e devida actuação perante o objecto ou situação tem sentido. A precipitação é não raras vezes um erro enorme, seja ele de julgamento ou de actuação. Todos os campos nunca são devidamente contabilizados e contemplados e a propensão para o erro cresce de forma praticamente exponencial quanto maior for a tendência para o instante. Não quer isto dizer que a espera é positiva, pelo contrário, "quem espera sempre alcança" é das maiores mentiras que pode existir. "Quem espera, desespera..." já me parece mais acertado e positivo, pois perante a acertividade e o sucesso só uma forma de estar activa, conceptual, global e ecológica poderá ter realmente efeito catalisador de uma resolução satisfatória.

sábado, 3 de setembro de 2011

Consciência do eu

Ter consciência de alguma substância, seja ela física, meta-física ou de outro campo do qual não possamos ainda considerar, é compreender com conhecimento a substância. Depende em muito do espectro de visualização com que se estuda, contempla a substância. Sendo a substância a própria pessoa, toda a absorção de informação torna-se incapaz de ser fidedigna pois a compreensão e exposição das imagens conceptuais está dependente da capacidade, ou melhor, da selecção realizada pela cérebro. Este tal como o faz para o nosso desejo na alimentação, selecciona não o que lhe convêm, mas aquilo que o saboreia mais. Dá prioridade ao que nos alegra, ou que nos orgulha e nos motiva, embora não seja segredo para ninguém o peso que as sensações e experiências más têm sobre nós, mas isso também depende do sentimento de si, de cada um. Relacionando todo esta consideração que pode ser feita pelo próprio com as diferentes considerações que podem ser feitas pelo círculo de conhecidos que o envolvem chegamos a uma significação muito próxima daquelas que se encontram no dicionário de língua portuguesa. Ou seja, somos tudo aquilo que dizem lá sobre nós, mas na verdade, ou seja, no todo, não somos o que lá está. Da mesma forma que quando realizamos uma introspecção devemos, conversando e tendo consciência do eu,  compreender o quanto a nossa leitura é limitada e limitativa. A sua expansão depende em grande modo do comprimento e elasticidade do nosso conhecimento e só escavando e por vezes mesmo detonando as suas bases é que denotamos realmente do que somos feitos. A consciência do eu só surge em momentos de real procura e concentração do que somos feitos. No resto dos momentos da vida, no dia-a-dia, nem reparamos verdadeiramente que lhe pertencemos. Assim, o eu fica algures entre o corpo e todos os prazeres e dissabores da vida. Agarremos e demos mais força ao eu para que este possa crescer com mais estrutura e potência.

O mundo como um carrossel

O mundo é fabuloso, cheio de riqueza, de diversidade, de multiplicidade, de tudo. É caótico para quem não compreende a sua essência e vertiginoso para quem fica pela janela a vê-lo passar. O mundo em si só tem sentido nesse plano megalómano e multicultural, multidimensional e hiperactivo. Perante todo este panorama, all-over, a nossa visão e conhecimento tem tendência para a difusão, a nossa percepção tende a ser nublada sobre tudo o que nos rodeia. Percepção essa que vai-se alterando, mutando ao longo da vida, influenciada pela agregação e segregação de pseudoconceitos que nos limitam a visão e compreensão do que realmente nos rodeia de forma pura e simples. Como ainda há bem pouco ouvi num filme, um mundo é como um carrossel, e nós olhamos para ele dessa forma enquanto crianças, depois vamos perdendo essa ilusão, talvez ela a mais real de todas a que temos, ao longo do tempo. Integrar e apreender este mundo não é fácil, é preciso derrubar muitas barreiras mentais e dogmas que se criam em torno de conceitos culturais e sociais que nos levam a uma estandardização cada vez maior, mas é tão bom ser criança, ser puro e simples, se conseguirmos ser cada vez mais cultos e experientes e podermos manter a mesma autenticidade na visualização e percepção do mundo e de tudo o que nele habita, então aí seremos inteiramente felizes e realizados.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Perda de tempo

Perder tempo é acima de tudo não o ganhar. Pode parecer uma lei de la Palice mas não deixa de ter todo o sentido. O tempo corre, ao sabor do vento, da chuva, do sol e de algumas intempéries, e contra isso pouco ou nada podemos fazer. O tempo quanto muito só pára por desordem mental ou por um grande poder de concentração. O que fazemos com ele é que torna tudo com maior ou menor significado, mais orientado ou desorientado, com substância ou sem ela. Muitas vezes dizemos que não temos tempo para nada, e isso em quase todos os casos é uma blasfémia. Simplesmente não atribuímos às experiências que temos e pensamos o verdadeiro valor. Sobrevalorizando por vezes o que não tem sentido e subjugando aquilo que deve ser o mais precioso na nossa vida. Ficamos magoados e sentidos, choramos e quebramos com experiências e por pessoas que no final da vida nem nos lembramos e por vezes temos algo tão próximo de nós, amigos, familiares, até aos mais simples seres e objectos, que são tão importantes, tão cheios de significado que pela proximidade deixamos de dar relevância. Devemos tentar, cada vez mais, apreciar e agarrar o que o tempo nos dá, ganhar tempo a cada dia, e tentar evitar perder tempo com as essências que são superfulas e passageiras. Tratar com prioridade o que nos é proporcionado com prioridade, dando e recebendo em troca algo de igual valor, e tendo consciência que as decisões que tomamos são fundamentais e de nossa responsabilidade, sejam elas de agarrar as oportunidades ou de as deixar fugir.