O mundo está a tornar-se claramente invejoso, invejoso na forma como vive, como morre, como nasce, como sobrevive. O ser humano procura cada vez mais publicitar a sua vida para criar inveja, perde imenso tempo e respeito por si ao faze-lo. Por outro lado os outros seres humanos perdem imenso tempo a ler e visionar o que foi publicitado, ficando com inveja e falta de amor por si e a sua integridade. Desejam o que não é seu, querem o que vêem sem perceber todo o contexto, sem perceber o quanto por vezes é mentiroso e mirabolante. Não percebem por vezes a sorte que têm, no que têm e como o têm. Querem pôr-se em bicos de pé quando não tem estrutura e equilíbrio suficiente para serem sólidos e consistentes. Ficam ofuscados com a quantidade de brilhantes e luzes que alimentam o que não tem conteúdo, sonham com uma vida e valores que não correspondem à realidade pois são alugados ou muitas vezes arrendados por um período que corresponde ao momento da foto ou vídeo. Não compreendem que sucesso só surge antes do trabalho apenas no dicionário e que para se atingir o top é necessário ser de top. A procura e a raiva que alimenta essa incessante observação acaba por consumir o próprio sujeito, o que no sentido inverso alimenta cada vez mais aquele que sobressaí. Aliás, não raras vezes, a forma como o dominante sobrevive baseia-se exclusivamente no sugar dessa inveja por parte do submisso. Até que ponto as pessoas vão continuar a alimentar-se de massa insossa e sem conteúdo, até que ponto o ser popular vai ser sinónimo de sucesso por publicitação do próprio ser. É realmente necessário vender-se a privacidade e mentir sobre o que somos e fazemos para que se triunfe? Não me parece, pois os tremendamente imensos e superiores sempre foram aqueles que mal se conheceram e que foram acima de tudo idolatrados tarde mas verdadeiramente.
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