sábado, 17 de novembro de 2012

Racismo

Existe como sempre existiu diferenças entre os seres humanos, entre os animais, entre as árvores, entre tudo em si. Falo apenas numa distinção intra e não a natural diferença inter. O facto de sermos todos naturalmente diferentes, mesmo os gémeos "verdadeiros", promove a evolução da espécie e um natural crescimento na formulação de ideias e considerações. É graças a esta multipolaridade que existe comunicação entre os demais, de outra forma nem a telepatia seria necessária, aliás jamais existiria algum tipo de contacto ou mesmo de introspecção e reflexão. Assim, é relevante compreender e construir uma linguagem que promova a significação entendida entre todos, mesmo que esta possa depois ter uma orientação ou sentido diametralmente opostos. O fundamental para todos é perceber que mais do que as diferenças que nos distinguem, estas não devem ser encaradas como separadoras, mas sim como produtoras e aliciantes, aliás sempre foi a diferença que despertou em nós a curiosidade pela descoberta e a aventura. O que deve ser mais relevante será porventura aquilo que nos torna mais semelhantes. Não iguais, não cópias, mas sim aquilo que mesmo sendo diferente é tal como nós, ser enquanto ser. Catalogar e matematizar tem sido um movimento claramente castrador nas últimas centenas de anos, se por um lado promoveu a compreensão do que era praticamente invisível, arrasou claramente com uma compreensão holística do que deve ser o pensamento e o conhecimento do todo. O apontar, diferenciar, procurar até à última ligação anatómica o que difere entre os mais diferentes seres humanos, catalizou e publicitou a segregação clara entre seres do mesmo ser, da mesma fonte, que por motivos muitas vezes simplesmente ambientais e climatéricos fez com que as mudanças fossem mais visíveis. Mais uma vez, a sobrelotação de importância num dos sentidos que foi extorquindo todos os demais, pelo menos no ponto de vista cultural. O que é facto é que só existe racismo quando as pessoas falam nele, quando o promovem, quando catalogam o discurso metendo em gavetas os demais. Não existe este ou outro estilo, não existe este ou outro pensamento ou forma de actuar. Existe sim uma publicitação manipuladora para a diferenciação e para a descriminação de tudo e mais alguma coisa perdendo por completo o sentido do todo constituinte.

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