A vida vai-me mostrando como por vezes sou extremamente ignorante e ingénuo. Como por vezes o impulso me leva para caminhos que se tal fossem racionalizados nunca seriam percorridos. Não porque exista desconcentração ou falta de racionalização, mas simplesmente porque há aspectos aos quais a mudança urge em aparecer. Lê-mos todos os dias e tentamos com esse conhecimento aprimorar o nosso ser, mas existe constantemente um arrastamento que nos tende para a irracionalidade. Temos alta tendência para sermos animais e agir conforme aquilo que nos corre no sangue não pensando por vezes nos efeitos retroactivos dessa acção. Pensamos apenas numa jogada como se fosse a decisiva. O que depois acontece é o batermos contra a parede de forma desamparada, perdermos ligeiramente os sentidos e depois depende de cada um o momento seguinte. Pode passar por chorar e ir a correr para o colo de alguém, pode ser o de continuar a bater com a cabeça pensando que acima de tudo que temos cabeça para bater até partir a parede, ou então tentar perceber porque batemos e porque não o devemos fazer novamente indo noutro sentido. Considero que o fundamental passa exactamente por este momento, o momento do erro é normal na vida, cataclismo inevitável, mas o momento de pós-embate é que é sem dúvida aquele que determina o carisma e o carácter do sujeito. É aqui que por vezes ainda falho, pois ainda não compreendo que não existe nada mais produtivo que a procura da resolução intrínseca e íntima do próprio, do eu enquanto eu construtor. Não quero dizer com isto que procurar ajuda, ouvir os outros e obter mais conhecimento seja mau, pelo contrário, simplesmente não deve ser redutor nem encaminhador. Deve sim ajudar a colorir um pouco a solução para que o sucesso seja atingido, um género de ajuda quando encontramos um problema no computador. Um iluminar de centro de mesa para que possamos visualizar melhor as peças que ainda habitam no tabuleiro. Tudo o resto, toda a possível evolução que possa advir, nomeadamente a capacidade de compreeder mais do que quatro jogadas, torna-se óptima. Acima de tudo compreender que se ganha imenso com o silêncio para o exterior e com uma sinfonia global para o interior. Não se estranha por isso que os jogadores de xadrez sejam eles, em grande parte, cérebros fabulosos.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Racismo
Existe como sempre existiu diferenças entre os seres humanos, entre os animais, entre as árvores, entre tudo em si. Falo apenas numa distinção intra e não a natural diferença inter. O facto de sermos todos naturalmente diferentes, mesmo os gémeos "verdadeiros", promove a evolução da espécie e um natural crescimento na formulação de ideias e considerações. É graças a esta multipolaridade que existe comunicação entre os demais, de outra forma nem a telepatia seria necessária, aliás jamais existiria algum tipo de contacto ou mesmo de introspecção e reflexão. Assim, é relevante compreender e construir uma linguagem que promova a significação entendida entre todos, mesmo que esta possa depois ter uma orientação ou sentido diametralmente opostos. O fundamental para todos é perceber que mais do que as diferenças que nos distinguem, estas não devem ser encaradas como separadoras, mas sim como produtoras e aliciantes, aliás sempre foi a diferença que despertou em nós a curiosidade pela descoberta e a aventura. O que deve ser mais relevante será porventura aquilo que nos torna mais semelhantes. Não iguais, não cópias, mas sim aquilo que mesmo sendo diferente é tal como nós, ser enquanto ser. Catalogar e matematizar tem sido um movimento claramente castrador nas últimas centenas de anos, se por um lado promoveu a compreensão do que era praticamente invisível, arrasou claramente com uma compreensão holística do que deve ser o pensamento e o conhecimento do todo. O apontar, diferenciar, procurar até à última ligação anatómica o que difere entre os mais diferentes seres humanos, catalizou e publicitou a segregação clara entre seres do mesmo ser, da mesma fonte, que por motivos muitas vezes simplesmente ambientais e climatéricos fez com que as mudanças fossem mais visíveis. Mais uma vez, a sobrelotação de importância num dos sentidos que foi extorquindo todos os demais, pelo menos no ponto de vista cultural. O que é facto é que só existe racismo quando as pessoas falam nele, quando o promovem, quando catalogam o discurso metendo em gavetas os demais. Não existe este ou outro estilo, não existe este ou outro pensamento ou forma de actuar. Existe sim uma publicitação manipuladora para a diferenciação e para a descriminação de tudo e mais alguma coisa perdendo por completo o sentido do todo constituinte.
Solidariedade
Em tempos de contenção e preocupação constante nas finanças e economias de uma sociedade, é sempre fundamental não perder a consciência e a racionalidade. Existe natural tendência para a concentração no estado próprio das contas e dos investimentos, retenção mental para que as acções vão de encontro ao que é lógico na procura de vivacidade e bem-estar bancárias. Contudo, é necessário compreender que se existir aniquilação na fluidez da corrente monetária entre sistemas, o complexo tende claramente para o rompimento de valores e sentidos, provocando o caos e o canabalismo. Partindo as relações de sustentabilidade feitas e fortelizadas ao longo de vários anos, torna-se muitas vezes complexo reorganizar e recriar o potencial de outra hora. Assim, mesmo perante o aperto do cinto, o ser humano deve compreender que não deve tirar o pão de cada dia a quem está na produção dos bens primários e essenciais, nem daqueles que de uma forma ou outra necessitam de quem mais o ajude. Não falo aqui daqueles que podem produzir e fazer sobreviver, mas sim aqueles que por um motivo ou outro não podem ser produtores. Mais ainda, lembrar o quanto é fundamental sustentar um crescimento diferenciado da situação actual aqueles que ainda são de tenra idade, pois se não existir investimento nestes, provavelmente o futuro será ainda mais castrado e castrador. Para além destes, que ainda são puros e fortalecidos em sonhos que nos encantam e nos enchem de alegria, estão também aqueles que com mais pêlo, penas, escamas ou qualquer tipo de revestimento, vieram a este mundo doméstico apoiados por medidas de uma maior animação e educação no lar. Estes não podem nem dever sofrer só porque outra hora foram cobiça desmedida ou capricho dos seus donos. Apesar de muitas vezes serem presentes de aniversário ou natalícios, não devem por isso ter um prazo de validade inferiores ao que datam de vitalidade. É preciso crescer, ser maduro, ter consciência e ser racional, e compreender que muitas vezes, mesmo nos custando um bocado a tirar ao bolso, estamos a alimentar a boca de mais algum, e que dá-mos uma mão mas recebemos dois corações, o de outrem cheio de agradecimento e o nosso cheio de felicidade pelo sorriso que provocamos. Custa sempre, mas custa sempre mais se não se pensar no outro lado. Todos agradecem e todos crescem.
domingo, 4 de novembro de 2012
Uma questão de inveja
O mundo está a tornar-se claramente invejoso, invejoso na forma como vive, como morre, como nasce, como sobrevive. O ser humano procura cada vez mais publicitar a sua vida para criar inveja, perde imenso tempo e respeito por si ao faze-lo. Por outro lado os outros seres humanos perdem imenso tempo a ler e visionar o que foi publicitado, ficando com inveja e falta de amor por si e a sua integridade. Desejam o que não é seu, querem o que vêem sem perceber todo o contexto, sem perceber o quanto por vezes é mentiroso e mirabolante. Não percebem por vezes a sorte que têm, no que têm e como o têm. Querem pôr-se em bicos de pé quando não tem estrutura e equilíbrio suficiente para serem sólidos e consistentes. Ficam ofuscados com a quantidade de brilhantes e luzes que alimentam o que não tem conteúdo, sonham com uma vida e valores que não correspondem à realidade pois são alugados ou muitas vezes arrendados por um período que corresponde ao momento da foto ou vídeo. Não compreendem que sucesso só surge antes do trabalho apenas no dicionário e que para se atingir o top é necessário ser de top. A procura e a raiva que alimenta essa incessante observação acaba por consumir o próprio sujeito, o que no sentido inverso alimenta cada vez mais aquele que sobressaí. Aliás, não raras vezes, a forma como o dominante sobrevive baseia-se exclusivamente no sugar dessa inveja por parte do submisso. Até que ponto as pessoas vão continuar a alimentar-se de massa insossa e sem conteúdo, até que ponto o ser popular vai ser sinónimo de sucesso por publicitação do próprio ser. É realmente necessário vender-se a privacidade e mentir sobre o que somos e fazemos para que se triunfe? Não me parece, pois os tremendamente imensos e superiores sempre foram aqueles que mal se conheceram e que foram acima de tudo idolatrados tarde mas verdadeiramente.
Fogo de artifício
Todos os anos, existem alguns dias em que o povo sai à rua para ver o fogo de artifício, esteja calor ou frio, por vezes com alguma chuva ou nevoeiro, as pessoas reúnem-se para celebrar a passagem de ano, dia de santos ou outros momentos igualmente marcantes. São ocasiões fantásticas, cheias de movimento, de alegria, de reunião, ilusão e fantasia. Onde famílias se juntam, infelizmente muitas vezes são os casos onde se reúnem apenas nestes momentos, amigos tentam reforçar os seus laços de amizade e onde por vezes acontecem experiências e momentos loucos e inesquecíveis. A adrenalina está sempre presente, e as expectativas são sempre elevadas, mesmo em dias em que não nos sentimos particularmente predispostos para a aventura sempre tentamos sair e viver o momento. Isso acontece essencialmente porque existe magia nos momentos que antecedem o fogo e durante o período em que este é solto. Transforma-nos, ilumina a escuridão e enche-nos o coração, cada rebentamento faz palpitar o coração e abre-nos um sorriso. Quando acompanhado por música, principalmente, faz-nos caminhar e viajar por mundos perdidos de memórias escondidas no inconsciente e solta-nos com gargalhadas e com gritos corporais que nos excitam e excitam aqueles que nos rodeiam, provocando uma celebração em cadeia. Cada cor, cada forma que se cria nos céus, no fogo preso, na forma como tudo se encadeia harmoniosamente é maravilhoso e transcendente. Eleva-nos a outra esfera, bem acima daquela que observamos, sentimo-nos a flutuar e voar para campos que nunca imaginávamos. Provoca em nós o silêncio e o respeito, a comunhão e o bem estar. Faz-nos sentir mais humanos e com mais vontade de viver e renovar votos de uma vida mais feliz, objectiva e com sucesso. Assim, podemos dizer sumariamente que acima de tudo o fogo de artifício faz-nos sentir mais crianças, rebela em nós novamente todo o mundo do maravilhoso.
Halloween
O Halloween, é um dia magnífico que é celebrado de muitas formas, em vários países também de forma mais variada ou menos. Algumas pessoas aproveitam para relaxar em casa e ver um filme de "terror", outros decoram a casa com enfeites ilustrativos e muitos doces e abóboras, outros saem de casa com as crianças à rua, todos mascarados e batem às várias portas em busca de doces e algumas partidas, outros transfiguram-se e vão divertir-se para discotecas ou com outros amigos em convívios numerosos em casa de alguém, outros por sua vez não fazem nada ou têm algo com mais relevo para eles. Todos eles, acredito, estão inteiramente correctos nas suas acções, logo que seja essa a sua vontade. Pessoalmente, adoro ver as crianças nas ruas a viverem a sua fantasia de poderem mascarar-se e poderem sair à rua à noite como se finalmente fossem permitidos a cometer um crime que tanto desejavam cometer, é fabuloso ver como ficam radiantes com todos os doces e como a comunidade se junta para promover este dia. Infelizmente nem todas as comunidades o fazem, principalmente, julgo, por falta de hábito pois não fica assim tão caro nem é muito cansativo satisfazer e alegrar a todos. Todas as outras situações e experiências também concordo e apoio claramente como disse anteriormente. Talvez acima de tudo não devemos esquecer que o halloween surge de um encurtamento da noite de todos os santos (All Hallows' Evening"), ou seja essencialmente para os que são santos e puros, ou seja para as crianças ou para se ser criança mesmo que não se tenha a idade indicada para tal. O que algumas vezes acontece é a situação das pessoas se mascararem de santos quando não o são nessa noite e em todas as outras, é para elas fácil fazerem-no e aproveitarem a data para mais uma vez iludirem algumas pessoas e acima de tudo a eles mesmo. Fazem-se de doce quando têm muito mais parecenças com a partida que se faz a todos e qualquer um. O halloween é assim muito parecido com o carnaval, todos revelam realmente aquilo que são, mas talvez por ser noite ou por açúcar a mais no sangue, no carnaval muita música e alguma dança, toda a manipulação mantem-se igual a todos os outros dias. Pena não sermos todos crianças.
Assinar:
Comentários (Atom)