Decidi deixar de ver futebol português, é uma perda de tempo imensa, principalmente quando há futebol inglês durante a tarde. Quando se visiona os jogos de um campeonato e de outro, parecem desportos diferentes. Talvez, porque não com certeza, representem também o estados dos países. Enquanto no futebol inglês joga-se todos os minutos, para não dizer todos os segundos, intensamente, como se fossem os últimos entre todas as equipas, estádios cheios, público activo e profissionalismo constante de todos os intervenientes, no português assiste-se a uma fase inicial de "estudo" entre as duas equipas, quando o que parece é que realmente estão ainda a ser activados os mecanismos mecano-sensoriais de todos os sujeitos dentro e fora do relvado, muitas pausas, muitas faltas, muitas perdas de tempo para ganhar folgo do pouco ou nada que correram. Grande parte dos jogadores corre naquele jeito tão tradicional de corrida exibicional, ou seja, não correm e não enganam mais ninguém a não serem eles mesmos. Não existe comunicação estrutural entre a equipa, qual simbiose, apenas momentos individuais, ou quanto muito jogadores que por serem da mesma nacionalidade até gostam de se ajudar minimamente. Os dirigentes e treinadores ficam a olhar, pensando no que os outros vão dizer e no que se vai passando nos bastidores pois para eles o espectáculo passa-se aí. Os adeptos, muitas vezes néscios e autóctones mentais, ficam contentes que a equipa ganhe como se fosse uma vitória própria na vida sem muito interessar como se conseguiu tal efeito, vão para o estádio fumar, beber uns copos e mandar umas bocas às miúdas do lado e descarregar frustrações nos árbitros. Árbitros estes que parece que nunca jogaram futebol e se deixam enganar por lances que até os miúdos de cinco anos simulam na brincadeira. Não há brilho, profissionalismo em nada, é um deixar andar tão letárgico e ovelhado que deixa uma pessoa furiosa e com uma vontade imensa de desligar a televisão. Depois vêm as competições europeias e aí sim, já se esfolam todos, pensando que assim é que se vão mostrar à Europa, sempre tudo muito num plano individual e exclusivo, não percebendo que não têm capacidade para renderem os noventa minutos de um jogo de alto nível europeu, porque estão habituados a jogar cinco a dez minutos a esse nível no campeonato interno. Depois quando se vêem em desvantagem nos campeonatos internos é que surge o momento mais piedoso, transformam-se, nada de mutações, e então lutam finalmente pela bola a cada segundo, como se fossem morrer, sempre com ânsia e inconsciência, pois organização e sentido global nunca foi o forte deles, como alguém diz e bem, nunca os assistiu. Um ponto final só para os locutores da televisão que parecem sempre dois amigos no café a discutir futebol, ou melhor, quase tudo menos futebol e olham para o campo como quase qualquer um nesse mesmo café, até quando vai durar a falta de profissionalismo neste campo também e deixarem de chamar pseudo-especialistas que falam de termos e conjunturas que nem compreendem o seu significado?
Nenhum comentário:
Postar um comentário